Expedição no Mar de Barents localizou sítio nuclear não documentado, mapeou Likhter-4 afundado em 1988, confirmou 580 toneladas de resíduos e avaliou segurança radiológica de submarinos soviéticos no Ártico
O navio de pesquisa russo Akademik Ioffe localizou um sítio nuclear não documentado no Mar de Barents durante expedição recente no Ártico, identificando embarcações afundadas com resíduos radioativos e confirmando condições radiológicas atuais, com impacto direto no monitoramento ambiental da região.
A descoberta ocorreu na Baía das Correntes, área não listada em inventários públicos da era soviética, durante uma missão dedicada à recuperação ambiental do Ártico afetado por objetos submersos contendo combustível nuclear irradiado.
Busca pelo Likhter-4 e resíduos da década de 1980
Um dos principais objetivos da expedição foi localizar o navio Likhter-4, afundado em 1988, conforme registros de arquivo sobre o descarte de resíduos radioativos no Ártico durante a década de 1980.
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Segundo esses dados, a embarcação foi despejada juntamente com 146 contêineres de resíduos radioativos sólidos gerados durante a operação de usinas nucleares de submarinos soviéticos em atividade naquele período.
O Likhter-4 abriga dois reatores pertencentes ao submarino K-22, envolvidos em chumbo e sem combustível nuclear, configuração adotada à época para reduzir riscos radiológicos no descarte.
Tentativas anteriores de localizar o navio ocorreram em 2007, 2023 e 2024, durante expedições a bordo do Akademik Mstislav Keldysh, mas limitações de tempo e condições climáticas adversas impediram a identificação definitiva.
Submersíveis, nova batimetria e localização precisa
A equipe do Akademik Ioffe obteve sucesso ao empregar submersíveis operados remotamente GNOM “X”, GNOM “Vector” e “Argus”, aproveitando condições climáticas favoráveis registradas durante a missão.
Os equipamentos estavam dotados de espectrômetros gama desenvolvidos pelo Centro Nacional de Pesquisa do Instituto Kurchatov, permitindo levantamentos radiológicos e batimétricos detalhados da área investigada.
As medições indicaram que o Likhter-4 não estava nas coordenadas arquivadas, próximas à geleira Roze, mas sim em uma depressão local com profundidade superior a 100 metros.
A equipe conseguiu mapear a posição exata do naufrágio e realizou levantamentos parciais de radiação tanto no casco quanto no fundo do mar circundante, confirmando a localização perdida.
Barcaça Nikel e resíduos sólidos no Mar de Barents
Além do Likhter-4, a expedição confirmou pela primeira vez em duas décadas as coordenadas exatas da barcaça Nikel, localizada nas proximidades da Ilha Kolguyev.
A embarcação contém aproximadamente 580 toneladas de resíduos radioativos sólidos e, até então, tinha sua posição conhecida apenas de forma aproximada, sem mapeamento preciso em nivel métrico.
Inspeção do submarino K-27 e monitoramento contínuo
A missão também inspecionou o submarino nuclear K-27, afundado em 1981 na Baía de Stepovoy, perto de Novaya Zemlya, contendo dois reatores com refrigerante de metal líquido chumbo-bismuto.
Após acidente em 1968 e 13 anos na reserva, o K-27 foi afundado com combustível nuclear irradiado intacto, sendo considerado potencialmente o objeto mais perigoso em termos nucleares nos oceanos.
Medições realizadas com espectrômetro REM-4-50 indicaram que as barreiras de proteção permanecem eficazes, sem detecção de vazamento radioativo para o ambiente marinho ao redor do compartimento do reator.
A presença de Césio-137 foi atribuída apenas à contaminação superficial do casco, enquanto especialistas apontaram outros contêineres afundados como provável fonte dominante de radiação na área.
Com base nos resultados, foi selecionada uma área costeira para instalação futura de uma estação subaquática, destinada ao monitoramento contínuo da radiação dos reatores do K-27, operando 24 horas por dia, sete dias por semana.

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