Após observar o desperdício de embalagens plásticas na escola, ele desenvolveu cápsulas solúveis para higiene pessoal, conquistou investimento no Shark Tank e expandiu a Nohbo como startup de impacto ambiental.
Benjamin Stern ainda era estudante quando começou a enxergar as garrafas plásticas como um problema de negócio, não apenas como uma questão ambiental distante. A ideia que daria origem à Nohbo nasceu em uma aula de biologia no ensino médio, depois que ele assistiu a um documentário sobre os danos causados pelas garrafas plásticas ao meio ambiente.
Segundo entrevista publicada por Brian Whitney no Medium, Benjamin Stern, de Melbourne, na Flórida, teve a ideia da Nohbo em uma aula de biologia após assistir a um documentário sobre os impactos das garrafas plásticas. Meses depois, o adolescente já estava avaliando ofertas no Shark Tank e tentando transformar a ideia em produto real.
A lógica parecia simples, mas tinha uma ambição enorme: se sabão em pó podia ser vendido em cápsulas, por que shampoo, condicionador, sabonete líquido e creme de barbear precisavam continuar presos a frascos plásticos descartáveis? Foi desse raciocínio que surgiu a proposta inicial da Nohbo, uma marca pensada para substituir embalagens tradicionais por cápsulas solúveis em água.
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A primeira ideia era uma “bola de shampoo” sem frasco plástico
O primeiro conceito da Nohbo ficou conhecido como uma “shampoo ball”, uma bola de shampoo ecológica e solúvel. Segundo reportagem da Forbes, Benjamin Stern criou o que foi apresentado como a primeira bola de shampoo ecológica do mundo, parecida visualmente com uma trufa de chocolate, mas feita para dissolver e liberar o produto durante o banho.
A Business Insider também descreveu a proposta inicial como um produto de banho sem garrafa. Na reportagem, o veículo informou que Stern era um estudante de 16 anos da Flórida quando apresentou a Nohbo aos investidores do Shark Tank, defendendo uma solução para reduzir o desperdício de embalagens plásticas em produtos de higiene pessoal.
A ideia atacava um ponto muito específico do consumo diário: o banheiro. Frascos de shampoo, condicionador e sabonete líquido são usados por semanas, mas depois viram resíduos. A Nohbo nasceu tentando eliminar esse ciclo ao criar porções individuais de produtos de cuidado pessoal envolvidas em material solúvel.
Aos 16 anos, ele entrou no Shark Tank e chamou atenção de Mark Cuban
O grande salto de visibilidade veio em 2016, quando Benjamin Stern levou a Nohbo ao Shark Tank. Segundo a Business Insider, os investidores ficaram impressionados com o adolescente, que se apresentou como fundador e CEO de uma empresa de produtos de banho sem garrafa. A reportagem também informa que Mark Cuban fez acordo de US$ 100 mil por 25% da empresa.
O episódio ganhou força porque Stern não apareceu apenas como um jovem com uma ideia curiosa. Ele demonstrou iniciativa empresarial antes mesmo de ter uma operação madura. De acordo com a Business Insider, o adolescente contou que havia feito contatos com empresas como a Clorox e buscado proteção de patente depois de perceber interesse no conceito.
A presença de Mark Cuban foi decisiva para dar credibilidade e estrutura ao projeto. A Business Insider informou que Cuban e sua equipe ajudaram a reformular o site da Nohbo, orientar o negócio e aproximar a startup de uma estrutura mais profissional depois da exibição no programa.
Nohbo evoluiu das bolas de shampoo para cápsulas solúveis de cuidado pessoal
Depois do Shark Tank, a Nohbo precisou sair do conceito chamativo e avançar para uma tecnologia mais viável. A empresa passou a desenvolver cápsulas solúveis de uso único para produtos como shampoo, condicionador, sabonete líquido e creme de barbear.
Segundo comunicado divulgado pela Business Wire, a Nohbo combate o excesso de resíduos de garrafas plásticas com gotas de cuidado pessoal de uso único e dissolvíveis, feitas para shampoos, condicionadores, sabonetes corporais e cremes de barbear. A empresa encapsula fórmulas em uma membrana solúvel em água, buscando eliminar garrafas plásticas da indústria de beleza e cuidados pessoais.
Esse avanço mudou a proposta da startup. A Nohbo deixou de ser apenas uma invenção curiosa de televisão e passou a se posicionar como uma empresa de tecnologia de materiais aplicada ao mercado de cosméticos. O desafio era fazer o produto funcionar na prática, com fórmula estável, experiência agradável no banho e embalagem capaz de desaparecer com a água.
Startup levantou US$ 3 milhões e mirou produção de 15 milhões de unidades por mês
A Nohbo também atraiu investimento depois da exposição no Shark Tank. Segundo comunicado da Business Wire publicado em março de 2020, a startup levantou US$ 3 milhões em rodada seed liderada pela Material Impact, com participação da Safer Made e da Radical Investments, de Mark Cuban.
O mesmo comunicado informou que o capital seria usado para escalar a fabricação e produzir 15 milhões de unidades por mês. Esse dado mostra que a Nohbo não ficou restrita ao status de “invenção de adolescente”, mas buscou capacidade industrial para atender mercados maiores.
No comunicado, a própria empresa afirmou que havia expandido sua presença desde o Shark Tank e entrado nos mercados de venda direta ao consumidor, hotelaria e bens de consumo. A estratégia fazia sentido porque hotéis usam grandes volumes de produtos de higiene em embalagens pequenas, exatamente o tipo de resíduo que a Nohbo tenta eliminar.
Foco em hotéis colocou a Nohbo no centro da guerra contra frascos descartáveis nos banheiros
O foco da Nohbo em banheiros de hotéis é um dos pontos mais fortes da história. O perfil oficial da empresa no LinkedIn informa que a Nohbo cria tecnologias sem resíduos que derretem com água e não deixam rastros. A página também afirma que a empresa trabalha com marcas de beleza e bens de consumo para encapsular produtos em filmes solúveis em água, além de atuar com hotéis para eliminar plásticos descartáveis dos chuveiros dos hóspedes.

Esse posicionamento coloca a Nohbo em uma discussão maior sobre o futuro das embalagens. A empresa não tenta apenas vender shampoo diferente para consumidores curiosos. Ela mira um problema estrutural de setores que consomem milhões de embalagens pequenas, principalmente hotelaria, beleza e cuidados pessoais.
O contexto ambiental reforça a relevância da proposta. Segundo a OCDE, 22 milhões de toneladas de materiais plásticos vazaram para o meio ambiente apenas em 2019. Já o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente informa que, todos os anos, entre 19 milhões e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam a ecossistemas aquáticos, poluindo lagos, rios e mares.
Nohbo mostra como uma ideia de sala de aula virou startup de tecnologia sustentável
A trajetória da Nohbo chama atenção porque começa com uma cena simples: um adolescente assistindo a um documentário na escola e percebendo que garrafas plásticas estavam em todos os lugares, inclusive no banheiro de casa. A partir dessa inquietação, Benjamin Stern criou uma solução experimental, levou a ideia ao Shark Tank, convenceu Mark Cuban e transformou o projeto em uma empresa de tecnologia sustentável.
Segundo o perfil da Nohbo no LinkedIn, a empresa foi fundada em 2014, tem sede em Palm Bay, na Flórida, e atua no setor de manufatura com tecnologias solúveis para produtos de cuidado pessoal. A empresa descreve sua missão como livrar o mundo do desperdício plástico por meio de tecnologias que se dissolvem e não deixam rastros.
O caso mostra que a inovação não veio de um laboratório bilionário no início, mas de uma pergunta direta: por que produtos de banho ainda dependem tanto de frascos descartáveis? A resposta de Stern foi transformar shampoo em cápsula, embalagem em filme solúvel e o banheiro em ponto de partida para uma startup.
Hoje, a Nohbo representa uma tentativa de mudar a forma como produtos de higiene são embalados, distribuídos e consumidos. A promessa é simples e poderosa: menos frascos, menos lixo e uma experiência de banho em que a embalagem desaparece junto com a água.

