Trajetória marcada pelo trabalho no canteiro, pela criação precoce de uma empresa e pela expansão imobiliária mostra como experiência prática, disciplina e visão de negócio transformaram uma oportunidade inicial em uma operação duradoura na Grande Florianópolis ao longo de quase cinco décadas.
Antônio Hillesheim entrou na construção civil aos 17 anos como servente de obra e, em apenas sete anos, deixou a rotina operacional dos canteiros para fundar a própria empresa, iniciando uma trajetória empresarial ligada ao crescimento urbano da Grande Florianópolis.
Aos 24 anos, criou a AM Construções, companhia que informa ter alcançado 4,6 mil unidades entregues, 52 empreendimentos concluídos e 652 mil metros quadrados construídos, números que dimensionam a passagem de um trabalho inicial para uma operação imobiliária consolidada.
Longe dos edifícios que depois integrariam o portfólio da construtora, a história começou em Águas Mornas, município da Grande Florianópolis, onde Hillesheim nasceu em uma família de agricultores e decidiu, ainda jovem, buscar oportunidades profissionais em uma área urbana.
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De servente de obra à criação da própria empresa
Foi pela base da construção civil que ele ingressou no setor, executando funções diretamente ligadas às obras e conhecendo, na prática, a rotina de materiais, prazos, equipes e serviços necessários para levantar uma residência desde as etapas iniciais.
Antes de assumir projetos próprios, Hillesheim avançou de ajudante de pedreiro para fornecedor de mão de obra e construtor de casas residenciais, experiência que lhe permitiu compreender tanto o trabalho no canteiro quanto a organização necessária para entregar imóveis.
Entre os 17 e os 24 anos, essa evolução profissional abriu caminho para a criação da AM Construções e Incorporações, instalada em São José, na região metropolitana de Florianópolis, onde a empresa passaria a concentrar parte relevante de sua atuação.
Fundada em 24 de outubro de 1978, a companhia nasceu quando o jovem empreendedor decidiu transformar os serviços prestados a terceiros em uma operação própria, voltada não apenas à execução de obras, mas também à incorporação de empreendimentos residenciais.
Nos primeiros anos, segundo a apresentação institucional da AM Construções, os edifícios foram viabilizados com apoio de instituições financeiras, enquanto os recursos obtidos eram direcionados aos projetos e a empresa ampliava gradualmente sua capacidade de assumir obras maiores.
Primeiro edifício marcou a mudança de escala
O primeiro empreendimento vertical registrado na história da construtora foi o Edifício Uirapuru, localizado no bairro Capoeiras, em Florianópolis, e apresentado no portfólio institucional como uma obra entregue em 1985, sete anos depois da fundação da companhia.
Com a conclusão desse prédio, a atividade iniciada em casas residenciais ganhou outra escala, pois os edifícios passaram a reunir diversas unidades em um mesmo projeto e exigiram planejamento financeiro, coordenação técnica e controle mais rigoroso das etapas construtivas.
Na sequência, a AM ampliou a presença em bairros de São José e em municípios vizinhos, acompanhando o crescimento urbano da Grande Florianópolis por meio de projetos distribuídos entre Florianópolis, Palhoça, Campinas, Kobrasol, Barreiros e outras localidades.
Durante a década de 1980, o portfólio incorporou obras como o Condomínio Recanto das Pedras, o Condomínio Pablo Picasso, o Edifício Laranjeiras e o Edifício Boticcelli, consolidando uma produção recorrente de edifícios residenciais na região.
Já na década seguinte, a atuação ganhou novo ritmo, com entregas em intervalos menores e projetos como o Edifício Brasilar, o Condomínio Carlos Drummond de Andrade, o Residencial Douglas, o Edifício Torre de Marfim e o Residencial Mar del Plata.
Expansão da AM Construções na Grande Florianópolis
Parte expressiva desses empreendimentos ficou concentrada em São José, cidade que se tornou um dos principais eixos de expansão imobiliária da região e reuniu condições favoráveis para o crescimento de bairros residenciais, áreas comerciais e novos serviços urbanos.
Entre os projetos mais relevantes, o Edifício Brasilar foi apontado como o primeiro prédio de 12 andares do bairro Kobrasol, área que depois se consolidaria como um dos centros mais movimentados de São José, com moradias, comércio e serviços.
Sem se limitar a um único padrão de empreendimento, a construtora passou a reunir condomínios, edifícios residenciais e projetos com diferentes quantidades de dormitórios, distribuídos por localidades com perfis diversos de ocupação e públicos distintos dentro do mercado imobiliário.
A partir dos anos 2000, a presença da AM em Campinas, bairro de São José, tornou-se mais frequente, com entregas como o Residencial Parque dos Príncipes, o Residencial Maryah, o Ronald Residence, o Condomínio Torres de Campinas e o Millenium Palace.
Em Palhoça, a empresa também registrou projetos como o Residencial Mirante do Cambirela, o Condomínio Gustavo Kirchner e o Dolce Vitta Residence, enquanto Florianópolis recebeu, além do primeiro edifício em Capoeiras, o Residencial Mário Quintana.
Depois da fase inicial sustentada por financiamentos, a companhia afirma ter alcançado capacidade para construir com recursos próprios, mudança que revela uma estrutura financeira diferente daquela encontrada por Hillesheim quando ainda dependia de apoio institucional para viabilizar os primeiros prédios.
Construtora soma 4,6 mil unidades entregues
Os números divulgados pela própria empresa ajudam a dimensionar essa transformação, pois as 4,6 mil unidades entregues estão distribuídas pelos 52 empreendimentos contabilizados em seu histórico, formando um portfólio construído ao longo de quase cinco décadas.
Também segundo a companhia, os 652 mil metros quadrados construídos reúnem projetos realizados em diferentes fases da expansão urbana da Grande Florianópolis, desde edifícios erguidos na década de 1980 até residenciais apresentados em períodos mais recentes.
A cronologia do portfólio permite acompanhar mudanças na dimensão e na apresentação dos imóveis, já que os primeiros registros destacavam principalmente nomes e localidades, enquanto projetos posteriores passaram a detalhar dormitórios, suítes, áreas comuns e diferentes formatos de plantas.
Mesmo depois de dezenas de entregas, a sede permanece em São José, município onde o negócio foi fundado, reforçando uma estratégia regional distinta da expansão nacional adotada por grupos que buscaram crescer em diferentes estados e mercados imobiliários.
Atuação social e permanência no mercado imobiliário
Além da atividade empresarial, Hillesheim mantém vínculo com ações sociais em São José, e a história institucional registra sua participação em iniciativas de apoio à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do município, especialmente na busca de recursos para a entidade.
De um lado está o adolescente que começou executando tarefas básicas da construção; de outro, a estrutura responsável por milhares de unidades residenciais e centenas de milhares de metros quadrados, reunindo duas escalas muito diferentes dentro do mesmo setor.
Entre essas duas fases, a empresa atravessou mudanças econômicas, transformações urbanas e diferentes ciclos do mercado imobiliário, sustentando a permanência por meio de uma sequência de obras iniciada com casas, ampliada pelo Edifício Uirapuru e espalhada pela Grande Florianópolis.
Até que ponto a experiência adquirida diretamente no canteiro pode influenciar as decisões de quem, anos depois, passa a comandar uma construtora responsável por milhares de imóveis e por uma presença duradoura no mercado imobiliário regional?
