No canal A ruiva da roça, do casal mineiro Fábio Castro e Maria Ruiva, um vídeo mostra a lida diária no campo entre Carvalhos e Carmo de Minas. Da visita ao Tio Amarildo e a preparação para uma cavalgada até o nascimento de bezerros e a rotina da silagem, o dia registra o trabalho real da roça.
No canal A ruiva da roça, mantido pelo casal mineiro Fábio Castro e Maria, um vídeo percorre um dia inteiro de trabalho na roça, no sul de Minas Gerais. A jornada começa no bairro das Posses, em Carvalhos, terra do avô da protagonista, com uma subida forte até a casa do Tio Amarildo, irmão da mãe dela. O motivo da visita é uma cavalgada marcada para o dia seguinte.
O que o vídeo entrega não é paisagem parada. É serviço de verdade: teste de uma égua recém-domada, ordenha, nascimento de bezerros, limpeza de esterco e plantio. É a rotina de quem vive de pecuária e não tira folga do gado.
A visita ao Tio Amarildo e a égua recém-domada

A primeira parada é o sítio do Tio Amarildo, descrito como bem arrumado e cheio de animais: ganso, marreco, pavão, faisão, peru e galinha d’angola. O tio, segundo a sobrinha, é tão parecido com a mãe dela que todo mundo diz ser a versão masculina dela.
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O ponto de tensão é o cavalo. O Vinícius pegou um animal emprestado para a cavalgada, e escolheu justamente uma égua recém-domada, que o tio avisou não ser confiável ainda. O aviso foi direto: se cair, ele lava as mãos, porque o animal é espantado. Mesmo assim, ao saber que a égua era brava, o Vinícius disse que era exatamente aquela que queria, num retrato de quem não foge de desafio na roça.
O trato do gado feito com capricho
Antes de sair, o vídeo mostra o cuidado do tio com os animais. O leite já tinha sido tirado cedo, tudo limpo, e o trato para o gado da tarde já estava pronto. A mistura chamou a atenção da sobrinha pelo capricho.
O preparo é específico e revela conhecimento. O trato leva capiaçu, polpa e fubá, tudo curtido junto em dois tambores de cerca de 200 quilos, deixado no ponto para a alimentação da tarde. É o tipo de detalhe que mostra por que o gado do Tio Amarildo, nas palavras dela, gosta e fica bonito. No dia seguinte, o grupo apareceu arrumado para a cavalgada, e seguiu com a bênção da família.
A silagem e a venda do gado na seca

De volta a Carmo de Minas, o casal retoma a rotina, e o tema vira a estratégia de manejo na época da seca. Eles explicam que estão vendendo o que podem para não precisar tratar tanto animal no período mais difícil do ano.
A lógica é de sobrevivência econômica. Já venderam uma bezerrada que estava na vargem para não virar boiada, e ainda há uma vaca à venda, porque tudo que puder ser eliminado agora na seca alivia o trabalho de tratar. Enquanto isso, o gado segue firme, com 28 cabeças de vaca na vargem, num pasto que já secou bastante mas ainda sustenta o rebanho.
O nascimento dos bezerros
O momento mais emocionante do vídeo é o nascimento. Uma vaca que ficava com o gado de leite sumiu, e o casal a encontrou já com a cria. Depois, outra vaca deu à luz, e a rotina de recolher mãe e bezerro virou cena.
O trabalho não é simples. As vacas ficam estressadas e cismadas com os cachorros, e é preciso levar o bezerro no colo para a mãe seguir atrás, até o rancho, onde ela é presa e a bezerrinha finalmente mama. O pai, chamado de senhor experiente, é consultado para confirmar se uma vaca borriguda ainda vai parir. É conhecimento passado de geração em geração, na prática.
O ciclo do esterco e o plantio
Uma parte importante do vídeo explica algo que o público urbano raramente vê: o ciclo do esterco. Todo dia o casal junta o esterco do curral, e a quantidade é grande. Nada disso é desperdício.
O destino fecha um ciclo inteligente. O esterco vai para a roça, é jogado no milho, e depois volta como silagem para o próprio gado comer. Além de aproveitar o adubo, a limpeza garante que os animais durmam no seco. O vídeo ainda mostra o plantio de uma muda de abacate, com calcário para limpar a terra e esterco para nutrir, e o pequeno Davi plantando milho, aprendendo desde cedo a lida da roça.
O dia mostrado por Fábio e Maria não tem nada de vida fácil no campo. Tem subida forte, égua brava, vaca estressada, esterco todo dia e venda de gado para atravessar a seca. Mas tem também bezerro nascendo, trato caprichado, café quente no frio e uma família inteira trabalhando junta, do avô ao pequeno Davi.
Agora queremos ouvir você. Você trocaria a rotina da cidade pela lida diária da roça, com gado para tratar de manhã e de tarde e bezerro nascendo a qualquer hora, ou o trabalho do campo te parece pesado demais? E quem é da roça ou tem família no campo, conta aqui embaixo qual parte dessa rotina você conhece de perto. A gente lê tudo.

