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Santander demite gerentes de atendimento em todo o Brasil, pega bancários de surpresa e sindicato acusa banco de cortar cargos sem negociação às vésperas da campanha salarial

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 06/06/2026 às 18:43
Atualizado em 06/06/2026 às 18:47
Santander demite gerentes de atendimento no Brasil; sindicatos cobram suspensão dos cortes e negociação antes da campanha salarial.
Santander demite gerentes de atendimento no Brasil; sindicatos cobram suspensão dos cortes e negociação antes da campanha salarial.
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Demissões de gerentes de atendimento no Santander provocaram reação sindical em diferentes regiões do país e ampliaram cobranças ao banco em meio à preparação da campanha salarial dos bancários de 2026, com pedidos de explicações formais, suspensão dos desligamentos e negociação prévia.

O Santander passou a ser cobrado por entidades sindicais após relatos de demissões de Gerentes de Atendimento da área de varejo em diferentes regiões do país, em um movimento que atingiu principalmente trabalhadores vinculados ao cargo de Especialista de Atendimento.

Diante das informações recebidas, a Comissão de Organização dos Empregados do Santander pediu a suspensão imediata dos desligamentos e solicitou explicações formais à direção do banco sobre o alcance da medida.

A reação ocorreu depois que a representação dos trabalhadores recebeu relatos sobre desligamentos realizados em 2 de junho de 2026, conforme comunicados divulgados por entidades ligadas à categoria bancária.

Segundo a Fetec-CUT/SP, os cortes foram registrados em diferentes localidades e passaram a ser tratados pela entidade como uma pauta nacional, por envolverem empregados de uma instituição financeira com atuação em várias regiões do Brasil.

Cobrança por suspensão das demissões no Santander

Em manifestação encaminhada à direção do banco em 3 de junho de 2026, a COE Santander cobrou a interrupção do processo e a abertura de diálogo com os representantes dos trabalhadores.

No mesmo documento, a entidade pediu esclarecimentos sobre a situação dos empregados afetados e sobre eventual reorganização de cargos na rede de agências.

Para os sindicatos, o principal ponto de questionamento está na ausência de negociação prévia antes das dispensas.

Representantes dos empregados afirmam que o tema já havia sido levado ao banco em maio de 2026, quando surgiram rumores sobre a possível extinção da função de Especialista de Atendimento.

Na reunião citada pelas entidades, conforme relato sindical, o negociador do Santander teria negado a existência de um processo de extinção do cargo.

Ainda segundo a Fetec-CUT/SP, a resposta apresentada na ocasião indicava que eventuais movimentações seriam pontuais, versão que passou a ser questionada após relatos de desligamentos em diferentes localidades.

Cargo de Especialista de Atendimento já era acompanhado por sindicatos

A função de Especialista de Atendimento vinha sendo monitorada pela representação dos empregados por causa de dúvidas sobre sua permanência dentro das agências.

Esse cargo está ligado à rotina do varejo bancário, área que concentra atendimento a clientes, execução de procedimentos internos e apoio a demandas operacionais nas unidades.

Com a comunicação das dispensas, sindicatos passaram a questionar se os desligamentos fazem parte de uma mudança estrutural na rede ou se correspondem a decisões isoladas.

Até a divulgação das manifestações sindicais consultadas, não havia sido localizado posicionamento público formal do Santander detalhando os motivos dos cortes ou a abrangência do processo.

Em manifestação divulgada pela Fetec-CUT/SP, a coordenadora da COE Santander, Ana Marta Lima, afirmou que o banco precisa esclarecer o que está acontecendo e suspender os desligamentos.

A dirigente também relacionou a cobrança ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a participação sindical em dispensas coletivas.

Entendimento do STF sobre dispensa coletiva entra no debate

O Supremo Tribunal Federal fixou, no Tema 638 de repercussão geral, que a intervenção sindical prévia é exigência procedimental indispensável para dispensas em massa.

Esse entendimento não estabelece necessidade de autorização do sindicato nem obriga a celebração de acordo coletivo para a efetivação das dispensas.

A tese passou a ser citada por entidades de trabalhadores em discussões sobre cortes que atingem grupos de empregados em diferentes unidades ou localidades.

No caso do Santander, sindicatos afirmam que os relatos de desligamentos em várias regiões exigem transparência e negociação com a representação dos bancários.

A cobrança inclui pedidos de informações sobre critérios, impacto nas unidades e eventual alteração permanente no desenho das funções, além da contestação às demissões comunicadas.

A discussão ocorre às vésperas da Campanha Nacional dos Bancários de 2026, período em que trabalhadores e bancos costumam negociar reivindicações relacionadas a emprego, remuneração, condições de trabalho e negociação coletiva.

Para as entidades da categoria, demissões realizadas nesse período tornam o tema parte da agenda de mobilização nacional dos bancários.

Impacto das demissões nas agências bancárias

As entidades sindicais afirmam que mudanças em cargos de atendimento podem afetar os profissionais desligados e também empregados que permanecem nas unidades.

Entre as preocupações citadas pelos representantes dos trabalhadores estão a redistribuição de tarefas, o aumento de demanda e a reorganização de equipes em agências que passam por mudanças no modelo de atendimento.

No setor bancário, alterações na rede física costumam interferir na rotina de trabalho, já que as agências concentram metas comerciais, atendimento presencial, suporte a clientes e uso de sistemas internos.

Por esse motivo, segundo sindicatos, qualquer mudança em funções ligadas à linha de frente deve ser discutida com as representações dos empregados.

A Fetec-CUT/SP também relacionou o episódio ao contexto mais amplo de reestruturações no banco.

Em maio de 2026, o Sindicato dos Bancários de São Paulo citou dados das demonstrações financeiras do Santander segundo os quais a instituição encerrou 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025, além de 63 unidades no primeiro trimestre de 2026.

Os números foram usados pelas entidades sindicais para reforçar a cobrança por informações sobre o futuro da rede e dos empregos no banco.

Apesar desse contexto, os comunicados sobre os Gerentes de Atendimento mantêm o foco na suspensão das dispensas, na explicação formal sobre os desligamentos e no respeito ao diálogo com a representação dos trabalhadores.

Pressão sindical por resposta formal do banco

Até a divulgação das manifestações sindicais consultadas, a COE Santander aguardava resposta formal da instituição financeira.

A entidade afirmou que continuará acompanhando os casos e adotando medidas para defender empregos, negociação coletiva e direitos dos trabalhadores atingidos pelos desligamentos.

A cobrança ao Santander ocorre porque a instituição tem presença nacional e atua em diferentes segmentos do mercado financeiro brasileiro.

Quando decisões internas envolvem empregados de atendimento em várias regiões, o tema passa a integrar a pauta das entidades sindicais da categoria, especialmente em período de campanha salarial.

O principal ponto de divergência apontado pelos sindicatos está na informação atribuída ao banco em reunião anterior, quando teria sido negada a extinção do cargo, e nos relatos posteriores de desligamentos em escala nacional.

Para as entidades, essa sequência exige esclarecimento objetivo sobre a dimensão da medida e sobre o futuro da função nas agências.

A categoria deve acompanhar os próximos desdobramentos a partir das respostas do Santander e das ações das entidades sindicais.

Para os trabalhadores afetados, a cobrança central permanece concentrada em transparência, negociação prévia quando aplicável e garantia de direitos durante o processo de desligamento.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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