O país que transformou lixo em energia passou a buscar combustível fora das fronteiras para manter as usinas e o aquecimento distrital funcionando. A importação ajuda a reduzir aterros em outros lugares, mas levanta dúvidas sobre dependência e clima.
A Suécia é frequentemente citada como exemplo de gestão de resíduos, com forte reciclagem e um sistema robusto de incineração com recuperação de energia ligado ao aquecimento distrital. Só que essa eficiência criou um efeito colateral inesperado, o país passou a ter menos lixo combustível do que a capacidade instalada das suas usinas.
Com menos rejeito doméstico, plantas que geram calor e eletricidade a partir de resíduos precisam de um fluxo estável para operar de forma eficiente. Na prática, isso abriu espaço para a importação de resíduos de outros países europeus, que pagam para enviar parte do material que não foi reciclado.
De acordo com a Avfall Sverige, organização do setor de resíduos na Suécia, as usinas suecas receberam 6,6 milhões de toneladas de resíduos para recuperação de energia em 2023. Esse volume inclui lixo doméstico e também resíduos de empresas e indústrias.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
-
Aos 15 anos, uma americana construiu um gerador oceânico com cano de PVC e hélice de impressora 3D por R$ 61, ganhou um prêmio nacional, apresentou o projeto na Casa Branca e entrou na lista Forbes 30 Under 30
O debate é que, ao mesmo tempo em que o arranjo pode evitar aterros em países exportadores, ele também pode criar uma dependência de combustível e uma discussão crescente sobre emissões ligadas ao plástico que ainda aparece no rejeito.
Por que a Suécia passou a trazer resíduos de fora
O motor desse modelo é o aquecimento. Redes de aquecimento distrital atendem cidades e bairros inteiros e, em muitos lugares, as usinas de recuperação de energia são parte do mix de combustíveis que mantém a oferta de calor no inverno.
Segundo a Avfall Sverige, a recuperação de energia a partir de resíduos na Suécia gerou 19,5 TWh em 2023, com 17,3 TWh destinados a aquecimento e 2,2 TWh a eletricidade. A entidade afirma que esse sistema atende as necessidades de aquecimento de mais de 1,47 milhão de apartamentos e eletricidade de mais de 940 mil apartamentos.
O ponto central é capacidade maior que o lixo disponível internamente. A própria Avfall Sverige registra que a capacidade sueca de recuperação de energia é superior à disponibilidade doméstica de resíduos combustíveis, o que abre espaço para a entrada de material vindo de fora.
O tamanho do mercado do lixo importado e quem envia
Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. Ainda segundo a Avfall Sverige, em 2023 as plantas suecas trataram 2,2 milhões de toneladas de resíduos já triados vindos de outros países europeus, e dentro disso 716.540 toneladas eram resíduos municipais.
No recorte regional, um relatório do Conselho Nórdico aponta que os principais países de origem do resíduo exportado para incineração na Suécia incluem Noruega e Grã Bretanha.
O mesmo documento cita projeções de necessidade de importação entre 1 e 1,9 milhão de toneladas em 2027, a depender do nível de triagem e de como a capacidade evoluir.
O que a Suécia ganha com isso e o que o resto da Europa tenta evitar
Para as usinas e para os sistemas de aquecimento, o benefício é previsibilidade. Uma planta de incineração com recuperação de energia funciona melhor quando tem alimentação constante e contratos de longo prazo que dão segurança de operação.
A importação também vira um serviço. O país que envia paga para tratar um rejeito que, em muitos casos, iria para aterros, e a Suécia transforma esse material em calor e eletricidade dentro de infraestrutura já existente.
A discussão ambiental é mais complexa e depende do que seria feito com aquele resíduo no país de origem. A Avfall Sverige sustenta que esse fluxo pode ajudar a resolver problemas de gestão de resíduos em países exportadores e cita que ainda há muito lixo indo para aterros na União Europeia, o que gera emissões de metano.
A UE, por sua vez, busca reduzir a dependência de aterros e tem metas para diminuir o envio de lixo municipal para essa destinação ao longo do tempo. Esse contexto pressiona cidades a encontrarem rotas para o rejeito que não é reciclado, o que inclui incineração com recuperação de energia em alguns mercados.
O ponto sensível é o equilíbrio. Quanto mais um país avança em prevenção e reciclagem, menor tende a ser o volume de rejeito combustível, e isso pode colidir com contratos e capacidade de usinas existentes.
As críticas que crescem sobre incineração e a trava na economia circular
A principal crítica é o risco de criar uma espécie de dependência de combustível. Se usinas precisam de volume para operar, há quem tema que isso reduza o incentivo para cortar o rejeito na origem e aumentar a reciclagem.
Outro alvo é o carbono. Mesmo quando o objetivo é tratar o que não dá para reciclar, o rejeito costuma conter plásticos de origem fóssil, e a queima libera CO2. A Agência de Proteção Ambiental da Suécia afirma que em 2023 a incineração de resíduos respondeu por grande parte das emissões do setor de eletricidade e aquecimento distrital, com cerca de 3 milhões de toneladas de CO2 equivalente ligadas a esse segmento.
A Avfall Sverige também reconhece o problema do componente fóssil no lixo e declara metas de reduzir emissões fósseis associadas à recuperação de energia ao longo das próximas décadas.
Para onde o modelo pode ir nos próximos anos
Uma tendência é endurecer a triagem e empurrar mais materiais para reciclagem, deixando para a incineração apenas o que realmente não tem rota melhor. Isso tende a reduzir o volume disponível e aumentar a disputa por combustível em sistemas com muita capacidade instalada.
Outra frente é tecnologia e regulação para reduzir emissões, seja com menos plástico no rejeito, seja com projetos de captura de carbono em plantas de energia e aquecimento. O resultado pode ser um modelo mais caro, porém com menor pegada climática e menos dependente de resíduos importados.
No fim, a pergunta que fica é se importar lixo é um atalho inteligente para evitar aterros ou um incentivo ruim que prolonga a era da queima. Você acha que a Suécia está sendo pragmática ao usar o lixo de outros países ou está apenas adiando a transição para uma economia realmente circular? Deixe sua opinião nos comentários e diga de que lado você fica.


The USA has so much trash that they can have. Plus it will make Trump happy because he can say look the EU is buying more form the USA.
Inceneration or Pyrolysis?
“Sweden excels at Waste-to-Energy (WtE), using advanced incineration for heat/electricity, but this is incineration, not true “mass thermal depolymerization,” which usually implies breaking polymers into monomers for chemical recycling; Sweden primarily uses WtE for energy recovery (50% of waste) and exports waste for this, with high recycling rates (nearly 50%), but faces pressure to reduce fossil plastic incineration for climate goals, as much plastic goes to WtE rather than true recycling. 
Sweden’s Waste Management (WtE Focus)
High WtE Usage: Around 50% of household waste is incinerated for energy (electricity and district heating).
Landfill Reduction: Less than 1% of waste goes to landfills.
Waste Import: Sweden imports waste from other countries (like the UK, Norway) to fuel its WtE plants.
Advanced Facilities: Plants like SYSAV in Malmö use advanced filtration to minimize pollution. 
“Mass Thermal Depolymerization” vs. Incineration
Incineration (WtE): Burns waste at high temperatures to release energy, often with recycling/sorting first.
Depolymerization: A chemical process (like pyrolysis) that breaks polymers (like plastics) back into their original building blocks (monomers) for new materials, which is different from simple energy recovery.
Sweden’s Reality: While Sweden uses thermal processes for energy (WtE), research shows much fossil plastic still ends up in these plants, hindering circularity. 
Key Takeaway
Sweden’s success is in efficient Waste-to-Energy (WtE) and recycling, a model many nations follow, but the term “mass thermal depolymerization” usually describes a more advanced chemical recycling technology not yet scaled in the same way as their current WtE infrastructure, with Sweden needing to shift more plastic from energy recovery to chemical recycling to meet climate goals. “
Both!