Com 116.000 MW ligados a novas plantas a gás nos Estados Unidos, comparação de custos expõe por que solar, eólica e baterias passaram a pressionar as concessionárias que antes trocaram carvão por gás em busca de eficiência, transporte mais barato e menor manutenção
Com 116.000 MW associados a novas usinas a gás nos Estados Unidos, a tecnologia que substituiu o carvão por eficiência e custo menor agora enfrenta pressão de solar, eólica e baterias, mais baratas na geração.
A disputa importa porque envolve decisões bilionárias de concessionárias, expansão da oferta elétrica e risco de ativos perderem competitividade. Vence quem produz pelo menor custo.
Tecnologia a gás ganhou espaço ao reduzir perdas do carvão
A troca do carvão pelo gás não surgiu apenas de preferência ambiental ou regulatória. Para empresas de energia, o gás apresentou vantagens operacionais. A principal está na taxa de calor, indicador da energia térmica necessária para produzir 1 kWh.
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Uma caldeira a carvão exige cerca de 10.000 BTUs por kWh. Já uma planta a gás de ciclo combinado precisa de aproximadamente 7.500 BTUs por kWh. Essa diferença torna o gás mais eficiente na conversão de combustível em eletricidade.
O transporte também pesou. O gás pode seguir por gasodutos, enquanto o carvão depende de ferrovia. Em algumas situações, o custo ferroviário chega a representar metade do preço de uma tonelada entregue.
Há ainda resíduos e manutenção. Usinas a carvão geram cinzas tóxicas que exigem tratamento. A frota envelhecida também demanda paradas mais frequentes, enquanto instalações a gás operam com cronogramas menos pesados.

Carvão perde novos projetos, mas não saiu do sistema
A transição não eliminou imediatamente o carvão. A EIA dos EUA registra idade média de 45 anos para a usina a carvão atual no país, diante de vida útil esperada próxima de 50 anos.
Com o aumento rápido da demanda elétrica, aposentadorias foram adiadas. Em 2022, mais de 12 GW de desligamentos foram anunciados. No ano passado, esse volume caiu para 2,6 GW.
Mesmo assim, o sinal para novas construções é claro: nenhuma central elétrica a carvão foi anunciada nos Estados Unidos. O carvão permanece em operação, mas não aparece como aposta para ampliar a geração.
No gás, o movimento é oposto. Há cerca de 18.000 MW de novas centrais em construção e aproximadamente 98.000 MW nas etapas de seleção de local e planejamento. Somados, os projetos chegam aos 116.000 MW.
Esse número mostra por que a discussão não é apenas técnica. O sistema elétrico precisa de capacidade adicional, e concessionárias seguem escolhendo o gás como substituto do carvão.
Renováveis repetem contra o gás a lógica que derrubou o carvão
O ponto central da disputa é que solar, eólica e baterias podem fazer com o gás o que o gás fez com o carvão: oferecer eletricidade por custo menor. A vantagem dessas fontes está no combustível zero.
A comparação por LCOE, custo nivelado de energia, permite observar tecnologias diferentes considerando investimento, operação e custos ao longo da vida útil. Os números citados colocam o carvão em US$ 73 por MWh, valor atribuído à Lazard.
Para gás de ciclo combinado, o custo informado é de US$ 64,55 por MWh. A solar fotovoltaica com baterias aparece em US$ 53,44 por MWh, enquanto a eólica terrestre chega a US$ 29,58 por MWh.
A eólica offshore surge em US$ 88,16 por MWh, patamar próximo ao de novas usinas nucleares nos dados citados da EIA. O material não apresenta números para pequenos reatores modulares.
Esses valores não significam que todas as regiões, projetos e horários terão o mesmo resultado. Indicam, porém, que parte das renováveis já aparece competitiva diante do gás pelo custo nivelado.
Risco é construir hoje ativos caros para o mercado de amanhã
O risco para as concessionárias está no tempo. Usinas a gás podem ser planejadas para atender à demanda, mas enfrentar concorrência crescente de fontes renováveis e baterias.
Esse risco de ativos prematuramente retidos já não é zero. Isso ocorre quando uma infraestrutura funcional perde valor econômico porque outra tecnologia entrega o mesmo serviço por custo inferior.
A Califórnia aparece como exemplo de mudança prática. Baterias descarregadas em períodos de pico estão sendo implantadas em vez de unidades de pico movidas a gás. Seriam cerca de 10% mais baratas pelo LCOE.
A transição não tende a ocorrer de uma vez. Tecnologias antigas e mais caras podem operar por anos ao lado das novas soluções. Foi assim com o carvão, que ainda permanece ativo.
A conclusão prática é que a tecnologia escolhida hoje influencia custos, investimentos e confiabilidade do sistema elétrico por décadas. O gás venceu o carvão pela conta econômica; agora, renováveis e baterias tentam vencer o gás também pelo mesmo caminho.
Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pelo Oilprice. O conteúdo contou com apoio de ferramentas de IA na organização editorial e passou por revisão humana antes da publicação.

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