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Usinas a gás avançam nos Estados Unidos, mas comparação por MWh mostra por que solar, eólica e baterias podem mudar a disputa da tecnologia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 20/05/2026 às 18:56
Atualizado em 20/05/2026 às 20:06
Engenheiro do setor elétrico diante de usina a gás, painéis solares, turbinas eólicas e baterias, com chamada sobre tecnologia obsoleta.
Imagem ilustra a disputa entre novas plantas a gás, energias renováveis e baterias no setor elétrico, tema central da matéria sobre o risco de tecnologias perderem espaço.
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Com 116.000 MW ligados a novas plantas a gás nos Estados Unidos, comparação de custos expõe por que solar, eólica e baterias passaram a pressionar as concessionárias que antes trocaram carvão por gás em busca de eficiência, transporte mais barato e menor manutenção

Com 116.000 MW associados a novas usinas a gás nos Estados Unidos, a tecnologia que substituiu o carvão por eficiência e custo menor agora enfrenta pressão de solar, eólica e baterias, mais baratas na geração.

A disputa importa porque envolve decisões bilionárias de concessionárias, expansão da oferta elétrica e risco de ativos perderem competitividade. Vence quem produz pelo menor custo.

Tecnologia a gás ganhou espaço ao reduzir perdas do carvão

A troca do carvão pelo gás não surgiu apenas de preferência ambiental ou regulatória. Para empresas de energia, o gás apresentou vantagens operacionais. A principal está na taxa de calor, indicador da energia térmica necessária para produzir 1 kWh.

Uma caldeira a carvão exige cerca de 10.000 BTUs por kWh. Já uma planta a gás de ciclo combinado precisa de aproximadamente 7.500 BTUs por kWh. Essa diferença torna o gás mais eficiente na conversão de combustível em eletricidade.

O transporte também pesou. O gás pode seguir por gasodutos, enquanto o carvão depende de ferrovia. Em algumas situações, o custo ferroviário chega a representar metade do preço de uma tonelada entregue.

Há ainda resíduos e manutenção. Usinas a carvão geram cinzas tóxicas que exigem tratamento. A frota envelhecida também demanda paradas mais frequentes, enquanto instalações a gás operam com cronogramas menos pesados.

Mudanças importantes no setor elétrico dos EUA
Mudanças importantes no setor elétrico dos EUA

Carvão perde novos projetos, mas não saiu do sistema

A transição não eliminou imediatamente o carvão. A EIA dos EUA registra idade média de 45 anos para a usina a carvão atual no país, diante de vida útil esperada próxima de 50 anos.

Com o aumento rápido da demanda elétrica, aposentadorias foram adiadas. Em 2022, mais de 12 GW de desligamentos foram anunciados. No ano passado, esse volume caiu para 2,6 GW.

Mesmo assim, o sinal para novas construções é claro: nenhuma central elétrica a carvão foi anunciada nos Estados Unidos. O carvão permanece em operação, mas não aparece como aposta para ampliar a geração.

No gás, o movimento é oposto. Há cerca de 18.000 MW de novas centrais em construção e aproximadamente 98.000 MW nas etapas de seleção de local e planejamento. Somados, os projetos chegam aos 116.000 MW.

Esse número mostra por que a discussão não é apenas técnica. O sistema elétrico precisa de capacidade adicional, e concessionárias seguem escolhendo o gás como substituto do carvão.

Renováveis repetem contra o gás a lógica que derrubou o carvão

O ponto central da disputa é que solar, eólica e baterias podem fazer com o gás o que o gás fez com o carvão: oferecer eletricidade por custo menor. A vantagem dessas fontes está no combustível zero.

A comparação por LCOE, custo nivelado de energia, permite observar tecnologias diferentes considerando investimento, operação e custos ao longo da vida útil. Os números citados colocam o carvão em US$ 73 por MWh, valor atribuído à Lazard.

Para gás de ciclo combinado, o custo informado é de US$ 64,55 por MWh. A solar fotovoltaica com baterias aparece em US$ 53,44 por MWh, enquanto a eólica terrestre chega a US$ 29,58 por MWh.

A eólica offshore surge em US$ 88,16 por MWh, patamar próximo ao de novas usinas nucleares nos dados citados da EIA. O material não apresenta números para pequenos reatores modulares.

Esses valores não significam que todas as regiões, projetos e horários terão o mesmo resultado. Indicam, porém, que parte das renováveis já aparece competitiva diante do gás pelo custo nivelado.

Risco é construir hoje ativos caros para o mercado de amanhã

O risco para as concessionárias está no tempo. Usinas a gás podem ser planejadas para atender à demanda, mas enfrentar concorrência crescente de fontes renováveis e baterias.

Esse risco de ativos prematuramente retidos já não é zero. Isso ocorre quando uma infraestrutura funcional perde valor econômico porque outra tecnologia entrega o mesmo serviço por custo inferior.

A Califórnia aparece como exemplo de mudança prática. Baterias descarregadas em períodos de pico estão sendo implantadas em vez de unidades de pico movidas a gás. Seriam cerca de 10% mais baratas pelo LCOE.

A transição não tende a ocorrer de uma vez. Tecnologias antigas e mais caras podem operar por anos ao lado das novas soluções. Foi assim com o carvão, que ainda permanece ativo.

A conclusão prática é que a tecnologia escolhida hoje influencia custos, investimentos e confiabilidade do sistema elétrico por décadas. O gás venceu o carvão pela conta econômica; agora, renováveis e baterias tentam vencer o gás também pelo mesmo caminho.

Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pelo Oilprice. O conteúdo contou com apoio de ferramentas de IA na organização editorial e passou por revisão humana antes da publicação.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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