Pesquisa liderada pela Embrapa desenvolve plantas resistentes para missões espaciais e para enfrentar as mudanças climáticas na Terra
O Brasil avança em uma nova fronteira científica ao desenvolver superplantas capazes de crescer no espaço e em condições adversas.
A iniciativa integra o programa Artemis, liderado pelos Estados Unidos desde 2012, conforme dados da NASA.
Além disso, a pesquisa é conduzida pela Embrapa, com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e participação de 22 instituições científicas.
-
A China quer instalar um power bank gigante no espaço para colher luz solar sem parar, dia e noite, e já testou em terra, numa torre de 75 metros, o envio de energia sem fio a 100 metros de distância para vários alvos em movimento
-
A força bruta das ondas vira energia limpa quase sem desperdício, é o que promete um conversor giroscópico criado no Japão que, em simulações, se acopla ao balanço do mar e alcança o limite máximo de 50% de aproveitamento, deixando para trás os geradores marítimos antigos
-
Telescópio espacial da NASA já tem 73% das imagens contaminadas por rastros de satélites, e cientistas alertam que o problema pode chegar a 100% se milhões de objetos forem lançados na órbita baixa da Terra
-
De uniforme descartado a cobertor para quem dorme nas ruas: iniciativa brasileira transforma toneladas de tecido corporativo em abrigo, reduz lixo têxtil e cria uma corrente de impacto social que começa nas empresas e termina nas mãos de quem mais precisa
Dessa forma, o objetivo é garantir produção de alimentos eficiente em cenários extremos, tanto no espaço quanto na Terra.
Superplantas brasileiras ganham força no programa Artemis
Inicialmente, o projeto integra a Rede Space Farming Brazil, voltada ao desenvolvimento de plantas mais produtivas e resistentes.
Para isso, os pesquisadores utilizam variabilidade genética, ampliando eficiência no uso de água, energia e nutrientes.
Segundo Alessandra Fávero, da Embrapa, a pesquisa permite simular condições climáticas futuras e selecionar genótipos mais adaptados.
Ao mesmo tempo, o programa Artemis reúne atualmente 56 países e já consumiu 93 bilhões de dólares em 13 anos, segundo auditoria da NASA.
Batata-doce e grão-de-bico lideram testes iniciais
Neste momento, os testes focam na batata-doce e no grão-de-bico, devido à menor exigência de água e calor.
Além disso, outras espécies devem ser incorporadas gradualmente, incluindo plantas voltadas à produção de medicamentos e fibras.
Assim, o projeto amplia o potencial da agricultura em ambientes com recursos limitados.
Ao mesmo tempo, os resultados podem beneficiar regiões vulneráveis e reforçar a segurança alimentar global.
Desafios de cultivar plantas no ambiente espacial
Por outro lado, cultivar vida fora da Terra envolve desafios significativos.
Um dos principais obstáculos é a radiação ionizante cósmica, capaz de comprometer estruturas biológicas.
Diante disso, cientistas desenvolvem invólucros protetores para preservar as plantas.
Enquanto isso, condições espaciais são simuladas em laboratórios brasileiros.
Em 2024, testes ocorreram no Habitat Marte, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Nesse ambiente, mudas de tomate foram cultivadas com sistemas hidropônicos e aeropônicos, sem uso de solo.
Testes espaciais avançam com foguetes e ISS
Em abril de 2025, sementes foram enviadas ao espaço em um foguete da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos.
Durante cinco minutos, elas ficaram expostas à microgravidade e depois passaram por análise genética.
Posteriormente, em agosto de 2025, plantas como morango e orquídeas foram enviadas à Estação Espacial Internacional (ISS).
Segundo Fávero, a primeira fase do projeto dura cinco anos, seguida por testes em órbita terrestre e, depois, no espaço profundo.

Brasil também investe em missão lunar com o SelenITA
Paralelamente, o país desenvolve o nanossatélite SelenITA, previsto para lançamento em 2028, conforme a AEB.
O equipamento estudará campos magnéticos e relevo da Lua, especialmente no polo sul.
O projeto é conduzido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a NASA.
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), a iniciativa impulsiona áreas como telecomunicações e navegação orbital.
Além disso, essas tecnologias já são utilizadas no monitoramento da Amazônia e na vigilância de fronteiras.
Impactos na Terra e aplicações futuras
Os resultados das pesquisas podem ser aplicados em ambientes áridos e de baixa fertilidade.
Segundo o astrofísico Gabriel Rodrigues Hickel, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), os benefícios serão percebidos a médio e longo prazo.
Ele destaca que avanços espaciais já contribuíram para tecnologias como telecomunicações via satélite e diagnósticos médicos.
Assim, o desenvolvimento dessas plantas pode transformar a agricultura em condições não ideais.
Diante desse cenário, será que o Brasil pode liderar uma nova era na produção de alimentos dentro e fora da Terra?

Seja o primeiro a reagir!