Longe de crateras ativas, o supervulcão nos Andes chamado Uturunku voltou ao radar quando satélites registraram deformação do solo em padrão de sombreiro e tremores recorrentes. O Altiplano Puna, com reservatório de magma profundo e enxames sísmicos ligados a gases voláteis, desafia a ideia de extinção após 250 mil anos.
O supervulcão nos Andes conhecido como Uturunku, nos Andes bolivianos, está há mais de 250 mil anos sem erupções registradas, mas voltou a chamar atenção quando medições por satélite apontaram o solo subindo cerca de 1 a 2 cm por ano em parte do período entre 1992 e 2006, como se uma carga colossal de energia subterrânea estivesse pressionando a crosta. A pergunta que incomoda é simples: o que está empurrando a crosta por baixo?
O quadro ganha peso porque o Uturunku fica sobre o Altiplano Puna, onde existe um reservatório de magma ainda quente e parcialmente fundido a cerca de 15 a 20 km de profundidade. Um estudo de 2025 atribuiu boa parte da deformação e dos enxames sísmicos a fluidos ricos em gases voláteis, mais do que a uma “subida rápida” de magma, o que muda a leitura de risco imediato.
Um “vulcão zumbi” que infla sem mostrar lava

O Uturunku parece uma montanha extinta à primeira vista, sem cratera aberta e sem fluxos recentes de lava, mas o supervulcão nos Andes passou a ser observado com lupa depois que satélites detectaram deformação do solo persistente.
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Entre 1992 e 2006, a elevação foi estimada em cerca de 1 a 2 cm por ano em alguns intervalos, um ritmo lento, porém contínuo.
Com o tempo, a deformação do solo foi descrita em um padrão de “sombreiro”, com um centro que sobe e um anel ao redor que afunda levemente.
Esse desenho é um indício de pressão subterrânea distribuída, compatível com a atuação conjunta de reservatório de magma, circulação de fluidos e reorganização de fraturas na crosta.
O que o Altiplano Puna esconde sob a crosta

A região do Altiplano Puna é apresentada como uma das áreas vulcanicamente mais ativas e geologicamente complexas do planeta, e o Uturunku está no topo desse sistema.
A base do quebra-cabeça é um reservatório de magma de grande extensão, chamado de corpo magmático Altiplano Puna, com parte do material ainda parcialmente fundido e capaz de alimentar intrusões menores.
Esse reservatório de magma, situado a cerca de 15 a 20 km, funciona como fonte de calor e como “motor” que aquece fluidos e concentra pressão ao longo do tempo.
Não é um gatilho automático de erupção, mas um componente que explica por que o supervulcão nos Andes pode “respirar” por anos, alternando períodos de inflação e deflação do terreno.
Enxames sísmicos e gases voláteis como assinatura do sistema
Um estudo de 2025, citado como conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford, usou mais de 1700 terremotos locais para mapear a estrutura subterrânea sob o Uturunku.
A conclusão apresentada é que os enxames sísmicos e o levantamento do solo se relacionam fortemente a fluidos ricos em gases voláteis subindo por fissuras e se acumulando em reservatórios rasos.
Entre os gases voláteis citados aparecem dióxido de carbono, dióxido de enxofre e vapor d’água, além de emissões associadas a sulfeto de hidrogênio em pontos superficiais.
Quando esses gases se expandem ao aquecer, eles podem elevar a crosta sem exigir magma chegando perto da superfície, o que ajuda a explicar por que o supervulcão nos Andes pode estar ativo internamente sem sinais clássicos de lava.
Fumarolas, microtremores e a “respiração” que vai e volta
Além do radar por satélite, o cenário inclui um zumbido constante de microterremotos e episódios de enxames sísmicos, típicos de ambientes onde fluidos migram e fraturam rochas ao redor.
Também são citadas fumarolas, pequenas aberturas que liberam vapor e gases sulfurosos, manchando rochas com cores vivas.
O comportamento descrito não é linear: redes geodésicas continuaram registrando períodos de elevação e de deflação, como se o sistema alternasse pressurização e alívio.
Essa “respiração” não prova um despertar eruptivo imediato, mas reforça que o Uturunku e o Altiplano Puna permanecem dinâmicos, com reservatório de magma profundo abastecendo calor e impulsionando gases voláteis.
O que é risco real e o que vira exagero quando se fala em supervulcão
A palavra “supervulcão” costuma sugerir catástrofe global, mas a leitura apresentada para o Uturunku é mais cautelosa: o sistema estaria em recarga e ajuste geológico, não em fase eruptiva.
A própria análise citada ressalta que não há evidências atuais de pressão suficiente para fraturar a crosta até a superfície.
Se o Uturunku voltasse a entrar em erupção, a projeção indicada é de eventos explosivos moderados e localizados, em escala comparada ao Monte St. Helens em 1980, com potencial de lançar cinzas e afetar tráfego aéreo regional.
O cenário de uma erupção gigantesca só entraria no mapa se a atividade profunda reacendesse o Altiplano Puna em grande escala, algo que, segundo o recorte apresentado, não é sustentado pelos sinais atuais.
Por que monitorar o Uturunku importa para além da Bolívia
Mesmo sem erupção há 250 mil anos, o supervulcão nos Andes funciona como laboratório natural para entender como sistemas vulcânicos evoluem após grandes eventos antigos.
O Uturunku, com seus dados de deformação do solo, enxames sísmicos e emissões de gases voláteis, obriga a ciência a separar “dormência” de “morte” geológica.
O avanço de satélites, instrumentos sísmicos e campanhas de campo amplia a capacidade de observar ciclos longos, com anos de inflação seguidos por estabilização ou subsidência.
A utilidade prática é direta: melhorar previsão de risco vulcânico, inclusive em outros lugares onde há reservatório de magma profundo e sinais difusos parecidos com os do Altiplano Puna.
O supervulcão nos Andes do Uturunku não dá sinais clássicos de lava, mas mostra deformação do solo em padrão de sombreiro, enxames sísmicos recorrentes e emissões ligadas a gases voláteis, acima de um reservatório de magma profundo no Altiplano Puna.
O retrato apresentado aponta recarga e ajuste, não uma erupção iminente, mesmo após 250 mil anos.
Qual desses sinais você considera mais preocupante no supervulcão nos Andes: a deformação do solo, os enxames sísmicos ou os gases voláteis?


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