Autoridade russa diz que o BRICS deve liderar cooperação para segurança alimentar diante do risco de produtividade cair pela metade e fome alcançar 673 milhões
A Rússia defendeu a criação de reservas conjuntas de alimentos com países do BRICS e aliados regionais para enfrentar riscos crescentes à segurança alimentar global, em meio à crise no Oriente Médio e ao impacto direto nas cadeias de fertilizantes.
Segundo uma autoridade do Conselho de Segurança da Rússia, o fechamento quase total do Estreito de Ormuz, na costa do Irã, elevou a incerteza sobre oferta de insumos e pode pressionar inflação de alimentos e ampliar a fome no mundo.
Por que a Rússia quer reservas de alimentos com o BRICS
A proposta apresentada é ampliar a cooperação com países considerados “amigos”, com foco nos membros do BRICS e da União Econômica Eurasiática, usando o mecanismo de reservas conjuntas como forma de reduzir vulnerabilidades em um cenário de instabilidade.
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A leitura russa é que, com choques no fornecimento de insumos e no comércio internacional, a criação de estoques coordenados pode funcionar como colchão para atravessar períodos de escassez e alta de preços.
Ormuz quase fechado e o efeito direto sobre fertilizantes
O alerta parte de um ponto central: uma parte relevante do comércio global de fertilizantes costumava passar pelo Estreito de Ormuz, rota estreita de navegação ao longo da costa do Irã, descrita como praticamente fechada desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Além disso, o texto destaca que cerca de metade dos alimentos do mundo é cultivada com o uso de fertilizantes, o que torna qualquer restrição prolongada um risco imediato para produção agrícola e preços.
Produtividade pode cair pela metade e inflação de alimentos tende a acelerar
A autoridade russa afirmou que, se a escassez global de fertilizantes persistir até o início do verão, a produtividade das principais culturas poderá cair pela metade, abrindo espaço para um forte aumento da inflação mundial de alimentos.
Nesse cenário, o risco deixa de ser apenas de custo e passa a ser de acesso: o número de pessoas famintas no mundo pode subir para um recorde de 673 milhões, segundo a avaliação citada.
Organismos internacionais reforçam risco de insegurança alimentar
O texto também menciona alertas recentes de organismos como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e o Programa Mundial de Alimentos da ONU sobre a tendência de aumentos nos preços do petróleo, do gás natural e dos fertilizantes, com efeito inevitável sobre o preço dos alimentos e a insegurança alimentar.
A combinação de energia cara com fertilizantes pressionados costuma atingir a comida em duas frentes: encarece a produção e também o transporte e a distribuição.
Rússia exporta trigo e fertilizantes, mas admite limite para aumentar produção
A Rússia é descrita como o maior exportador de trigo do mundo e também grande produtora e exportadora de fertilizantes. Ainda assim, o texto afirma que o país não tem capacidade para aumentar significativamente a produção de fertilizantes neste ano, mesmo com o cenário de demanda e risco global.
Ao mesmo tempo, a Rússia busca ampliar exportações agrícolas em 50% até 2030 e vê oportunidades de longo prazo para seus produtores, inclusive com potencial de aumentar envios para Oriente Médio, Ásia, África e América Latina.
BRICS no centro do comércio de alimentos e do debate político
O texto lembra que o Egito, integrante do BRICS, é o maior importador de trigo russo, e que a Rússia também exporta alimentos para China e Índia, as duas maiores economias do bloco.
Também é citado que o presidente russo deve se reunir com o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, membro do BRICS, com a segurança alimentar provavelmente em pauta.
Na sua opinião, o BRICS deveria priorizar reservas conjuntas de alimentos agora ou focar primeiro em garantir fertilizantes e logística para evitar novos choques de preços?

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