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SUS cria teleatendimento contra vício em apostas, oferece 450 consultas por mês, governo lança plataforma para travar CPF e excluir perfis em todas as bets, mira cruzar dados e buscar ativamente jogadores mais vulneráveis na rede do SUS

Publicado em 03/12/2025 às 13:44
O SUS lança teleatendimento contra vício em apostas e plataforma para travar CPF, cruzar dados e ampliar proteção a jogadores vulneráveis.
O SUS lança teleatendimento contra vício em apostas e plataforma para travar CPF, cruzar dados e ampliar proteção a jogadores vulneráveis.
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Novo serviço do SUS em parceria com o Sírio-Libanês oferecerá 450 consultas online mensais para tratar vício em apostas, enquanto plataforma da Fazenda permite travar CPF, excluir perfis em bets e apoiar busca ativa de jogadores mais vulneráveis na rede pública, incluindo jovens e beneficiários de programas sociais em risco.

O SUS vai ganhar, a partir de fevereiro de 2026, um teleatendimento específico para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. De acordo com o portal Folha de S. Paulo, serão ao menos 450 consultas mensais, feitas a distância, com a promessa de integrar o atendimento à rede do SUS e encaminhar os casos mais graves para serviços presenciais.

Ao mesmo tempo, o governo federal lança uma plataforma de autoexclusão dos sites de apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, que permite travar o CPF, bloquear o acesso às bets e cortar o recebimento de publicidade. A ferramenta será acessada pela conta Gov.br, a partir de 10 de dezembro, e faz parte de uma estratégia mais ampla de cruzar dados da Fazenda e da Saúde para localizar e proteger jogadores mais vulneráveis.

Teleatendimento do SUS será porta de entrada para tratamento

Segundo o Ministério da Saúde, o teleatendimento do SUS voltado ao vício em apostas será a principal porta de entrada para quem busca ajuda por conta de jogos online, inclusive o chamado jogo do tigrinho e as bets esportivas.

O serviço funcionará em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, que ficará responsável por realizar as consultas remotas a partir de fevereiro de 2026.

A meta inicial é ofertar pelo menos 450 consultas por mês, número que, segundo o ministro Alexandre Padilha, poderá crescer com a adesão de outros hospitais que já estão em negociação com o governo.

As pessoas atendidas pelo teleatendimento do SUS serão encaminhadas, quando necessário, para serviços presenciais da rede, como CAPS e outros equipamentos de saúde mental.

A ideia é que o canal seja um ponto de acolhimento rápido e qualificado, evitando que o problema avance para quadros mais graves de endividamento, depressão e ruptura familiar.

De janeiro a junho de 2025, o SUS já realizou 1.951 atendimentos de pessoas com “transtorno do jogo”, praticamente o que foi registrado no ano inteiro de 2024, quando houve 3.490 atendimentos.

Os dados mostram uma aceleração da demanda por cuidado ligada diretamente à explosão das apostas online no país.

Plataforma de autoexclusão trava CPF e corta publicidade das bets

Paralelamente ao teleatendimento do SUS, o Ministério da Fazenda lançou uma nova plataforma de autoexclusão dos sites de apostas, acessada pela conta Gov.br. Nela, o apostador poderá escolher por quanto tempo e por qual motivo quer ficar fora das plataformas de jogos.

Durante o período selecionado, o CPF ficará bloqueado para acesso às bets, novos cadastros e recebimento de comunicações de marketing, publicidade ou promoções.

O sistema emitirá um registro de autoexclusão, que servirá de base para que as empresas de apostas interrompam o relacionamento com aquele usuário.

Hoje, a Fazenda já mantém uma plataforma que permite bloquear o perfil em cada casa de apostas separadamente, e cerca de 950 mil pessoas já pediram exclusão em pelo menos uma empresa.

A novidade é que o novo sistema permitirá o bloqueio em todas as bets de uma só vez, reforçando a proteção para quem tenta se afastar dos jogos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a ferramenta também divulgará pontos de atendimento do SUS, direcionando o usuário para o Meu SUS Digital e para a Ouvidoria do SUS. A intenção é conectar a decisão de se autoexcluir das apostas com uma porta concreta de cuidado na rede pública de saúde.

Governo vai cruzar dados da Fazenda e da Saúde para mapear risco

As medidas foram anunciadas em Brasília pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda), que assinaram um acordo para compartilhamento de dados sobre apostas. A partir desse fluxo de informações, o governo quer identificar o perfil das pessoas com problemas relacionados aos jogos e entender melhor o impacto das bets sobre a saúde e a renda das famílias.

Foi criado o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, que passará a cruzar dados da Fazenda, como valores apostados e tempo dedicado às bets, com registros do SUS sobre atendimentos e transtornos ligados ao jogo.

Com isso, a rede pública poderá fazer “busca ativa” de apostadores em situação mais crítica, em vez de esperar que eles cheguem espontaneamente ao serviço.

Haddad afirmou que a Fazenda já armazena dados sobre as apostas, inclusive quanto cada pessoa aplica e quanto tempo passa nos sites, o que permite identificar casos mais preocupantes, tanto na esfera criminal como na de dependência.

Padilha, por sua vez, destacou que o SUS precisa se preparar para um problema de saúde pública que cresce em ritmo acelerado, especialmente entre os mais jovens.

Explosão das apostas atinge jovens e beneficiários de programas sociais

As bets online começaram a atuar no Brasil a partir de 2018, no final do governo Michel Temer, e cresceram em uma zona cinzenta da legislação até a regulamentação do mercado no governo Lula. Nesse período, o acesso a sites e aplicativos de apostas se espalhou pelo país.

Pesquisa Datafolha de 2023 aponta que 15% da população já praticava apostas, com forte concentração entre jovens e presença relevante de beneficiários do Bolsa Família.

A combinação de facilidade de acesso, promessas de ganho rápido e campanhas publicitárias agressivas aumentou a preocupação de especialistas com endividamento, depressão e perda de renda entre famílias vulneráveis.

Em novembro, o STF determinou que o governo federal crie mecanismos para impedir que beneficiários de programas sociais usem recursos de assistência em apostas eletrônicas.

As novas iniciativas envolvendo o SUS e a plataforma da Fazenda se inserem nesse contexto de pressão para que o Estado atue tanto na regulação econômica do setor quanto na proteção da saúde mental da população.

Rede do SUS ganhará papel central na proteção de jogadores vulneráveis

Com o teleatendimento especializado, o Observatório de apostas e a plataforma de autoexclusão, o governo quer transformar o SUS em eixo central da política de prevenção e cuidado em relação ao vício em jogos. A ideia é que informações sobre apostas de risco sirvam para acionar a rede de saúde antes que o dano seja irreversível.

Segundo o Ministério da Saúde, a assistência funcionará de forma integrada à rede do SUS, permitindo que usuários que se autoexcluem das bets sejam encaminhados para acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou social.

Quando necessário, esses pacientes deverão ser conduzidos a atendimento presencial, ampliando as chances de interrupção do ciclo de dependência.

O governo aposta em três frentes combinadas: informação, bloqueio e cuidado. Informação por meio do observatório e dos dados cruzados; bloqueio com o travamento do CPF e a restrição de publicidade; e cuidado com o teleatendimento e os serviços presenciais do SUS.

O desafio, agora, será transformar essas ferramentas em respostas rápidas e efetivas para quem já perdeu o controle sobre as apostas.

E você, acha que o SUS e a nova plataforma de autoexclusão vão realmente proteger os jogadores mais vulneráveis ou ainda falta alguma medida importante para frear o vício em apostas no Brasil?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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