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Com produção superior a 2,3 milhões de toneladas de amônia por ano, a SABIC opera no deserto saudita um dos maiores complexos petroquímicos de fertilizantes do Oriente Médio e converte energia fóssil em insumo essencial para a agricultura global

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 13/02/2026 às 14:13
Atualizado em 13/02/2026 às 14:16
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Com produção superior a 2,3 milhões de toneladas de amônia por ano, a SABIC opera no deserto saudita um dos maiores complexos petroquímicos de fertilizantes do Oriente Médio e converte energia fóssil em insumo essencial para a agricultura global
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Com mais de 2,3 milhões de toneladas de amônia por ano, a SABIC transforma gás natural da Arábia Saudita em fertilizante estratégico para a agricultura mundial.

A SABIC Agri-Nutrients Company, subsidiária da Saudi Basic Industries Corporation (SABIC), figura entre os maiores produtores de fertilizantes nitrogenados do Oriente Médio. De acordo com dados corporativos divulgados pela própria companhia e relatórios setoriais recentes, sua capacidade anual de produção de amônia supera 2,3 milhões de toneladas, enquanto a produção total de fertilizantes nitrogenados ultrapassa 4,9 milhões de toneladas por ano. As operações estão concentradas principalmente na cidade industrial de Al Jubail, na Arábia Saudita, um dos maiores polos petroquímicos do mundo.

A produção ocorre a partir do gás natural abundante no país, transformado por meio de processos químicos de alta pressão e temperatura em amônia e, posteriormente, em ureia e outros fertilizantes nitrogenados. Essa conversão de energia fóssil em insumo agrícola é um dos pilares invisíveis da agricultura moderna, sustentando cadeias alimentares em diversos continentes.

O papel da SABIC no mercado global de fertilizantes

A Arábia Saudita consolidou-se como potência petroquímica nas últimas décadas, apoiada em reservas significativas de gás natural. A SABIC, fundada em 1976, tornou-se um dos principais instrumentos industriais do país, expandindo sua atuação para fertilizantes por meio da SABIC Agri-Nutrients, anteriormente conhecida como SAFCO.

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Com capacidade superior a 2,3 milhões de toneladas de amônia por ano, a empresa posiciona-se entre os principais produtores regionais. Essa produção refere-se à capacidade industrial instalada nas unidades operacionais existentes, não incluindo projetos futuros em desenvolvimento. A amônia produzida serve como base para a fabricação de ureia granulada e outros derivados nitrogenados.

O Oriente Médio, ao lado de regiões como Rússia e América do Norte, tornou-se fornecedor estratégico de fertilizantes para mercados agrícolas globais. A dependência de insumos nitrogenados é elevada em países com agricultura intensiva, o que transforma complexos industriais como os de Al Jubail em peças-chave da segurança alimentar internacional.

Processo químico: do gás natural à amônia pelo método Haber-Bosch

A produção de amônia em escala industrial ocorre principalmente pelo processo Haber-Bosch, desenvolvido no início do século XX. O método combina nitrogênio extraído do ar com hidrogênio obtido do gás natural, formando amônia (NH₃).

Primeiramente, o gás natural passa por um processo chamado reforma a vapor, no qual o metano reage com vapor d’água sob altas temperaturas para produzir hidrogênio e monóxido de carbono. Em seguida, ocorre a conversão para dióxido de carbono e hidrogênio adicional. Paralelamente, o nitrogênio é separado do ar atmosférico por sistemas de separação criogênica.

A etapa central envolve a reação entre nitrogênio e hidrogênio em reatores que operam sob pressões que podem ultrapassar 150 a 250 atmosferas e temperaturas entre 400 °C e 500 °C. Catalisadores metálicos, geralmente à base de ferro, aceleram a reação química.

A amônia formada é resfriada e condensada, enquanto os gases não reagidos retornam ao sistema para novo ciclo. Esse processo contínuo permite produção ininterrupta em grande escala.

Engenharia pesada e infraestrutura no deserto saudita

Operar uma planta de amônia no deserto envolve desafios estruturais e energéticos significativos. As unidades da SABIC em Al Jubail fazem parte de um complexo industrial integrado, conectado a refinarias, redes de gás e terminais portuários.

Os reatores de síntese são construídos com ligas metálicas especiais capazes de suportar altas pressões e temperaturas constantes. Sistemas de controle automatizado monitoram pressão, composição de gases e eficiência catalítica em tempo real.

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A infraestrutura inclui torres de resfriamento, sistemas de compressão de gás de grande porte e unidades de armazenamento de amônia líquida sob condições controladas. O manuseio do produto exige rigorosos protocolos de segurança, devido ao caráter tóxico e corrosivo da substância.

Além disso, a planta depende de fornecimento contínuo de energia elétrica e térmica. Parte da energia utilizada é proveniente da própria queima de gás natural, integrando o ciclo energético ao processo produtivo.

Escala produtiva e impacto econômico

A capacidade superior a 2,3 milhões de toneladas de amônia por ano corresponde à produção anual consolidada das unidades operacionais da SABIC Agri-Nutrients. Quando convertida em ureia e outros fertilizantes, essa base de produção sustenta cadeias agrícolas em diferentes regiões do mundo.

O impacto econômico vai além do mercado interno saudita. Grande parte da produção é direcionada à exportação, reforçando a posição da Arábia Saudita como fornecedor estratégico de fertilizantes nitrogenados.

O setor agrícola global depende fortemente de fertilizantes nitrogenados para aumentar produtividade e garantir estabilidade no abastecimento de alimentos. A produção de amônia é considerada um dos pilares da agricultura moderna desde o século XX.

No contexto geopolítico, fertilizantes tornaram-se insumo estratégico, especialmente após oscilações no mercado global decorrentes de conflitos e restrições comerciais. A estabilidade produtiva da SABIC contribui para reduzir volatilidade em determinados mercados importadores.

Energia fóssil convertida em insumo agrícola

A amônia produzida a partir do gás natural representa uma forma de conversão indireta de energia fóssil em alimento. O hidrogênio obtido do metano incorpora-se quimicamente ao nitrogênio atmosférico, formando um composto essencial para síntese de fertilizantes.

Essa cadeia ilustra como recursos energéticos são transformados em insumos agrícolas capazes de ampliar produtividade de culturas como trigo, arroz e milho.

Entretanto, o processo é intensivo em carbono. A produção convencional de amônia emite dióxido de carbono tanto pela reforma do gás natural quanto pelo consumo energético elevado.

Diante desse cenário, a SABIC anunciou projetos de amônia de baixo carbono, incluindo iniciativas de “blue ammonia”, que utilizam captura e armazenamento de carbono para reduzir emissões associadas ao processo Haber-Bosch.

Desafios ambientais e transição energética

A indústria de fertilizantes enfrenta pressão crescente para reduzir emissões. A produção global de amônia responde por parcela relevante das emissões industriais de CO₂.

Projetos de captura e armazenamento de carbono estão sendo incorporados a novas plantas no Oriente Médio. A cidade industrial de Jubail é apontada como um dos centros potenciais para integração de tecnologias de mitigação de carbono.

O desafio reside em equilibrar segurança alimentar global com compromissos climáticos internacionais. Países produtores de amônia precisam adaptar processos industriais para reduzir intensidade de carbono sem comprometer escala produtiva.

A transição para hidrogênio de baixo carbono, seja por captura de carbono ou por eletrólise alimentada por energia renovável, representa uma possível evolução tecnológica nas próximas décadas.

Posição estratégica da SABIC no cenário internacional

Ao operar um dos maiores complexos petroquímicos de fertilizantes do Oriente Médio, a SABIC consolida a Arábia Saudita como fornecedor relevante de insumos agrícolas.

A localização geográfica favorece exportações para Ásia, África e Europa, reduzindo custos logísticos em comparação a fornecedores mais distantes.

A capacidade produtiva instalada confere à empresa papel estratégico no comércio global de fertilizantes nitrogenados. Em um cenário de crescente demanda por alimentos e instabilidade em mercados energéticos, a amônia tornou-se componente central da geopolítica agrícola.

Com produção superior a 2,3 milhões de toneladas de amônia por ano, a SABIC mantém no deserto saudita uma infraestrutura química de alta complexidade, sustentada por reatores de alta pressão, integração petroquímica e consumo energético elevado. A transformação do gás natural em fertilizante sintetiza a interdependência entre energia e agricultura na economia contemporânea.

Esse complexo industrial não apenas abastece mercados internacionais, mas também simboliza a conversão direta de recursos fósseis em base produtiva alimentar. Em um mundo que busca expandir produção agrícola e, ao mesmo tempo, reduzir emissões industriais, a engenharia química pesada aplicada à amônia permanece no centro do debate sobre segurança alimentar e transição energética.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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