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Elas dirigem trens de 1,1 km e caminhões fora de estrada: em 6 anos a Vale aumentou em 109% as mulheres na mineração, bateu a meta 1 ano antes do prazo e chegou a 45% de contratações femininas em 2025

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 02/07/2026 às 21:33 Atualizado em 02/07/2026 às 21:35
Mulheres na mineração: Vale aumentou em 109% o quadro feminino desde 2019, bateu a meta 1 ano antes e chegou a 45% das contratações em 2025
Mulheres na mineração: Vale aumentou em 109% o quadro feminino desde 2019, bateu a meta 1 ano antes e chegou a 45% das contratações em 2025
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De operadoras de caminhão gigante a gerentes de mina com 310 pessoas no time, a força de trabalho feminina da maior mineradora do Brasil mais que dobrou desde 2019, e mudou a cara de um dos setores mais masculinos da economia

As mulheres na mineração deixaram de ser exceção dentro da maior mineradora do Brasil. Desde 2019, a Vale aumentou em 109% o número de funcionárias, segundo a Vale informa em suas páginas oficiais, e chegou a 2025 com 28% do quadro formado por mulheres, muitas delas operando os equipamentos mais pesados que existem numa mina, de caminhões fora de estrada a trens de mais de 1 quilômetro de comprimento.

Segundo a Vale, a empresa prometeu em 2019 dobrar a presença feminina, saindo de 13% para 26% do quadro até 2025, e cumpriu a meta em 2024, com 1 ano de antecedência. Hoje, 28% da força de trabalho é feminina, 23% dos cargos de alta liderança são ocupados por mulheres e 45% de todas as contratações feitas em 2025 foram de profissionais mulheres.

A meta que parecia impossível: dobrar a presença feminina num setor de homens

Quando o compromisso foi assumido, em 2019, as mulheres na mineração eram raridade estatística, e a régua de partida da companhia confirmava: apenas 13% dos empregados eram mulheres. Prometer o dobro em 6 anos soava como meta de discurso, não de planilha.

O resultado veio antes do combinado: a marca de 26% foi atingida em 2024, 1 ano antes do prazo, conforme a Vale registra na página oficial Mulheres na Vale. E o movimento não parou na porta de entrada: o índice seguiu subindo até os 28% atuais, com quase metade das vagas abertas em 2025 preenchidas por mulheres.

Para um setor que movimenta bilhões e emprega dezenas de milhares de pessoas em estados como Minas Gerais, Pará, Espírito Santo e Maranhão, essa virada estatística significa milhares de postos de trabalho qualificados chegando a um público que historicamente ficava do lado de fora da cancela da mina. As mulheres na mineração saíram do rodapé dos relatórios de diversidade para o centro do planejamento de mão de obra.

Quem são as mulheres que operam os gigantes da mina

A estatística ganha rosto na websérie Mineração Por Elas, mantida pela companhia, que perfila as profissionais por trás dos números. Rosilane Duarte opera caminhão fora de estrada, aquele colosso de mineração cuja roda passa da altura de um adulto. Josiane Dias dirige caminhão nas operações, Evanielly Heredia conduz equipamentos móveis e Thaís Araujo atua como eletricista no coração das plantas industriais.

São exatamente as funções que, por décadas, foram tratadas como território exclusivo de homens, e que agora aparecem na vitrine oficial da empresa com nome, sobrenome e crachá feminino. A lista segue por todas as camadas técnicas: Kelly Silva e Silvia Cristina do Carmo operam equipamentos e instalações, e Kamylle Santos se tornou a primeira técnica de geoprocessamento a atuar nos portos da companhia.

Não se trata de um projeto de imagem com meia dúzia de casos isolados. Segundo a Vale, as mulheres hoje estão presentes em todos os setores da operação, da manutenção ferroviária à liderança de mina, passando pela operação de equipamentos de grande porte.

Um trem de 1,1 km e 110 vagões sob o comando de uma engenheira

Composição ferroviária de carga com dezenas de vagões de minério cruza a paisagem, do tipo que engenheiras e maquinistas conduzem na rotina da mineração.
Composição ferroviária de carga com dezenas de vagões de minério cruza a paisagem, do tipo que engenheiras e maquinistas conduzem na rotina da mineração.

Entre os perfis da websérie Mineração Por Elas, um dá a medida exata do tamanho da responsabilidade: Marcely Lima, engenheira de pátio ferroviário e líder de segurança, trabalha com uma composição de 1,1 quilômetro de extensão e 110 vagões carregados de minério.

Para visualizar a escala: um trem desses, parado, ocupa o equivalente a 11 quarteirões de 100 metros enfileirados. Qualquer decisão errada de frenagem, velocidade ou acoplamento envolve milhares de toneladas em movimento. É engenharia pesada em estado puro, e é uma mulher quem responde por ela.

Na websérie, Marcely resume a lição que virou slogan involuntário do programa: mulheres podem estar onde quiserem estar. A frase, dita por quem comanda 110 vagões de minério, deixa de ser palavra de ordem e vira constatação de rotina.

Da operação à chefia: 310 pessoas sob o comando de uma gerente de mina

Operadora observa caminhão fora de estrada de grande porte em mina a céu aberto, cenário onde a presença feminina mais cresceu nos últimos anos.
Operadora observa caminhão fora de estrada de grande porte em mina a céu aberto, cenário onde a presença feminina mais cresceu nos últimos anos.

O avanço não ficou restrito à base operacional. Segundo a Vale, Kilma Cunha gerencia uma operação de mina com 310 empregados sob sua responsabilidade, Heloísa Oliveira é gerente executiva do Complexo de Mariana, em Minas Gerais, e Gabriela Castro comanda a manutenção de equipamentos de mina, uma das áreas tecnicamente mais críticas da operação.

No topo da pirâmide, a sul-africana Deshnee Naidoo chegou à vice-presidência executiva de Metais Básicos da companhia. Hoje, 23% dos cargos de alta liderança da mineradora são ocupados por mulheres, um número que muda a régua de todo o mercado de trabalho do setor mineral, porque quem lidera contrata, promove e define o padrão das próximas gerações.

O funil virou: 45% das contratações de 2025

Se a foto atual impressiona, o filme é ainda mais revelador. Segundo a Vale, 45% de todas as contratações feitas pela empresa em 2025 foram de mulheres, quase o dobro da proporção que elas ocupavam no quadro total em 2019.

O funil de entrada foi redesenhado para isso. A companhia mantém portas específicas de acesso, como o Programa de Formação Profissional, o Jovem Aprendiz, o programa de estágio e o trainee de engenharia, que alimentam as operações com profissionais formadas dentro da própria cultura da empresa. É por essas esteiras que chegam as futuras operadoras de caminhão fora de estrada e as próximas gerentes de mina.

O programa que já colocou 2.100 mulheres na fila da promoção

Contratar é só metade do jogo; a outra metade é fazer carreira andar. Segundo a Vale, o programa #SomosÚnicas, voltado ao desenvolvimento profissional feminino, já reúne mais de 2.100 mulheres inscritas, combinando trilhas de aprendizado estruturado, redes de apoio e aplicação prática no ambiente de trabalho.

O resultado mais concreto: 35% das participantes do programa já registraram progressão de carreira. Num setor em que a promoção historicamente dependia de redes informais dominadas por homens, criar uma esteira formal de desenvolvimento é o tipo de engrenagem que transforma estatística de entrada em estatística de comando.

O que precisou mudar dentro das minas

Colocar milhares de mulheres em minas, ferrovias e portos exigiu mexer na infraestrutura física e na cultura. Segundo a Vale, as unidades passaram a contar com instalações adaptadas e equipamentos de proteção individual desenhados para o corpo feminino, detalhe que parece pequeno, mas que definia na prática quem conseguia ou não trabalhar numa área operacional.

No campo do comportamento, a companhia mantém política de tolerância zero a assédio e discriminação, sustentada pelo programa Assédio Não e por um canal independente de denúncias. Sem esse alicerce, nenhuma meta de contratação sobrevive ao primeiro turno de trabalho.

Por que as mulheres na mineração mexem com todo o mercado de trabalho

O peso do movimento vai além dos muros de uma empresa. A Vale é signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres e participa de iniciativas como o Women in Mining e o Movimento Mulher 360, que espalham as mesmas práticas por fornecedores, contratadas e concorrentes.

Quando a maior mineradora do país passa a contratar 45% de mulheres e a exibir operadoras de equipamentos de grande porte em sua vitrine institucional, o efeito cascata alcança o mercado de trabalho inteiro da cadeia mineral, das empresas de manutenção às transportadoras, que precisam disputar e reter esse novo perfil de profissional.

O próximo horizonte passa por 2030

A régua segue subindo: a companhia trabalha com o horizonte de dobrar a representatividade feminina até 2030, aprofundando um ciclo que começou como promessa em 2019 e virou vantagem competitiva. Cada turma nova do Programa de Formação Profissional e cada promoção saída do #SomosÚnicas empurram o número adiante.

A mina, o trem e o caminhão gigante continuam os mesmos; quem mudou foi a mão na alavanca. Se em 6 anos a presença feminina mais que dobrou dentro da maior mineradora do Brasil, o que impede o resto da indústria pesada brasileira de fazer o mesmo? Deixa tua opinião nos comentários: o setor onde você trabalha já passou por essa virada?

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