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Roma Antiga pode ter usado uma espécie de metralhadora há 2.000 anos em Pompeia, e marcas nas muralhas de 89 a.C. estão levando pesquisadores a reconstruir como essa arma de disparo rápido teria funcionado

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 11/04/2026 às 20:15 Atualizado em 11/04/2026 às 22:32
Estudo liga marcas nas muralhas de Pompeia ao possível uso, pela Roma Antiga, de uma arma de disparo rápido em 89 a.C.
Estudo liga marcas nas muralhas de Pompeia ao possível uso, pela Roma Antiga, de uma arma de disparo rápido em 89 a.C.
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Uma nova pesquisa levanta a hipótese de que a Roma Antiga pode ter usado em Pompeia, no cerco de 89 a.C., uma arma de disparo rápido descrita em textos antigos, após a identificação de marcas incomuns nas muralhas da cidade associadas ao possível uso do políbolo

A Roma Antiga pode ter recorrido a uma arma de disparo rápido durante o cerco de Pompeia em 89 a.C., de acordo com uma nova pesquisa que associa marcas incomuns nas muralhas da cidade ao possível uso do políbolo. A hipótese surge a partir da análise de cavidades diferentes das produzidas por balistas e outras armas já conhecidas no ataque conduzido por tropas de Lúcio Cornélio Sula.

Naquele ano, os habitantes de Pompeia se uniram a antigos aliados italianos em uma revolta contra o avanço do poder romano. A reação foi rápida, e as forças lideradas por Sula foram enviadas para retomar o controle da cidade.

Os combates deixaram marcas visíveis nas muralhas do norte de Pompeia, área que ainda conserva cicatrizes da ofensiva romana. Além dos grandes buracos redondos associados a balistas e de projéteis lançados por escorpiões, pesquisadores identificaram outro conjunto de depressões com formato e distribuição diferentes.

Marcas nas muralhas levantam nova hipótese sobre a Roma Antiga

Essas cavidades de quatro lados aparecem em intervalos curtos e regulares, muitas vezes em um arranjo em forma de leque. Em geral, elas têm apenas alguns centímetros de profundidade, o que chamou a atenção por não corresponder ao padrão esperado das armas já conhecidas no cerco.

Para investigar a origem desses danos, Adriana Rossi, Silvia Bertacchi e Veronica Casadei empregaram escaneamento a laser de alta resolução, análise detalhada de imagens e modelagem em 3D. A partir desses dados, elas reconstruíram de forma retrospectiva o tamanho, a forma e a força da arma capaz de produzir as marcas observadas.

A conclusão proposta pelas pesquisadoras aponta para projéteis de ponta metálica disparados em rápida sucessão por uma arma de repetição. Nesse cenário, o principal candidato seria o políbolo, um equipamento mecânico descrito como capaz de disparar múltiplos projéteis de maneira contínua.

O políbolo e a ligação entre Sula e Rodes

Nenhum exemplar do políbolo foi encontrado até hoje por arqueólogos. Ainda assim, a arma aparece em textos históricos, inclusive em descrições detalhadas feitas por Filo de Bizâncio no século III a.C., que atribuía sua invenção ao engenheiro grego Dionísio de Alexandria, em Rodes.

A pesquisa também chama atenção para um dado cronológico envolvendo Sula. Em 96 a.C., ele atuou como governador da Cilícia, província na qual Rodes estava localizada, o que reforça a possibilidade de contato com inovações militares associadas à ilha.

Com base nessa coincidência, os autores do estudo consideram plausível que Sula tenha adquirido ou estimulado o uso de tecnologia rodiana durante o cerco de Pompeia. A interpretação apresentada é a de que um comandante politicamente astuto e tecnicamente informado poderia ter recorrido a um motor de disparo múltiplo aprimorado para aumentar a pressão sobre os defensores.

Como a arma pode ter sido usada em Pompeia

A hipótese sustenta que as tropas romanas da Roma Antiga podem ter utilizado a capacidade de disparo rápido do políbolo para atingir defensores pompeianos em momentos de deslocamento ou breve exposição. Em algumas ocasiões, porém, os soldados teriam errado o alvo, e os projéteis acabaram deixando marcas diretamente nas muralhas.

Os pesquisadores ressaltam que a ideia continua sendo uma teoria, e não uma certeza definitiva. Mesmo sem vestígios físicos da arma, a compatibilidade formal e funcional entre os danos registrados no trecho norte das muralhas e as descrições antigas é tratada como um elemento importante de sustentação para a hipótese.

A coincidência temporal entre as operações militares que antecederam o cerco de 89 a.C. e a história de Rodes também é apontada como um fator que amplia a plausibilidade do cenário proposto. Assim, o estudo sugere que a Roma Antiga pode ter empregado em Pompeia uma tecnologia militar bem mais sofisticada do que normalmente se imagina.

Pompeia segue revelando camadas anteriores à erupção

Pompeia se tornou mundialmente conhecida pela preservação causada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., mas sua história anterior continua oferecendo novas questões aos arqueólogos. As ruínas foram descobertas no século XVI, e as escavações sistemáticas começaram em 1738.

Desde então, a cidade tem sido observada não apenas como retrato do desastre vulcânico, mas também como um espaço marcado por transformações e conflitos anteriores. O interesse atual inclui entender o desenvolvimento urbano de Pompeia e reconstituir como ela chegou ao ponto em que foi destruída, mantendo viva a investigação sobre a Roma Antiga e seus métodos de guerra.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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