Projeto bilionário avança em São Paulo com operação assistida, estações profundas, túneis escavados por tatuzões e promessa de reduzir drasticamente o tempo de viagem entre Brasilândia e São Joaquim, em uma das obras mais importantes da mobilidade urbana paulista.
O Governo de São Paulo iniciou nesta quinta-feira (02) a operação assistida do primeiro trecho da Linha 6-Laranja do metrô, projeto de R$ 19 bilhões apontado pela gestão estadual como a maior obra de mobilidade urbana em implantação na América Latina.
Nesta etapa inicial, o serviço terá seis estações, entre João Paulo I e Perdizes, com acesso gratuito, horário reduzido e funcionamento voltado ao acompanhamento técnico antes da ampliação da operação.
Quando estiver totalmente concluída, a linha terá 15,3 quilômetros, 15 estações, 22 trens e capacidade estimada para transportar cerca de 633 mil passageiros por dia na capital paulista.
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Entre Brasilândia e São Joaquim, o trajeto previsto pelo governo deve cair para 23 minutos, substituindo um deslocamento que atualmente pode levar aproximadamente 1h30 de ônibus.
Primeiro trecho da Linha 6-Laranja terá seis estações
A fase inicial reúne as estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes, formando o primeiro segmento liberado ao público.
Durante a operação assistida, os trens circularão de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa e com intervalo previsto de 13 minutos.
No modelo de parceria público-privada, a concessão da Linha 6-Laranja envolve execução e operação vinculadas à Linha Universidade, responsável pelo empreendimento.
Paralisadas em 2016, as obras foram retomadas em 2020, após a entrada de uma nova concessionária no projeto e a reorganização da implantação.
Segundo a Agência SP, a construção mobilizou cerca de 11 mil empregos diretos ao longo das frentes de trabalho abertas para a nova linha.
Além de encurtar viagens diárias, o ramal deve melhorar a integração entre bairros da zona norte, zona oeste e região central, áreas com forte demanda por transporte coletivo.
Tatuzões marcaram avanço dos túneis do metrô
Na etapa subterrânea, a obra ganhou destaque pelo uso de duas tuneladoras, equipamentos de grande porte conhecidos popularmente como “tatuzões”.
Enquanto avançam pelo subsolo, essas máquinas escavam os túneis e instalam o revestimento estrutural que sustenta a passagem futura das composições do metrô.
Uma das tuneladoras recebeu o nome de Maria Leopoldina, homenagem associada à imperatriz do Brasil durante o período da independência.
Com cerca de 2 mil toneladas, 109 metros de comprimento e 10,6 metros de diâmetro de escavação, o equipamento percorreu aproximadamente 8,9 quilômetros entre a região da Marginal Tietê e a Estação São Joaquim.
Em fevereiro de 2025, o Tatuzão Sul concluiu a escavação do trecho sul, encerrando uma das fases mais complexas da implantação subterrânea.
Meses antes, em outubro de 2024, a máquina havia registrado a marca de 41,3 metros escavados em 24 horas, recorde destacado pelo governo estadual.
Dos cerca de 15 quilômetros de via, praticamente 13 quilômetros foram executados com tuneladoras, solução adotada nos trechos mais extensos do traçado.
Também foram usados outros métodos construtivos, como o NATM, sigla em inglês para Novo Método Austríaco de Tunelamento, além de trechos feitos em vala a céu aberto.
Trens da Linha 6 terão capacidade para 2.044 passageiros
Para a operação completa, a frota prevista da Linha 6-Laranja será formada por 22 composições, dimensionadas para atender a alta demanda diária do eixo.
Cada trem poderá transportar até 2.044 passageiros e atingir velocidade máxima de 90 km/h, embora a circulação comercial deva ocorrer a até 80 km/h.
Outro ponto relevante do projeto está na profundidade das estações, característica que coloca parte da Linha 6 entre as estruturas mais profundas do sistema paulistano.
Incluída no primeiro trecho, Água Branca terá 47,8 metros de profundidade e passará a figurar entre as estações mais fundas do metrô de São Paulo.
Com a conclusão do traçado, a Estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado deve chegar a 65 metros de profundidade, superando referências como Santa Cruz, da Linha 5-Lilás.
Linha 6-Laranja promete reduzir tempo de deslocamento
A implantação integral da Linha 6-Laranja deve mudar a rotina de passageiros que hoje dependem de ônibus para percorrer longos trechos da capital.
Pela previsão oficial, a redução no tempo de viagem pode aliviar deslocamentos diários, diminuir a pressão sobre o trânsito e contribuir para menor emissão de poluentes.
Nesse primeiro momento, porém, a operação assistida terá alcance limitado, com circulação controlada e acompanhamento dos sistemas antes da expansão plena do serviço.
Esse período permite testar equipamentos, ajustar procedimentos e observar o funcionamento das estações em condições reais, mas ainda sem a rotina da operação comercial completa.
Com investimento bilionário, túneis escavados por máquinas de grande porte e promessa de cortar mais de uma hora no trajeto entre Brasilândia e São Joaquim, a Linha 6-Laranja conseguirá mudar a forma como parte da população se desloca por São Paulo?
