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Seu quintal já atravessou milhares de quilômetros sem você perceber, e nova ferramenta mostra onde ele estava há até 320 milhões de anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 15/05/2026 às 21:12
Atualizado em 15/05/2026 às 22:12
Site mostra como seu quintal mudou de latitude em 320 milhões de anos e ajuda a entender placas, clima antigo e fósseis.
Site mostra como seu quintal mudou de latitude em 320 milhões de anos e ajuda a entender placas, clima antigo e fósseis.
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Ferramenta criada por cientistas da Universidade de Utrecht permite inserir qualquer local do planeta e acompanhar como sua latitude mudou nos últimos 320 milhões de anos, revelando a jornada invisível do chão onde hoje ficam casas, cidades e quintais

Uma nova ferramenta digital permite descobrir como o quintal de qualquer pessoa se deslocou em latitude ao longo de 320 milhões de anos, revelando a jornada de terrenos que atravessaram milhares de quilômetros antes de chegarem à posição atual no planeta.

O site paleolatitude.org foi desenvolvido por uma equipe internacional de cientistas da Terra liderada por Douwe van Hinsbergen, professor de tectônica global e paleogeografia na Universidade de Utrecht, na Holanda. A plataforma usa o Modelo Paleogeográfico de Utrecht para reconstruir o movimento das placas tectônicas desde a época do supercontinente Pangeia.

Ao inserir um local no site, o usuário visualiza um gráfico no lado esquerdo da tela. A linha azul mostra como a latitude daquele ponto mudou ao longo de milhões de anos, com a idade indicada no eixo horizontal e a latitude no eixo vertical.

A ferramenta não mostra alterações de longitude, ligadas ao deslocamento de leste a oeste, nem apresenta uma animação do ponto viajando pelo mundo. Mesmo assim, permite acompanhar como um lugar avançou para o norte ou para o sul durante a história profunda da Terra.

Quintal pode revelar viagem desde a Pangeia

Entre cerca de 320 milhões e 200 milhões de anos atrás, a América do Norte era contígua à África, à América do Sul e à Europa. Esses blocos formavam Pangeia, um único continente que antecedeu a configuração atual do mapa-múndi.

Depois, uma fissura de três pontas separou África, América do Sul e América do Norte. Esse processo criou uma zona de fenda vulcânica, com erupções poderosas provocadas pela passagem de magma através da crosta enfraquecida.

As erupções lançaram cinzas e detritos vulcânicos enquanto os continentes se afastavam. As lacunas abertas entre eles deram origem à bacia do Atlântico, que continuou se ampliando ao longo de milhões de anos.

Van Hinsbergen afirmou ao Gizmodo que foram necessários 10 anos de trabalho para criar a ferramenta. A expectativa do pesquisador é que o paleolatitude.org desperte interesse pela paleogeografia e ajude estudos em diferentes áreas científicas.

Modelo foi refinado com regiões deformadas

Há uma década, van Hinsbergen e seus colegas já haviam criado uma reconstrução tectônica para as principais placas. O modelo, porém, não incluía regiões intensamente deformadas, como Caribe, Himalaia e Mediterrâneo.

Essas áreas guardam relíquias de placas que existiram na superfície da Terra, mas entraram no manto. A nova reconstrução detalha essas regiões e permite relacionar rochas às placas onde se formaram originalmente.

Com isso, pesquisadores podem rastrear as viagens latitudinais dessas rochas pelo tempo profundo. O quintal atual de uma cidade, portanto, pode ter ocupado uma posição climática muito diferente no passado.

Ferramenta ajuda clima antigo e fósseis

A plataforma deve auxiliar paleoclimatologistas, que reconstroem climas antigos usando amostras geológicas. Como a latitude influencia o ângulo dos raios solares e o clima regional, localizar rochas no passado é essencial.

Na Holanda, geocientistas de Utrecht estudam características de 245 milhões de anos associadas a um clima semelhante ao atual Golfo Pérsico, com deserto próximo ao mar tropical.

A ferramenta também pode ajudar paleontólogos a analisar biodiversidade, extinções e refúgios em diferentes latitudes. Van Hinsbergen espera criar mapas que mostrem espécies fossilizadas em relação aos continentes em movimento.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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