Telescópio revela exoplaneta rochoso sem atmosfera a 48 anos-luz da Terra com temperatura de 725 °C. Dados do telescópio James Webb revelam um mundo rochoso e geologicamente inativo a apenas 48,5 anos-luz da Terra.
Localizado na constelação de Indus, a cerca de 48,5 anos-luz da Terra, o exoplaneta LHS 3844 b tem chamado a atenção dos cientistas por suas características incomuns, conforme relatado pelo Olhar Digital.
Observações apontam que sua superfície é escura, árida e praticamente sem atmosfera, o que oferece novas pistas sobre a formação de mundos rochosos fora do Sistema Solar.
Além disso, esse exoplaneta completa uma volta em torno de sua estrela em apenas 11 horas e apresenta rotação sincronizada, mantendo sempre o mesmo hemisfério voltado para a luz.
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Como consequência, a face iluminada atinge temperaturas próximas de 725 °C, criando um ambiente extremamente hostil.
Exoplaneta LHS 3844 b pode ser geologicamente inativo
A análise dos dados levou os cientistas a considerar que o exoplaneta pode não apresentar atividade geológica recente.
A ausência de dióxido de enxofre (SO₂), geralmente associado a vulcanismo, indica que erupções não estão ocorrendo atualmente.
Diante disso, a hipótese mais provável é que a superfície seja antiga e coberta por regolito — material formado ao longo de bilhões de anos por impactos e desgaste. Esse cenário sugere um ambiente estável, porém sem renovação geológica significativa.
Os resultados foram obtidos com o uso do instrumento MIRI, do Telescópio Espacial James Webb, que permitiu captar a radiação infravermelha emitida diretamente pela superfície do exoplaneta.
Segundo a pesquisadora Laura Kreidberg: “Vemos uma rocha escura, quente e árida, desprovida de qualquer atmosfera.”
Essas medições foram combinadas com dados anteriores do telescópio Spitzer, reforçando as conclusões sobre as características do exoplaneta.
Exoplaneta LHS 3844 b e a influência da rotação sincronizada
O padrão térmico do exoplaneta está ligado à sua rotação sincronizada. Como um hemisfério permanece constantemente voltado para a estrela, essa região recebe calor contínuo.
Isso cria um contraste intenso com o lado oposto, que permanece sem iluminação direta. Sem atmosfera, não há redistribuição de calor, tornando o ambiente ainda mais extremo. Esse fator influencia diretamente a estrutura e o comportamento da superfície.

Composição da superfície aponta para rochas escuras
Os dados indicam que a superfície do exoplaneta é dominada por materiais escuros, semelhantes ao basalto. Esse tipo de rocha é rico em ferro e magnésio e também está presente na Lua e no interior da Terra.
Entre os principais elementos identificados estão:
- Predominância de rochas escuras
- Presença de minerais como ferro e magnésio
- Ausência de materiais claros, como poeira fina
- Indícios de superfície sólida ou fragmentada
Essa composição difere da crosta terrestre, que possui maior diversidade de rochas claras.
Exoplaneta LHS 3844 b não segue padrões da Terra
A ausência de água e atmosfera impede processos geológicos comuns no nosso planeta. Sem esses elementos, não há formação de placas tectônicas como as da Terra.
De acordo com o pesquisador Sebastian Zieba, esse tipo de dinâmica “Isso indica que a tectônica de placas semelhante à da Terra não se aplica a este exoplaneta, ou é ineficaz ”.
Isso explica por que não há sinais de uma crosta rica em silicatos, como o granito. Esse cenário aponta para uma evolução geológica distinta, sem renovação constante da superfície.
Antes de chegar à conclusão mais provável, os pesquisadores consideraram duas hipóteses para explicar a aparência do exoplaneta:
- Superfície formada por atividade vulcânica recente
- Crosta antiga modificada ao longo do tempo por desgaste
A ausência de sinais de gases vulcânicas favorece a segunda opção, indicando um exoplaneta com longa história de exposição ao ambiente espacial.

O exoplaneta LHS 3844 b é considerado um exemplo importante para entender a diversidade de mundos rochosos no universo.
Sua combinação de calor extremo, ausência de atmosfera e composição específica oferece um cenário único para estudo.
Além disso, novas observações já foram realizadas para analisar como a superfície reflete luz em diferentes ângulos, o que pode revelar ainda mais detalhes sobre sua estrutura.
Fonte: Olhar Digital

Estou aqui na dúvida se ocorreu algum erro na notícia. Dar a volta em torno da estrela em apenas 11 horas….? Qual será a velocidade de translação e a distância da estrela…?