O delivery pode ficar muito mais barato com robôs e drones, segundo estudo do Barclays, mas o avanço da automação ainda é pequeno e promete mexer no preço para o consumidor e no mercado de trabalho até 2035
A adoção em larga escala de robôs e drones pode mudar o delivery como ele existe hoje, derrubando custos e redesenhando a economia das entregas de comida. É o que aponta uma pesquisa recente sobre custos do setor: segundo um relatório do banco Barclays divulgado nesta semana, tecnologias autônomas teriam potencial para reduzir o custo do delivery para apenas US$ 1 por pedido, cerca de R$ 5.
O cenário, porém, vem com um efeito colateral direto: o emprego. A mesma transformação que promete apertar custos e aliviar margens também pode afetar milhares ou milhões de trabalhadores, caso robôs de calçada e drones ganhem escala suficiente para substituir parte relevante das entregas feitas por humanos.
Delivery a US$ 1: o que o estudo projeta e por que isso chama atenção
O ponto que mais chama atenção no relatório é a meta de custo: levar uma entrega por meio autônomo até US$ 1 por pedido. Hoje, em mercados onde a mão de obra é mais cara, o custo de uma entrega autônoma ainda estaria na faixa de US$ 5 a US$ 7, o equivalente a aproximadamente R$ 25 a R$ 35.
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Mesmo assim, o estudo destaca que, nessas mesmas regiões, a entrega autônoma já pode ser de US$ 3 a US$ 4 mais barata do que o serviço realizado por entregadores humanos, algo em torno de R$ 15 a R$ 20 de diferença. No longo prazo, a projeção é que a automação gere economia de até US$ 9, cerca de R$ 45 por pedido, em comparação com entregas tradicionais em países desenvolvidos.
Os números que explicam: menos de 1% hoje e uma corrida até 2035
Apesar da promessa, o avanço ainda é pequeno. Segundo a base do estudo, menos de 1% das entregas globais hoje são feitas por robôs. A estimativa é que esse número suba para 2% até 2030 e alcance 10% em 2035.
Na prática, isso indica uma transição lenta, mas contínua: uma tecnologia que ainda aparece como exceção no delivery pode se tornar uma fatia relevante do mercado em pouco mais de uma década, especialmente se os custos continuarem caindo e se a infraestrutura para robôs e drones se espalhar.
Como robôs e drones reduzem custo no delivery e por que a escala é a chave

O relatório coloca a escala como condição central para a queda de preço. A lógica é simples: quanto mais robôs nas ruas e drones no ar, menor tende a ser o custo por trajeto, porque o volume dilui despesas e reduz o peso dos custos trabalhistas que hoje pressionam as margens de lucro do setor de delivery.
Esse detalhe muda o jogo. Não basta ter a tecnologia funcionando em testes ou áreas limitadas. Para o custo cair de forma estrutural, as entregas autônomas precisam operar em grande quantidade, com repetição, frequência e rotas suficientes para tornar cada pedido mais barato.
Quem pode sair na frente: as empresas apontadas como favoritas no curto prazo
O relatório também cita quem pode capturar primeiro os benefícios do delivery automatizado. Empresas que já investem em parcerias com operadores de robôs de calçada e drones aparecem como candidatas naturais a reduzir custos antes das concorrentes, justamente por estarem mais preparadas em infraestrutura.
Entre as favoritas no curto prazo, o estudo destaca o Doordh e a chinesa Meuan, mencionadas como empresas com investimentos pesados em infraestrutura e com maior chance de aproveitar a curva inicial de adoção.
O que muda para o consumidor: preço pode cair, mas a promessa depende de virar realidade
A possibilidade de reduzir custo por pedido levanta a pergunta que interessa a quem pede comida: o delivery vai ficar mais barato de verdade? O relatório sugere um caminho possível, mas condiciona o resultado ao ritmo de adoção e à escala.
Em outras palavras, existe uma projeção de queda relevante nos custos do delivery, mas ela depende de um cenário no qual robôs e drones deixem de ser raridade e passem a operar em volume, com presença constante e ampla. Sem isso, a redução pode ficar limitada a nichos, rotas específicas ou regiões com condições mais favoráveis.
O impacto direto em milhões de empregos: o lado mais sensível da automação no delivery
A mesma eficiência que derruba custos pode pressionar o mercado de trabalho. Se uma parte crescente do delivery migrar para robôs e drones, o efeito tende a aparecer no volume de vagas disponíveis para entregadores humanos, principalmente em países e regiões com alto custo de mão de obra.
A base destaca esse risco de forma direta: milhares ou milhões de empregos podem ser afetados se o avanço da automação se confirmar na velocidade prevista, transformando não apenas o preço do delivery, mas também a estrutura do setor e a renda de quem hoje depende dessas entregas.
As próximas etapas: o que observar entre agora, 2030 e 2035
Até 2030, a projeção é que o delivery automatizado chegue a 2% das entregas globais, um salto relevante a partir de menos de 1%, mas ainda pequeno diante do mercado total. O marco de 2035, com 10%, já aponta para um impacto mais perceptível em custos, operação e emprego, caso a escala aconteça como previsto.
No curto prazo, a tendência é que as primeiras beneficiadas sejam as empresas que já estruturaram parcerias e infraestrutura. No médio e longo prazo, o resultado final deve depender de quantos robôs e drones efetivamente serão colocados em operação e se isso vai se traduzir em preços menores para o consumidor.
Se robôs e drones realmente derrubarem o custo do delivery, você acha que o preço vai cair para o cliente ou a principal mudança vai aparecer mesmo no emprego e nas margens das empresas?


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