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Sozinha no gelo por oito meses, ela enfrentou fome, mortes e isolamento na Ilha e transformou missão fracassada em história de sobrevivência reconhecida décadas depois pelo Hall da Fama das Mulheres do Alasca

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 02/12/2025 às 21:19 Atualizado em 02/12/2025 às 21:29
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A equipe da Expedição à Ilha Wrangel de 1921: Ada Blackjack , Allan Crawford, Lorne Knight, Fred Maurer, Milton Galle e Victoria, a gata. Imagem: Wikimedea Commons
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A trajetória de Ada Blackjack revela como uma mulher sem experiência em exploração enfrentou riscos extremos na Ilha Wrangel e transformou isolamento e perda em um legado histórico duradouro

Ada Blackjack ficou conhecida por protagonizar uma das narrativas de sobrevivência mais marcantes do século passado. Entre 1921 e 1923, tornou-se a única sobrevivente de uma expedição que fracassou na remota Ilha Wrangel, território isolado ao norte da Sibéria.

A missão ruiu porque não havia planejamento adequado, e o grupo enfrentou temperaturas extremas, escassez de alimentos e sucessivas decisões desesperadas.

A experiência terminou com Ada sozinha por quase dois meses, lutando diariamente contra o frio, a fome e a perda gradual dos companheiros até se tornar símbolo de força silenciosa.

Erros iniciais colocaram a equipe em risco

A expedição havia sido financiada por Vilhjálmur Stefánsson e comandada por Allan Crawford. A equipe incluía os exploradores Lorne Knight, Frederick Maurer e Milton Galle, além de uma pequena gata chamada Victoria.

O plano era reivindicar a Ilha Wrangel para o Canadá. No entanto, eles levaram apenas seis meses de suprimentos para uma missão prevista para durar dois anos, portanto a margem de segurança era mínima.

A embarcação usada não era adequada e apresentava falhas desde o início. Além disso, muitos alimentos estavam deteriorados, o que comprometia a nutrição da equipe.

Os cães comprados em Nome também eram considerados fracos, agravando a capacidade de transporte em condições adversas.

Ada, que não tinha experiência como caçadora, entrou na missão porque precisava do pagamento para ajudar o filho Bennet, internado em um orfanato por causa da tuberculose.

Esse detalhe reforça como sua escolha foi motivada por necessidade e não por desejo de aventura.

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A missão se deteriora rapidamente

O cenário se agravou logo no primeiro inverno. Um navio de socorro tentou chegar à ilha, mas retornou antes de completar o trajeto, deixando o grupo preso por mais um ano.

No início de 1923, Knight adoeceu de forma severa com escorbuto, condição que exigia cuidados constantes.

Crawford, Maurer e Galle decidiram partir em busca de ajuda porque acreditavam que essa era a única chance de salvar a missão. Eles partiram, mas nunca foram vistos novamente.

A responsabilidade por Knight recaiu inteiramente sobre Ada, que passou a cuidar dele enquanto mantinha armadilhas, caçava raposas e aprendia a lidar com o rifle, já que precisava garantir alimento diário.

Ela chegou até a construir uma canoa improvisada com pele de foca para tentar ampliar a área de circulação.

Em junho de 1923, Knight morreu, deixando Ada sozinha na ilha, na companhia da gata Victoria. Durante semanas, ela observou o horizonte na esperança de sinais dos companheiros ou de um possível resgate.

O resgate que encerrou meses de medo

O socorro chegou em 20 de agosto de 1923, quando o navio Donaldson, comandado por Harold Noice, finalmente conseguiu alcançar a Ilha Wrangel. Ada havia resistido oito meses no local, sendo dois completamente sozinha.

Ao retornar, usou o pagamento recebido para tirar Bennet do orfanato e levá-lo para tratamento em Seattle, buscando garantir melhores cuidados porque essa era sua prioridade.

Discreta, ela evitou a fama que surgiu após o episódio e raramente comentava sua experiência. Visitou a família de Knight no Oregon para devolver a Bíblia dele, mas eles insistiram para que Ada permanecesse com o objeto.

Segundo o neto Michael Johnson, ela manteve a Bíblia até o fim da vida, demonstrando vínculo emocional profundo.

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Vida antes e depois da expedição

Ada nasceu em 1898 em Spruce Creek, perto do rio Klokerblok. Aos oito anos, sua mãe decidiu enviá-la a uma escola missionária em Nome, onde aprendeu leitura e escrita.

Casou-se aos 16 anos com Jack Blackjack e teve três filhos, mas somente Bennet sobreviveu à infância. Sem dinheiro após o divórcio, decidiu colocá-lo no orfanato para garantir tratamento médico, escolha que acabou conduzindo à participação na expedição.

Depois de retornar, enfrentou acusações publicadas por Noice em 1924, que insinuaram negligência na morte de Knight.

O explorador posteriormente recuou, mas a situação levou Ada a procurar a imprensa para apresentar sua versão.

Ela iniciou uma série de reportagens, porém interrompeu o processo por causa do desgaste emocional. Teve outro filho, Billy, e morou em cidades como Seattle, Spokane, Juneau, Kodiak e Anchorage.

Legado e reconhecimento tardio de Ada Blackjack

Ada morreu em 1983, aos 85 anos, no Lar Pioneer, em Palmer, Alasca. Foi enterrada ao lado de Bennet. Ainda naquele ano, após petição, a Assembleia Legislativa do Alasca a reconheceu como uma das mulheres mais heroicas do estado.

Em 21 de outubro de 2025, sua trajetória recebeu novo destaque quando passou a integrar o Hall da Fama das Mulheres do Alasca.

Na cerimônia, a bisneta Saresa Whitwer afirmou que, mesmo diante de tantos desafios, Ada manteve profundo amor pela família.

O neto Johnson resumiu sua força com a frase que, segundo ele, guiou a avó por toda a vida: “Enquanto eu estiver viva, continuarei.”

Com informações de Nomenugget e Wikipedia.

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Romário Pereira de Carvalho

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