Com saldo migratório positivo de 354 mil entre 2017 e 2022, Santa Catarina atrai trabalhadores, aposentados e imigrantes, puxada por emprego e segurança. Mas o fluxo pressiona aluguel, serviços públicos e trânsito, e o Censo apontou crescimento de favelas no litoral, especialmente perto de Florianópolis e Itajaí nos últimos anos.
Santa Catarina vive um movimento que já mudou a paisagem humana de praias, centros urbanos e cidades médias: milhares chegam em busca de trabalho, segurança e rotina mais estável. O estado virou promessa de recomeço, mas a conta aparece rápido para quem chega sem rede de apoio e para quem já mora aqui e sente a pressão no dia a dia.
O contraste está no centro dessa corrida migratória: ao mesmo tempo em que Santa Catarina acumula indicadores que atraem gente do país inteiro, o custo de vida alto e o gargalo habitacional empurram parte dos recém-chegados para situações precárias, com impacto direto em saúde, educação, assistência social e mobilidade.
O que puxa tanta gente para Santa Catarina

Um dos motores mais citados para a escolha de Santa Catarina é o mercado de trabalho.
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A explicação recorrente é objetiva: o estado é apontado como o de menor taxa de desemprego do Brasil, com maior formalidade e maior salário médio, combinação que funciona como ímã para quem saiu de regiões com poucas oportunidades.
Esse fluxo não é homogêneo. Há famílias que vêm “para trabalhar” e aceitam empregos em comércio, praia, obra e serviços, e há aposentados que buscam clima, sensação de segurança e cidade mais calma no litoral.
O mesmo estado abriga projetos de vida muito diferentes, e isso ajuda a entender por que a migração não tem um único perfil.
Custo de vida alto e a armadilha da moradia
A promessa de emprego vem acompanhada de um aviso que se repete nas falas: o custo de vida em Santa Catarina é alto, especialmente nas áreas turísticas e no entorno das regiões mais disputadas.
Quem chega contando só com o “trabalho tem” pode se deparar com aluguel caro, deslocamento longo e gastos fixos que comem o salário.
Esse choque pesa mais quando a mudança é feita sem planejamento. Há relatos de pessoas chegando já pedindo abrigo, orientação, passagem, ou tentando “se virar” nos primeiros dias sem carteira assinada e sem conhecer a rede de serviços.
O estado atrai pela porta da frente do emprego, mas expulsa pela janela do aluguel quando a renda não acompanha a realidade local.
Rede de apoio, qualificação e o choque de realidade
Outro ponto que aparece com força é a qualificação profissional. Empresários e empregadores descrevem demanda por mão de obra e, ao mesmo tempo, dificuldade de preencher vagas com trabalhadores preparados para funções específicas.
Para quem chega, isso pode significar aceitar ocupações abaixo do nível de formação, inclusive migrantes com curso superior atuando em postos de menor exigência.
A rede de apoio vira divisor de águas. Quando já existe família ou conhecidos instalados, o recém-chegado ganha referência de moradia, emprego e adaptação.
Quando não existe, a pessoa depende de assistência, improvisa e pode cair em vulnerabilidade. Não é só “vir para Santa Catarina”, é saber onde cair e com quem contar.
Serviços públicos, assistência social e a pressão cotidiana
Com mais gente chegando, a demanda por posto de saúde, escola, atendimento social e orientação básica cresce. Profissionais do atendimento descrevem sobrecarga e a necessidade de redimensionar serviços em função do fluxo migratório.
O alerta é direto: não chegam apenas trabalhadores prontos para o mercado, chegam pessoas em diferentes condições, inclusive sem renda, sem documentos e sem estrutura mínima.
Esse cenário também alimenta tensões sociais e percepções de insegurança.
Parte dos moradores associa o aumento do trânsito, conflitos cotidianos e a presença de pessoas em situação de rua à chegada de migrantes, enquanto outros veem o movimento como positivo por ampliar consumo e força de trabalho. A disputa real não é só cultural; é por espaço, serviço e oportunidade.
Favelas, habitação e o limite estrutural
O Censo Demográfico trouxe um dado que mudou o tom do debate: entre 2010 e 2022, houve crescimento de favelas em Santa Catarina, com destaque para o litoral e para microrregiões como Florianópolis e Itajaí.
A leitura apresentada é que o impacto habitacional é o primeiro grande problema a aparecer quando a migração se torna expressiva.
Isso expõe um limite estrutural: quando o fluxo é mais rápido do que a capacidade de oferta de moradia e serviços, surgem ocupações, precarização e desequilíbrio regional.
Santa Catarina segue atraindo, mas começa a testar a própria infraestrutura, e a tendência, segundo a avaliação citada, é o movimento continuar até um ponto de equilíbrio ou saturação.
Santa Catarina se consolidou como polo de atração, mas o estado está sendo cobrado por essa posição: emprego e segurança puxam a chegada, enquanto moradia cara, serviços pressionados e crescimento de favelas revelam um limite que já aparece no cotidiano.
A corrida migratória tem vencedores e pessoas que ficam pelo caminho, e o resultado depende tanto de planejamento público quanto de preparo individual.
Na sua visão, Santa Catarina está “somando gente” ou “estourando a capacidade” do estado? O que pesa mais na decisão de mudar: emprego, segurança, clima, ou rede de apoio?

