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Em mais de 340 restaurantes, quem cuida da fritadeira já é uma máquina, e o cálculo que justifica a troca é público: acima de US$ 18 por hora, o robô passa a custar menos do que um funcionário

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 15/07/2026 às 13:45
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Robôs já trabalham em mais de 340 restaurantes e passam a ser mais baratos que funcionários quando o custo da mão de obra supera US$ 18 por hora, segundo levantamento do setor.

A automação das cozinhas deixou de ser um conceito futurista para se tornar realidade em centenas de restaurantes. Nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, robôs já assumem tarefas repetitivas como fritar alimentos, enquanto empresas do setor defendem que a decisão de instalar essas máquinas depende de uma conta simples: quando o custo da mão de obra ultrapassa determinado valor por hora, a tecnologia passa a ser financeiramente mais vantajosa do que contratar um funcionário para a mesma função.

Segundo o Robotics Center of Silicon Valley, mais de 340 restaurantes já utilizam pelo menos um robô na cozinha ou no salão. A organização afirma que, quando o custo da mão de obra gira em torno de US$ 18 por hora, os equipamentos normalmente recuperam o investimento em aproximadamente três anos. Em regiões onde os salários são ainda maiores, esse retorno acontece mais rapidamente. A matemática ajuda a explicar por que grandes redes passaram a investir em automação justamente nos mercados onde contratar funcionários ficou mais caro.

A conta da automação mudou com o aumento dos salários

Durante muitos anos, instalar robôs em restaurantes era considerado caro demais para a maioria dos estabelecimentos. Nos últimos anos, porém, o aumento dos salários e a dificuldade para contratar trabalhadores mudaram essa equação.

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Segundo o Robotics Center of Silicon Valley, a faixa dos US$ 18 por hora representa um ponto de equilíbrio importante para diversos sistemas de automação utilizados em cozinhas comerciais. Acima desse valor, o custo operacional das máquinas começa a competir diretamente com o da mão de obra humana.

Essa comparação faz parte do próprio argumento utilizado pelas empresas que desenvolvem robôs para restaurantes, especialmente em estados americanos onde os salários mínimos aumentaram significativamente.

A primeira tarefa automatizada foi justamente a mais difícil da cozinha

Os robôs não começaram preparando pratos completos. A maior parte dos equipamentos atualmente instalados foi desenvolvida para assumir tarefas repetitivas, pesadas e de maior risco, principalmente nas estações de fritura. Segundo o Robotics Center of Silicon Valley, muitos operadores de restaurantes relatam dificuldade para preencher vagas justamente nessas funções, consideradas algumas das mais exigentes fisicamente dentro de uma cozinha.

Além do calor constante, os trabalhadores permanecem durante horas diante de óleo em altas temperaturas, executando movimentos repetitivos ao longo de todo o expediente. Por isso, muitas empresas defendem que a automação surgiu inicialmente para preencher postos que já enfrentavam escassez de mão de obra antes mesmo da chegada dos robôs.

Nem toda substituição significa menos empregos

A discussão sobre automação costuma ser apresentada como um conflito entre máquinas e trabalhadores, mas a realidade é mais complexa. Segundo o Robotics Center of Silicon Valley, muitos restaurantes que adotaram robôs continuam operando com equipes humanas responsáveis pelo atendimento, montagem dos pedidos, limpeza, supervisão dos equipamentos e relacionamento com os clientes.

Em diversos casos, a automação reduz o tempo gasto em tarefas repetitivas, permitindo que os funcionários sejam deslocados para atividades de maior contato com o público. Isso não elimina o debate sobre o impacto da tecnologia no mercado de trabalho, mas mostra que a substituição completa de pessoas ainda está longe de acontecer na maioria das operações.

A própria indústria da robótica ainda enfrenta dificuldades

Apesar da crescente atenção recebida pelos robôs de cozinha, o setor ainda está distante da maturidade comercial. Segundo a revista Fortune, a Miso Robotics, fabricante do robô de fritura Flippy e considerada uma das principais empresas do segmento, registrou receita líquida inferior à esperada em 2024 e encerrou algumas parcerias importantes com grandes redes de restaurantes.

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A publicação também destaca um estudo realizado por pesquisadores do MIT, da IBM e do Productivity Institute que analisou os custos reais da automação. A conclusão foi que, em mais de 75% das situações avaliadas, ainda é economicamente mais vantajoso manter trabalhadores humanos do que substituir completamente determinadas tarefas por sistemas automatizados.

Esses resultados ajudam a explicar por que a adoção de robôs continua crescendo de forma gradual, mesmo após anos de investimentos bilionários no setor.

O mercado continua crescendo, mas ainda representa uma pequena parcela dos restaurantes

Segundo o Robotics Center of Silicon Valley, embora a robótica para restaurantes esteja entre os segmentos que mais crescem dentro da automação comercial, sua presença ainda é pequena quando comparada ao tamanho da indústria de alimentação.

As empresas concentram seus investimentos principalmente nas atividades mais repetitivas, seguindo uma estratégia semelhante à utilizada pela indústria automobilística décadas atrás, quando os primeiros robôs passaram a executar operações específicas antes de assumirem processos mais complexos.

Para muitos especialistas, essa deve continuar sendo a tendência nos próximos anos: automatizar inicialmente as tarefas mais previsíveis, perigosas ou difíceis de preencher, mantendo pessoas nas funções que exigem flexibilidade, criatividade e interação humana.

A tecnologia avança, mas a substituição total ainda está distante

Os números mostram que a automação dos restaurantes já deixou de ser uma promessa e começou a ganhar espaço em diferentes países. Segundo o Robotics Center of Silicon Valley, o crescimento da robótica comercial deve continuar impulsionado pelo aumento dos custos trabalhistas e pela dificuldade de contratação em diversos mercados.

Ao mesmo tempo, a Fortune ressalta que a realidade econômica ainda está longe de justificar uma substituição em massa dos trabalhadores. O alto custo dos equipamentos, as limitações técnicas e os resultados do estudo do MIT indicam que, na maior parte dos casos, pessoas continuam sendo a opção mais econômica.

Por enquanto, os robôs aparecem como ferramentas para automatizar tarefas específicas, e não como substitutos completos das equipes humanas. Mas a tendência é clara: à medida que a tecnologia evolui e os custos diminuem, cada vez mais atividades repetitivas poderão ser executadas por máquinas, transformando gradualmente o funcionamento das cozinhas profissionais.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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