Nos Estados Unidos, o ex-engenheiro da SpaceX Nathan Silvernail trocou os foguetes pela construção e fundou a Plantd, que fabrica painéis de capim para substituir a madeira convencional: feitos de uma gramínea que cresce rápido, os painéis já atraíram US$ 47,5 milhões e miram tirar a construção civil da madeira.
Quem passou anos projetando sistemas para naves espaciais dificilmente pensa em capim. Mas foi essa a virada de Nathan Silvernail. Depois de sete anos na SpaceX, trabalhando no suporte de vida da nave Crew Dragon, o engenheiro largou os foguetes e fundou a Plantd, uma empresa que fabrica painéis de construção feitos de capim. A meta é ousada: tirar a construção civil da madeira convencional, trocando a árvore por uma gramínea que cresce muito mais rápido.
O caso ganhou destaque na imprensa de negócios, como na Fast Company, que mostrou a maior construtora de casas dos Estados Unidos trocando parte da madeira por capim. Os painéis de capim da Plantd são cortados no mesmo tamanho das placas de madeira tradicionais e podem substituí-las direto na obra. O que parecia ideia improvável virou uma indústria com dinheiro grande por trás.
De engenheiro de foguetes a fabricante de painéis

Nathan Silvernail passou sete anos na SpaceX, a empresa de foguetes de Elon Musk, ajudando a desenvolver os sistemas de suporte de vida da nave Crew Dragon.
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Ao lado de outro ex-engenheiro de foguetes, Huade Tan, ele resolveu aplicar a mesma mentalidade de engenharia ao mercado da madeira. Em vez de mandar gente para o espaço, a dupla decidiu repensar como se fazem as placas que constroem as casas.
A bagagem aeroespacial virou a base do negócio. Trocar foguete por capim parece salto estranho, mas Nathan Silvernail viu ali um problema de engenharia esperando solução.
Painéis feitos de capim que substituem a madeira
O coração da empresa é o produto. A Plantd fabrica painéis de capim, placas construtivas feitas a partir de uma gramínea de crescimento rápido, no lugar da madeira.
Esses painéis de capim são pensados para fazer o papel das placas de OSB, aquelas chapas de madeira prensada usadas em paredes, pisos e telhados. A ideia não é decorar, e sim substituir um material estrutural da construção.
Onde hoje entra madeira de árvore, a proposta é entrar o capim prensado. É um material novo mirando um lugar antigo e gigante no mercado.
Um capim que cresce 9 metros em um ano

A Plantd usa uma espécie de capim resistente à seca e à enchente, capaz de crescer de 6 a 9 metros em um único ano.
Comparado a uma árvore, que leva décadas para virar madeira de corte, essa gramínea está pronta em uma temporada. Essa velocidade é o trunfo ambiental do material.
Em vez de derrubar floresta que demora a se refazer, planta-se um capim que rebrota rápido. Quanto mais rápido cresce a matéria-prima, menor a pressão sobre as árvores. É a natureza acelerada a favor da construção.
Iguais ao OSB, mas de carbono negativo
O grande truque industrial é a compatibilidade. Os painéis da Plantd são cortados exatamente nas mesmas dimensões das placas de OSB tradicionais, o que permite usá-los sem mudar nada na obra.
Além disso, a empresa afirma que o material é de carbono negativo, ou seja, ao longo do processo ele retira mais carbono da atmosfera do que emite. Isso acontece porque o capim absorve carbono enquanto cresce.
Para a construção civil, ter um material que encaixa no padrão e ainda ajuda o clima é o sonho de consumo. Não é preciso reinventar a obra, só trocar a placa.
US$ 47,5 milhões e um gigante da construção
A aposta já atraiu dinheiro de verdade. A Plantd captou cerca de US$ 47,5 milhões em investimentos, segundo a Axios, incluindo aporte de um grande fornecedor de materiais de construção.
E veio o sinal mais forte: a D.R. Horton, a maior construtora de casas dos Estados Unidos, fechou um acordo de vários anos para comprar 10 milhões de painéis, o suficiente para erguer cerca de 90 mil casas. Não é mais um experimento de laboratório.
Ter o maior comprador do setor na carteira mostra que o capim pode virar indústria de escala. De ideia improvável a contrato gigante, a Plantd deu um salto.
Por que a construção quer sair da madeira convencional
A aposta faz sentido por causa de um problema real. A construção civil consome madeira em enormes quantidades, e isso pressiona florestas e gera emissões ligadas ao desmatamento e ao transporte.
Trocar parte da madeira convencional por um capim que cresce rápido e prende carbono ataca esse problema na raiz. A demanda por casas não para de crescer, e a matéria-prima precisa acompanhar sem destruir o planeta.
Um material renovável em meses, e não em décadas, alivia essa conta. É por isso que tanta gente, da indústria ao investidor, aposta em alternativas à madeira na construção civil.
O que a Plantd mostra
A maior lição é que ideia improvável pode virar indústria. Nathan Silvernail saiu dos foguetes e mostrou que dá para repensar até algo tão básico quanto a placa de madeira, criando os painéis de capim da Plantd.
Vale, claro, manter o pé no chão. A tecnologia ainda precisa provar desempenho em larga escala e ganhar espaço num mercado dominado pela madeira convencional, então é uma promessa em construção, não uma revolução consumada.
Ainda assim, ver um ex-engenheiro da SpaceX colocar capim no lugar da madeira, com US$ 47,5 milhões e a maior construtora dos EUA na fila, é o tipo de história que mostra para onde a construção civil pode ir. Do espaço para o canteiro de obras, a Plantd aposta que o futuro da parede pode ser verde e crescer rápido, e que, às vezes, a próxima grande indústria começa num pé de capim.
E você, moraria numa casa com paredes feitas de capim prensado em vez de madeira? Conta pra gente nos comentários o que acha desse tipo de material para a construção.
