Novo serviço do SUS em parceria com o Sírio-Libanês oferecerá 450 consultas online mensais para tratar vício em apostas, enquanto plataforma da Fazenda permite travar CPF, excluir perfis em bets e apoiar busca ativa de jogadores mais vulneráveis na rede pública, incluindo jovens e beneficiários de programas sociais em risco.
O SUS vai ganhar, a partir de fevereiro de 2026, um teleatendimento específico para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. De acordo com o portal Folha de S. Paulo, serão ao menos 450 consultas mensais, feitas a distância, com a promessa de integrar o atendimento à rede do SUS e encaminhar os casos mais graves para serviços presenciais.
Ao mesmo tempo, o governo federal lança uma plataforma de autoexclusão dos sites de apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, que permite travar o CPF, bloquear o acesso às bets e cortar o recebimento de publicidade. A ferramenta será acessada pela conta Gov.br, a partir de 10 de dezembro, e faz parte de uma estratégia mais ampla de cruzar dados da Fazenda e da Saúde para localizar e proteger jogadores mais vulneráveis.
Teleatendimento do SUS será porta de entrada para tratamento
Segundo o Ministério da Saúde, o teleatendimento do SUS voltado ao vício em apostas será a principal porta de entrada para quem busca ajuda por conta de jogos online, inclusive o chamado jogo do tigrinho e as bets esportivas.
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O serviço funcionará em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, que ficará responsável por realizar as consultas remotas a partir de fevereiro de 2026.
A meta inicial é ofertar pelo menos 450 consultas por mês, número que, segundo o ministro Alexandre Padilha, poderá crescer com a adesão de outros hospitais que já estão em negociação com o governo.
As pessoas atendidas pelo teleatendimento do SUS serão encaminhadas, quando necessário, para serviços presenciais da rede, como CAPS e outros equipamentos de saúde mental.
A ideia é que o canal seja um ponto de acolhimento rápido e qualificado, evitando que o problema avance para quadros mais graves de endividamento, depressão e ruptura familiar.
De janeiro a junho de 2025, o SUS já realizou 1.951 atendimentos de pessoas com “transtorno do jogo”, praticamente o que foi registrado no ano inteiro de 2024, quando houve 3.490 atendimentos.
Os dados mostram uma aceleração da demanda por cuidado ligada diretamente à explosão das apostas online no país.
Plataforma de autoexclusão trava CPF e corta publicidade das bets
Paralelamente ao teleatendimento do SUS, o Ministério da Fazenda lançou uma nova plataforma de autoexclusão dos sites de apostas, acessada pela conta Gov.br. Nela, o apostador poderá escolher por quanto tempo e por qual motivo quer ficar fora das plataformas de jogos.
Durante o período selecionado, o CPF ficará bloqueado para acesso às bets, novos cadastros e recebimento de comunicações de marketing, publicidade ou promoções.
O sistema emitirá um registro de autoexclusão, que servirá de base para que as empresas de apostas interrompam o relacionamento com aquele usuário.
Hoje, a Fazenda já mantém uma plataforma que permite bloquear o perfil em cada casa de apostas separadamente, e cerca de 950 mil pessoas já pediram exclusão em pelo menos uma empresa.
A novidade é que o novo sistema permitirá o bloqueio em todas as bets de uma só vez, reforçando a proteção para quem tenta se afastar dos jogos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a ferramenta também divulgará pontos de atendimento do SUS, direcionando o usuário para o Meu SUS Digital e para a Ouvidoria do SUS. A intenção é conectar a decisão de se autoexcluir das apostas com uma porta concreta de cuidado na rede pública de saúde.
Governo vai cruzar dados da Fazenda e da Saúde para mapear risco
As medidas foram anunciadas em Brasília pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda), que assinaram um acordo para compartilhamento de dados sobre apostas. A partir desse fluxo de informações, o governo quer identificar o perfil das pessoas com problemas relacionados aos jogos e entender melhor o impacto das bets sobre a saúde e a renda das famílias.
Foi criado o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, que passará a cruzar dados da Fazenda, como valores apostados e tempo dedicado às bets, com registros do SUS sobre atendimentos e transtornos ligados ao jogo.
Com isso, a rede pública poderá fazer “busca ativa” de apostadores em situação mais crítica, em vez de esperar que eles cheguem espontaneamente ao serviço.
Haddad afirmou que a Fazenda já armazena dados sobre as apostas, inclusive quanto cada pessoa aplica e quanto tempo passa nos sites, o que permite identificar casos mais preocupantes, tanto na esfera criminal como na de dependência.
Padilha, por sua vez, destacou que o SUS precisa se preparar para um problema de saúde pública que cresce em ritmo acelerado, especialmente entre os mais jovens.
Explosão das apostas atinge jovens e beneficiários de programas sociais
As bets online começaram a atuar no Brasil a partir de 2018, no final do governo Michel Temer, e cresceram em uma zona cinzenta da legislação até a regulamentação do mercado no governo Lula. Nesse período, o acesso a sites e aplicativos de apostas se espalhou pelo país.
Pesquisa Datafolha de 2023 aponta que 15% da população já praticava apostas, com forte concentração entre jovens e presença relevante de beneficiários do Bolsa Família.
A combinação de facilidade de acesso, promessas de ganho rápido e campanhas publicitárias agressivas aumentou a preocupação de especialistas com endividamento, depressão e perda de renda entre famílias vulneráveis.
Em novembro, o STF determinou que o governo federal crie mecanismos para impedir que beneficiários de programas sociais usem recursos de assistência em apostas eletrônicas.
As novas iniciativas envolvendo o SUS e a plataforma da Fazenda se inserem nesse contexto de pressão para que o Estado atue tanto na regulação econômica do setor quanto na proteção da saúde mental da população.
Rede do SUS ganhará papel central na proteção de jogadores vulneráveis
Com o teleatendimento especializado, o Observatório de apostas e a plataforma de autoexclusão, o governo quer transformar o SUS em eixo central da política de prevenção e cuidado em relação ao vício em jogos. A ideia é que informações sobre apostas de risco sirvam para acionar a rede de saúde antes que o dano seja irreversível.
Segundo o Ministério da Saúde, a assistência funcionará de forma integrada à rede do SUS, permitindo que usuários que se autoexcluem das bets sejam encaminhados para acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou social.
Quando necessário, esses pacientes deverão ser conduzidos a atendimento presencial, ampliando as chances de interrupção do ciclo de dependência.
O governo aposta em três frentes combinadas: informação, bloqueio e cuidado. Informação por meio do observatório e dos dados cruzados; bloqueio com o travamento do CPF e a restrição de publicidade; e cuidado com o teleatendimento e os serviços presenciais do SUS.
O desafio, agora, será transformar essas ferramentas em respostas rápidas e efetivas para quem já perdeu o controle sobre as apostas.
E você, acha que o SUS e a nova plataforma de autoexclusão vão realmente proteger os jogadores mais vulneráveis ou ainda falta alguma medida importante para frear o vício em apostas no Brasil?

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