O satélite SWOT, uma parceria entre a NASA e a agência espacial francesa CNES, capturou pela primeira vez imagens de alta resolução de um tsunami de grandes proporções visto do espaço. O registro aconteceu em 29 de julho de 2025, quando um terremoto de magnitude 8.8 na zona de subducção Kuril-Kamchatka, no extremo leste da Rússia, gerou ondas que se espalharam por todo o Oceano Pacífico. A descoberta foi publicada na revista The Seismic Record em abril de 2026.
O SWOT passou pelo local no momento exato do tsunami por coincidência, e o que registrou mudou o entendimento científico sobre como essas ondas se comportam. A teoria clássica da oceanografia tratava tsunamis como ondas simples que viajam de forma linear e previsível. As imagens do satélite mostraram o oposto: um padrão “trançado” e complexo de energia que se dispersa e se espalha por centenas de quilômetros, dividindo-se em ondas principais e secundárias com velocidades diferentes.
Enquanto as boias DART, sensores de pressão instalados no fundo do mar, fornecem dados precisos em pontos isolados, o satélite SWOT mapeia uma faixa de 120 quilômetros de largura de uma só vez. Isso permitiu aos cientistas ver a geometria completa da onda evoluindo no espaço e no tempo, algo que nenhum instrumento havia conseguido antes.
O que isso muda na prática para a segurança costeira?

A descoberta tem consequências diretas para a previsão de tsunamis. Os simuladores matemáticos usados atualmente para alertas costeiros podem estar subestimando a variabilidade da energia que chega ao litoral.
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A dispersão das ondas pode modular a força com que o tsunami atinge um porto ou uma praia de formas que os modelos atuais não conseguem prever.
Modelos que ignoram esse comportamento dispersivo falharam em replicar os padrões capturados pelo SWOT.
Segundo o autor principal do estudo, Angel Ruiz-Angulo, da Universidade da Islândia, os dados do satélite funcionam como “um novo par de óculos” para a ciência.
Ele ressaltou que, embora a latência dos dados de satélite ainda seja um obstáculo para alertas em tempo real (o processamento completo leva de 5 a 10 dias), o evento de Kamchatka prova que a altimetria espacial é essencial para refinar as previsões futuras.
Os dados também permitiram corrigir o modelo do próprio terremoto.
Estimativas iniciais apontavam uma ruptura de 300 quilômetros ao longo da falha, mas a análise combinada dos dados do SWOT e das boias DART mostrou que o terremoto se estendeu por cerca de 400 quilômetros.
O estudo revelou que o evento reativou porções da mesma megafalha que rompeu no terremoto histórico de 1952, mas em águas mais profundas, o que explica por que o tsunami de 2025, embora gigante, foi menos destrutivo.
O satélite SWOT foi lançado em dezembro de 2022 com o objetivo principal de mapear a topografia da superfície dos oceanos e das águas continentais.
Sua tecnologia de interferometria radar permite medir variações de altura na superfície da água com precisão de centímetros, cobrindo áreas que os satélites anteriores simplesmente não conseguiam.
A captura do tsunami de Kamchatka não estava planejada, mas demonstrou uma aplicação que pode transformar a forma como a humanidade monitora desastres naturais nos oceanos.
Pela primeira vez, a ciência viu um tsunami do espaço com resolução suficiente para entender o que realmente acontece entre o terremoto e a onda que chega à costa.
Comenta aí: você sabia que os modelos de alerta de tsunami podem estar errados?
