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Da guerra ao refrigerante: como a Fanta nasceu na Alemanha nazista

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 04/02/2026 às 13:19
Atualizado em 04/02/2026 às 13:20
A história corporativa da Fanta começou na Alemanha nazista, quando a Coca-Cola buscou sobreviver aos embargos da guerra.
Foto: IA
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A história corporativa da Fanta começou na Alemanha nazista, quando a Coca-Cola buscou sobreviver aos embargos da guerra.

ligação entre Fanta e o nazismo revela um capítulo pouco conhecido da história corporativa global.

Criado na Alemanha, durante a Segunda Guerra, o refrigerante surgiu como uma solução emergencial da Coca-Cola Alemanha para manter suas fábricas ativas em um país isolado por embargos econômicos.

O produto foi desenvolvido em 1942, dentro do Terceiro Reich, por executivos locais da companhia, como resposta direta às restrições impostas pelo conflito e à ruptura com os Estados Unidos, sede da empresa.

A iniciativa não teve caráter ideológico, mas expõe como a indústria bélica e a guerra forçaram adaptações profundas no mundo dos negócios. 

Fanta nazismo e guerra: a origem de uma bebida em tempos extremos 

Quando os Estados Unidos entraram oficialmente na Segunda Guerra, após o ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, as relações comerciais com a Alemanha foram cortadas. A Coca-Cola Alemanha, até então dependente do xarope importado da matriz americana, viu sua operação ameaçada de colapso. 

Segundo o pesquisador e escritor Mark Pendergrast, autor do livro For God, Country & Coca-Cola, o então presidente da subsidiária alemã, Max Keith, ficou em uma verdadeira “sinuca de bico”. Na época, a Coca-Cola produzia apenas um tipo de refrigerante e não compartilhava a fórmula do xarope com nenhuma filial internacional. 

Coca-Cola Alemanha: isolamento, bloqueio e adaptação 

Além do embargo comercial, havia um bloqueio físico.

Conforme explica o jornalista britânico Tristan Donovan, autor de Fizz: How Soda Shook Up the World, a Marinha britânica bloqueou o acesso da Alemanha a suprimentos estratégicos.

Com isso, a Coca-Cola Alemanha passou a operar como uma entidade quase independente, com comunicação limitada com a matriz em Atlanta. 

Sem acesso ao xarope original e com estoques se esgotando rapidamente, fabricar Coca-Cola tornou-se inviável.

Ainda assim, encerrar as operações significaria demissões em massa e o fim da presença da marca no país em plena guerra. 

Inovação forçada pela indústria bélica 

Diante do colapso iminente, Keith optou por uma saída criativa.

Reuniu químicos da empresa e propôs o desenvolvimento de uma nova bebida, produzida exclusivamente com ingredientes disponíveis em um país sob economia de guerra. 

O resultado foi um refrigerante feito a partir de sobras da indústria alimentícia: polpa e fibras de maçã, raspas de frutas, açúcar de beterraba e soro de leite.

Era um produto simples, barato e viável em meio às restrições impostas pela indústria bélica e pelo racionamento. 

Por que o nome Fanta surgiu dentro da Alemanha nazista 

Para batizar a nova bebida, Keith lançou um concurso interno.

O nome escolhido foi Fanta, derivado da palavra alemã fantasie (fantasia).

Assim, em 1942, nascia oficialmente o refrigerante que, décadas depois, se tornaria um ícone global. 

A engenheira de alimentos Tayla Danieli Lopes Dias resume o contexto: 

“A criação da Fanta não surgiu de uma estratégia planejada de expansão, mas de uma necessidade imposta pela guerra.” 

Segundo ela, a intenção era apenas manter a empresa funcionando até o fim do conflito. 

Fanta nazismo: sucesso local e uso alternativo 

Apesar da receita improvisada, a Fanta rapidamente ganhou popularidade.

Em 1943, cerca de três milhões de caixas foram vendidas na Alemanha.

Assim, além de bebida, o produto passou a ser usado como adoçante em receitas caseiras, devido à escassez de açúcar e outros insumos. 

Pós-guerra e reconhecimento interno na história corporativa 

Com o fim da Segunda Guerra, em 1945, a produção da Fanta na Alemanha foi interrompida.

Ainda assim, Max Keith foi reconhecido pela matriz americana como um executivo exemplar por ter mantido a operação ativa em condições extremas. 

“A empresa passou a ver Keith, que comandou a Coca-Cola dentro da Alemanha nazista, como um herói”, afirma Pendergrast. 

Apesar disso, o pesquisador ressalta que Keith não era membro do Partido Nazista e agiu por pragmatismo empresarial, não por alinhamento ideológico. 

Da Alemanha à Itália: a reinvenção da Fanta 

Então em 1955, a The Coca-Cola Company decidiu reaproveitar o nome Fanta para lançar, na Itália, um novo refrigerante — desta vez com sabor de laranja.

A escolha foi estratégica, já que bebidas cítricas eram populares na Europa do pós-guerra. 

Donovan destaca: 

“A Fanta foi a primeira incursão da Coca-Cola em bebidas que não eram Coca-Cola.” 

Assim, a marca deixou de ser apenas um improviso da Coca-Cola Alemanha e passou a integrar oficialmente o portfólio global da empresa. 

Uma sombra histórica que ainda gera debate 

Embora a empresa afirme que “os rumores de que a Fanta foi inventada pelos nazistas são completamente falsos”, especialistas reconhecem que o nascimento do refrigerante ocorreu dentro da Alemanha nazista, o que inevitavelmente gera questionamentos. 

Para Tayla Dias, esse passado representa um risco reputacional.

Já do ponto de vista mercadológico, o nome curto, sonoro e fácil de pronunciar ajudou a consolidar a marca mundialmente. 

Fanta hoje: sucesso global além do passado 

Atualmente, a Fanta está presente em dezenas de países, incluindo o Brasil, onde ocupa posição de destaque no mercado de refrigerantes.

Então o produto, hoje associado à diversidade de sabores e ao público jovem, mantém apenas o nome como elo com sua origem na Segunda Guerra

Veja mais em: A curiosa história da Fanta: a ligação de um dos refrigerantes preferidos do Brasil com a Alemanha durante o nazismo – BBC News Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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