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Sem tratado nuclear em vigor pela primeira vez em mais de meio século, EUA e Rússia ficam livres para ampliar arsenais e ONU alerta para o mais novo e perigoso período da história

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 10/02/2026 às 21:38
Atualizado em 10/02/2026 às 21:40
Base militar com mísseis estratégicos dos EUA e da Rússia posicionados sob bandeiras nacionais, simbolizando risco iminente de nova corrida nuclear global
Mísseis estratégicos norte-americanos e russos permanecem posicionados em base militar enquanto o fim do Novo START aumenta o alerta sobre segurança nuclear global.
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A expiração do Novo START elimina limites estratégicos, amplia riscos globais e reacende temores de uma nova corrida armamentista nuclear no século XXI

O sistema internacional entrou, recentemente, em uma fase crítica de instabilidade nuclear, o que preocupa líderes globais e especialistas em segurança. Em 5 de fevereiro, o principal tratado de controle de armas nucleares entre Rússia e Estados Unidos expirou sem renovação ou substituição, abrindo um perigoso vácuo regulatório.

Desde então, analistas avaliam que a ausência de limites formais permite a reconstrução acelerada de arsenais nucleares estratégicos, alterando profundamente o equilíbrio da segurança internacional e elevando riscos de escalada global.

Tratado Novo START limitava armas nucleares estratégicas

O Tratado Novo START funcionou, durante mais de uma década, como o principal pilar do controle nuclear bilateral entre Moscou e Washington. Assim, o acordo estabeleceu regras técnicas verificáveis, reduzindo incertezas e fortalecendo a previsibilidade estratégica.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o tratado limitava 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas, além de até 800 lançadores estratégicos, entre ativos e não ativos, criando um teto claro para ambos os países.

Regras operacionais reduziram riscos de escalada

Além disso, o Novo START restringia até 700 mísseis balísticos lançados por submarinos ou bombardeiros pesados. Dessa forma, cada bombardeiro com capacidade nuclear era contabilizado no total final, eliminando brechas interpretativas.

Com isso, os mecanismos de verificação impediram distorções estratégicas, facilitaram inspeções e ajudaram a conter decisões unilaterais potencialmente desestabilizadoras.

Cronologia do acordo e cumprimento dos limites

O tratado entrou em vigor em 5 de fevereiro de 2011. Conforme previsto, até 5 de fevereiro de 2018, Rússia e Estados Unidos atingiram integralmente os limites estabelecidos. Desde então, mantiveram seus arsenais dentro ou abaixo dos tetos acordados.

Agora, com o fim oficial do acordo em fevereiro de 2026, esse sistema de contenção deixou de existir, criando um cenário inédito nas últimas décadas.

Especialistas alertam para acúmulo nuclear descontrolado

Diante desse cenário, a Nuclear Threat Initiative advertiu, em relatório recente, que o mundo pode entrar em “um período de potencial acúmulo nuclear desenfreado”. Além disso, a entidade destacou que a nova corrida armamentista tende a ser mais complexa que a da Guerra Fria.

Esse risco aumenta, especialmente, devido à expansão do arsenal nuclear da China e à incorporação de tecnologias emergentes com alto poder desestabilizador, fatores que elevam a imprevisibilidade estratégica.

ONU vê momento grave para a segurança internacional

Nesse contexto, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, alertou que o mundo vive “um momento grave para a paz e a segurança internacionais”, conforme declaração publicada pelo The Guardian.

Segundo Guterres, pela primeira vez em mais de meio século, não existem limites juridicamente vinculantes para os arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares do planeta, o que amplia os riscos globais.

O secretário-geral também ressaltou que o Novo START e acordos semelhantes melhoraram drasticamente a segurança global, e que sua dissolução ocorre no pior momento possível, quando o risco de uso de armas nucleares é o maior em décadas.

Rússia e Estados Unidos concentram 80% das armas nucleares

Dados citados pelo The Guardian indicam que Rússia e Estados Unidos controlam cerca de 80% de todas as armas nucleares existentes no mundo. Assim, qualquer mudança estratégica entre os dois países impacta diretamente toda a comunidade internacional.

China entra no centro do debate sobre novo acordo

Apesar do cenário crítico, em 4 de fevereiro, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o presidente Donald Trump pretende retomar negociações por um novo acordo de controle nuclear.

Segundo Rubio, não é possível um controle eficaz no século XXI sem a inclusão da China, considerando o crescimento acelerado de seu estoque nuclear, o que adiciona uma nova camada de complexidade ao debate global.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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