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Pesquisadores dos EUA, Austrália, Alemanha e França identificaram uma nova estrela “quase pura” encontrada a 200 mil anos-luz que pode revelar como nasceu o Universo: A raríssima SDSS J0715-7334 é formada por cerca de 99,995% de hidrogênio e hélio e pode ser descendente direta das primeiras estrelas após o Big Bang

Publicado em 29/05/2026 às 17:49
Atualizado em 29/05/2026 às 17:53
A nova estrela foi identificada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã de formato irregular que gira ao redor da Via Láctea e está localizada entre 160 mil e 200 mil anos-luz da Terra. (Imagem: NASA)
A nova estrela foi identificada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã de formato irregular que gira ao redor da Via Láctea e está localizada entre 160 mil e 200 mil anos-luz da Terra. (Imagem: NASA)
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Conheça a SDSS J0715-7334, a estrela recordista em pureza que pode ser a descendente direta dos primeiros astros do cosmos. Saiba como ela foi descoberta.

Pesquisadores identificaram uma estrela extraordinária que funciona como uma verdadeira “cápsula do tempo” química, revelando detalhes sobre o estado do Universo logo após o Big Bang. Batizada de SDSS J0715-7334, a descoberta foi detalhada pelos pesquisadores Alexander P. Ji e Kevin C. Schlaufman em um estudo que aponta o objeto como a provável “filha” das primeiras estrelas da história (chamadas de População III).

Localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 160 mil a 200 mil anos-luz da Terra, ela se destaca por ser composta quase inteiramente por hidrogênio e hélio, preservando uma pureza raríssima em astros mais jovens.

A importância do achado reside no fato de que as estrelas originais eram massivas e morriam rapidamente, tornando impossível observá-las hoje. Assim, encontrar uma descendente direta com baixíssima concentração de elementos pesados é a forma mais próxima que a astronomia atual tem de estudar as origens do cosmos.

A pureza recorde da SDSS J0715-7334

Um dos pontos mais impactantes da pesquisa é a comparação entre a química desta estrela antiga e o nosso Sol. Enquanto o Sol é um astro jovem, enriquecido por várias gerações de explosões estelares, a SDSS J0715-7334 possui uma quantidade ínfima de “poluição” metálica.

Para entender a diferença, veja os dados de composição:

  • Sol (População I): Possui cerca de 1,3% de elementos pesados em sua massa total.
  • SDSS J1029+1729 (Recordista anterior): Tinha metade da pureza da nova descoberta.
  • SDSS J0715-7334 (Nova descoberta): Contém apenas 0,005% da quantidade de elementos pesados do Sol.
  • Elementos primordiais: Formada por aproximadamente 99,995% de hidrogênio e hélio.

Segundo Alexander P. Ji, a falta quase total de carbono sugere que apenas uma “aspersão precoce de poeira cósmica” participou da sua criação, logo após a explosão de uma única supernova ancestral.

O processo de formação na infância cósmica

A estrutura da estrela SDSS J0715-7334 conta a história de um evento ocorrido centenas de milhões de anos após o Big Bang. Naquele período, o espaço contava apenas com os elementos básicos formados nos primeiros três minutos da existência do Universo.

Comparação entre a trajetória da estrela ancestral e a órbita da Grande Nuvem de Magalhães, evidenciando a ligação entre os dois corpos celestes. (Imagem: Vedant Chandra e colaboração SDSS)
Comparação entre a trajetória da estrela ancestral e a órbita da Grande Nuvem de Magalhães, evidenciando a ligação entre os dois corpos celestes. (Imagem: Vedant Chandra e colaboração SDSS)

A narrativa científica para o nascimento deste astro segue uma ordem lógica: primeiro, uma estrela gigante da População III explodiu, forjando elementos como ferro e oxigênio.

Em seguida, esses novos materiais “contaminaram” uma nuvem de gás que era quase 100% pura. Do colapso dessa nuvem levemente modificada, surgiu a SDSS J0715-7334, que por ser pequena e queimar combustível lentamente, conseguiu sobreviver até ser observada em 2026.

Tecnologia e localização da descoberta

O estudo foi realizado com o auxílio do telescópio Magellan Clay, no Observatório Las Campanas, no Chile. Os cientistas utilizaram um espectrógrafo de alta resolução para “fatiar” a luz da estrela e identificar a abundância de substâncias como alumínio e ferro.

A localização do astro também é estratégica: a Grande Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã irregular que orbita a nossa. De acordo com Kevin Schlaufman, o fato de a órbita da estrela estar conectada a essa galáxia vizinha ajuda a entender como o enriquecimento químico aconteceu fora da Via Láctea.

A nova estrela foi identificada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã de formato irregular que gira ao redor da Via Láctea e está localizada entre 160 mil e 200 mil anos-luz da Terra. (Imagem: NASA)
A nova estrela foi identificada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã de formato irregular que gira ao redor da Via Láctea e está localizada entre 160 mil e 200 mil anos-luz da Terra. (Imagem: NASA)

Com informações da Nature

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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