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Starlink, a internet de Elon Musk, chega a recorde inusitado no Brasil: é a mais lenta do que no resto do mundo, aponta relatório

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 26/11/2025 às 17:58
Starlink cresce no Brasil, mas segue mais lenta que a média global enquanto disputa espaço na América Latina e enfrenta novos concorrentes.
Starlink cresce no Brasil, mas segue mais lenta que a média global enquanto disputa espaço na América Latina e enfrenta novos concorrentes.
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A Starlink alcançou no Brasil um marco curioso: embora tenha melhorado de forma consistente desde 2024, o serviço de internet via satélite de Elon Musk entrega hoje, no país, uma velocidade mediana de download inferior à registrada no restante do mundo e também abaixo da média da banda larga fixa nacional.

Dados recentes da Ookla indicam que, no terceiro trimestre de 2025, a mediana de download da operadora por aqui foi de 109,98 Mbps, enquanto a média global da própria Starlink ultrapassou 220 Mbps no mesmo período.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que a empresa segue em expansão e ganhou relevância na América Latina, especialmente em áreas remotas, onde a infraestrutura tradicional não chega.

O resultado é um cenário em que o serviço se consolida como peça importante na conectividade regional, mesmo carregando o rótulo de estar mais lento no Brasil do que em outros mercados onde atua.

Os relatórios da Ookla apontam que a Starlink vem acelerando desde o início de 2024, com ganhos sucessivos de velocidade no país.

Ainda assim, o patamar atual continua aquém de outras referências.

Entre janeiro e outubro de 2025, a velocidade média global de download da Starlink passou de 145 Mbps para mais de 220 Mbps, um avanço de cerca de 51,7%.

No Brasil, porém, mesmo com a mediana de 109,98 Mbps no terceiro trimestre, o serviço segue atrás do desempenho médio da banda larga fixa tradicional.

No mesmo período, o conjunto de todas as prestadoras que atuam no mercado brasileiro registrou velocidade mediana de 210,81 Mbps.

Na prática, a Starlink opera com algo próximo de metade da velocidade típica das conexões fixas nacionais, embora ofereça uma cobertura muito mais ampla em regiões rurais e isoladas.

Dentro do país, o desempenho também varia conforme o estado.

De acordo com dados do portal Minha Conexão, o Rio Grande do Norte aparece na liderança entre as medições da Starlink, com média de 155,86 Mbps de download.

Em outras unidades da federação, especialmente na região Norte, as velocidades são menores, reflexo de diferenças de infraestrutura local, demanda e condições de operação da rede de satélites.

Se no Brasil a comparação com a banda larga fixa não é favorável, o quadro muda quando o recorte é o mercado de internet via satélite na América Latina.

Segundo os relatórios baseados em testes da Ookla, a Starlink registrou na região uma velocidade mediana de download de 82,54 Mbps no terceiro trimestre de 2025.

O desempenho coloca a empresa bem à frente de concorrentes diretas do segmento.

No mesmo período, a Viasat marcou 32,73 Mbps, enquanto a HughesNet ficou em 15,93 Mbps.

O benefício não é apenas em velocidade: a Starlink também domina o volume de medições.

Entre consumidores latino-americanos, o serviço respondeu por 98,2% de todos os testes de velocidade feitos com conexões via satélite, o que indica ampla participação no segmento residencial e corporativo.

Esse desempenho regional ajuda a explicar por que, mesmo sendo relativamente mais lenta no Brasil do que no restante do mundo, a Starlink ainda aparece como opção mais rápida na comparação com outros serviços satelitais disponíveis para uso doméstico em boa parte do continente.

O avanço da Starlink na região também é medido em número de clientes.

A empresa já ultrapassou a marca de 600 mil usuários no Brasil, de acordo com dados mais recentes citados no relatório, consolidando o país como um de seus principais mercados fora dos Estados Unidos.

Além da base residencial e corporativa, a companhia ganhou espaço em políticas de conectividade pública.

Hoje, mais de 7 mil escolas públicas brasileiras utilizam o serviço de internet via satélite, com forte concentração em áreas rurais, regiões ribeirinhas e municípios da Amazônia Legal.

Nessas localidades, a tecnologia de órbita baixa supre a ausência de fibra óptica e outras formas de acesso, permitindo atividades pedagógicas online, uso de plataformas educacionais e comunicação básica com secretarias de educação.

Essa mesma infraestrutura também vem sendo adotada em postos de saúde, bases de emergência e operações agrícolas, o que reforça o papel da Starlink como solução voltada menos à busca pela maior velocidade absoluta e mais à oferta de conectividade onde outras redes não chegam.

Preço e condições do plano residencial

No mercado brasileiro, o plano focado em residências é ofertado atualmente com mensalidade de R$ 236, valor que não inclui o custo do kit de acesso.

Para instalar o serviço, o consumidor precisa adquirir o equipamento, composto por antena, roteador e cabos, ao preço de cerca de R$ 2.400.

Esse investimento inicial é um dos principais fatores que ainda limitam a adoção da tecnologia por famílias de baixa renda, apesar da queda gradual de preços quando comparada aos primeiros meses de operação no país.

Do ponto de vista técnico, a proposta é entregar internet de alta velocidade e baixa latência em locais remotos, com instalação simples e possibilidade de autoatendimento.

A empresa oferece também modalidades voltadas a uso em viagem, embarcações e aplicações corporativas, mas o recorte dos relatórios citados se concentra sobretudo no desempenho do plano residencial e em testes realizados por consumidores finais, tanto no Brasil quanto nos demais países latino-americanos.

Próxima geração de satélites e disputa por 1 Gbps

Enquanto a Starlink amplia sua base e tenta reduzir a diferença para a média global de velocidade, o setor de constelações de satélites de órbita baixa já se movimenta em direção a conexões ainda mais rápidas.

Informações citadas no relatório com base em análises do portal Teletime apontam que uma nova geração de satélites de banda larga, prevista para 2026, mira velocidades de até 1 Gbps em determinados perfis de uso.

Nesse contexto, ganha destaque o projeto da Amazon, recentemente rebatizado como Amazon Leo (antes conhecido como Project Kuiper).

A companhia planeja iniciar a oferta comercial ampla de internet via satélite a partir de 2026, com o apoio de uma constelação própria e de terminais de diferentes capacidades, incluindo modelos empresariais projetados justamente para alcançar taxas de até 1 Gbps em cenários específicos.

Concorrência no mercado de satélites de baixa órbita

A perspectiva de chegada do Amazon Leo à América Latina ainda neste ciclo, em parceria com operadoras como Sky no Brasil e DirecTV em países vizinhos, promete elevar o nível de competição no mercado regional de banda larga via satélite.

A tendência é que a nova constelação dispute diretamente a mesma base de clientes rurais, empresas em áreas remotas e órgãos públicos hoje atendidos pela Starlink.

Ao mesmo tempo, Viasat e HughesNet trabalham em atualizações de suas redes e portfólios de serviços, buscando reduzir a diferença de desempenho e aproveitar nichos específicos, como backhaul para operadoras móveis, conectividade corporativa dedicada e projetos governamentais.

Em paralelo, agências reguladoras da região, como a Anatel no Brasil, discutem formas de monitorar mais de perto a expansão das constelações LEO e o impacto desse avanço sobre o uso de espectro e a competição na banda larga fixa tradicional.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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