Wilbur Ross fez fortuna comprando empresas quebradas em setores como aço, carvão e autopeças, aplicando reestruturações profundas. Salvou a brasileira Plascar, acumulou cerca de 3 bilhões de dólares e, já aos 79 anos, assumiu o comando do Comércio no governo Donald Trump, levando sua visão de risco e longo prazo.
Wilbur Ross é o investidor que ficou bilionário comprando empresas quebradas e transformando falências em negócios lucrativos em setores pesados como aço, carvão e autopeças. Enquanto muita gente foge da crise, ele aprendeu a enxergar valor justamente onde o mercado só via problemas.
Da reestruturação de grupos industriais nos Estados Unidos ao resgate da brasileira Plascar, Ross refinou um método quase científico para cortar desperdícios, trocar lideranças e reconstruir culturas corporativas. Essa combinação de análise fria, foco em risco e paciência de longo prazo acabaria levando o bilionário do comando de fábricas em crise à cadeira de secretário do Comércio no governo Donald Trump.
Nascimento, formação e escolha pelo mercado em crise
Wilbur Ross nasceu em 28 de novembro de 1937 em Nova Jersey. Formou-se em Yale, fez pós-graduação em Harvard e, em vez de seguir uma carreira tradicional na academia ou nos grandes bancos, decidiu se especializar em reestruturação de falências e em negócios que quase ninguém queria tocar.
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Em 1976, ele passou a trabalhar no banco Rothschild, onde ficou por mais de uma década. Ali, mergulhou em casos de empresas endividadas e processos de recuperação.
Enquanto outros viam apenas risco, Ross começou a entender como empresas quebradas podiam ser reconstruídas e devolvidas ao lucro com disciplina, capital e tempo.
O método Ross para recuperar empresas quebradas
Quando decidiu aplicar esse conhecimento por conta própria, Ross já tinha uma espécie de roteiro mental. Ele começava com uma avaliação rigorosa de cada negócio: primeiro, perguntava “o que está errado aqui?”; depois, “o que pode ser melhorado de forma realista?”. A partir daí, desmontava o negócio em partes, analisando operação, custos, pessoas e posição no mercado.
Não se tratava só de cortar gastos. Ross examinava a gestão de pessoas, a estrutura de custos, a forma como a empresa se apresentava ao mercado e o potencial de crescimento de cada divisão.
Muitas vezes, isso exigia trocar a liderança, refazer a cultura interna e focar apenas no que realmente gerava valor no longo prazo. Seu alvo eram justamente empresas em crise, mas com operações fundamentais ainda sólidas, onde a reestruturação poderia destravar valor.
WL Ross & Co. e a estratégia de comprar ativos em dificuldade
Em 2000, depois de anos lidando com falências em nome de outros, Ross deixou o banco e fundou a WL Ross & Co. A ideia era direta: usar a experiência acumulada para comprar empresas quebradas ou em grave dificuldade, reestruturar tudo o que fosse necessário e, depois, colher o ganho quando o mercado voltasse a reconhecer o valor daquele ativo.
Os alvos preferidos eram setores pesados e problemáticos, como aço, carvão e têxteis, frequentemente marcados por excesso de capacidade, dívidas elevadas e pouca eficiência.
Nesses ambientes, Ross via espaço para renegociar passivos, fechar operações pouco rentáveis, modernizar processos e reposicionar a empresa. Foi assim que construiu uma fortuna estimada em cerca de 3 bilhões de dólares recuperando negócios que pareciam sem saída.
Plascar e as autopeças no Brasil: quando a crise vira liderança
Em 2006, Wilbur Ross voltou seus olhos para o Brasil. Ele investiu em uma fornecedora de autopeças em concordata, chamada Colis Akan, e, no mesmo ano, comprou participação relevante na Plascar, uma das principais fabricantes de autopeças do país.
Enquanto o mercado via apenas mais um caso de empresa em apuros, Ross enxergava o potencial do setor automotivo brasileiro em expansão.
O plano foi o mesmo que vinha aplicando em outros países. Ross mexeu na estrutura de governança, reduziu custos, ajustou margens e trabalhou para mudar a cultura interna.
A lógica era simples: se a empresa tinha bons clientes, tecnologia e mercado, a crise não era o fim, mas um ponto de virada. Com o tempo, a Plascar passou a ter cerca de 73% de participação no segmento de veículos leves e 23% em veículos pesados, além de uma receita bruta expressiva no primeiro trimestre de 2025.
O caso Plascar ilustra como a estratégia de comprar empresas quebradas pode, nas mãos certas, gerar resultados extraordinários. Em vez de abandonar um ativo em crise, Ross preferiu reconstruí-lo, posicionando a companhia como líder em um mercado competitivo.
Da fortuna privada ao cargo de secretário de Comércio dos EUA
Depois de consolidar sua reputação como especialista em resgatar empresas problemáticas e acumular bilhões de dólares, Ross decidiu entrar na vida pública. Em 30 de novembro de 2016, aceitou o convite do então presidente eleito Donald Trump para assumir o cargo de secretário do Comércio dos Estados Unidos.
Aos 79 anos, tornou-se a pessoa mais velha a ocupar um posto no gabinete americano naquele momento.
A mesma disposição para assumir riscos em empresas quebradas apareceu também na decisão de entrar em um governo altamente exposto, levando para Washington sua experiência com indústria e reestruturações complexas.
Risco, irracionalidade do mercado e lições para o investidor comum
A trajetória de Wilbur Ross dialoga com uma visão mais ampla sobre investimentos discutida no programa em que sua história foi contada.
O apresentador lembra que, na teoria, parece fácil comprar na baixa, vender na alta e aproveitar as oportunidades. Na prática, com dinheiro real em jogo, o mercado se mostra irracional e o investidor muitas vezes reage com medo ou ganância.
Ross construiu sua carreira fazendo o oposto do investidor impulsivo. Em vez de correr atrás de modas de curto prazo, focou em negócios concretos, muitas vezes impopulares, que exigiam sangue-frio, análise profunda e tempo.
O segredo, repetido ao longo da narrativa, é saber administrar os riscos e transformá-los em grandes oportunidades, mesmo quando tudo indica o contrário.
Para o investidor comum, a história desse bilionário das empresas quebradas é um lembrete de que paciência, estudo e disciplina podem valer mais do que seguir o comportamento da maioria.
Compreender a diferença entre preço e valor, ter clareza sobre o risco assumido e manter a cabeça fria em tempos de volatilidade são elementos centrais dessa lição.
Depois de conhecer a trajetória de Wilbur Ross, você teria coragem de investir em empresas quebradas se enxergasse potencial de recuperação no longo prazo ou preferiria ficar apenas em negócios já consolidados?


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