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Cientistas investigaram o cérebro de roedores e encontraram uma pista curiosa sobre por que nossas memórias da primeira infância simplesmente somem com o tempo

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 08/07/2026 às 19:48 Atualizado em 08/07/2026 às 19:50
Ilustração científica mostra neurônios coloridos e altamente interconectados no hipocampo, representando as redes neurais estudadas para explicar por que as memórias da primeira infância desaparecem.
Representação ilustrativa de neurônios interligados no hipocampo. O estudo publicado na Nature Communications indica que a elevada conectividade cerebral nos primeiros anos de vida pode contribuir para o desaparecimento das memórias da primeira infância.
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Estudo publicado na Nature Communications analisou o hipocampo de roedores e apontou como redes neurais muito conectadas podem dificultar lembranças duradouras

Um estudo publicado na revista Nature Communications trouxe uma nova explicação para uma pergunta comum: por que não temos memórias da primeira infância?

A pesquisa, feita com pequenos roedores, indica que o cérebro não começa como uma página em branco. Pelo contrário, o hipocampo, região essencial para formar lembranças, já nasce com redes muito conectadas.

Conforme o estudo, essa hiperconectividade pode dificultar a permanência de memórias duradouras. Assim, experiências vividas nos primeiros anos podem perder estrutura conforme o cérebro amadurece.

A descoberta foi associada ao trabalho de pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria, com participação do neurocientista Peter Jonas, coautor do estudo.

Estudo analisou o centro da memória no cérebro

A pesquisa se concentrou no hipocampo, uma estrutura localizada no interior do cérebro. Essa região recebeu esse nome por ter formato semelhante ao de um cavalo-marinho.

Mais especificamente, os pesquisadores observaram o corno de Amon 3, conhecido como CA3.

Essa área tem papel central no armazenamento e na recuperação de memórias. Além disso, ela apresenta alta plasticidade neural.

Os neurônios conseguem fortalecer, enfraquecer e reorganizar suas conexões ao longo do tempo.

O que os cientistas observaram nos roedores

Para entender esse processo, os pesquisadores analisaram tecidos cerebrais de roedores em três fases da vida:

  • logo após o nascimento;
  • durante a adolescência;
  • na fase adulta.

Inicialmente, as redes do hipocampo eram muito densas e interligadas. Portanto, muitas conexões funcionavam ao mesmo tempo.

Com o crescimento, esse padrão mudou. As redes antes desordenadas passaram a se dividir em conexões mais esparsas, específicas e organizadas.

Durante a adolescência, houve uma queda importante na conectividade. Assim, o cérebro começou a refinar suas conexões de forma mais seletiva.

Por que as lembranças da infância desaparecem

Justamente essa transformação pode explicar a ausência de memórias da primeira infância.

No começo da vida, as lembranças seriam registradas em redes neurais muito amplas. Depois, com a reorganização do hipocampo, essas redes perdem parte da estrutura original.

Consequentemente, muitas experiências antigas se dissipam. Desse modo, o cérebro adulto não consegue recuperar essas lembranças com clareza.

Cérebro não nasce como uma tábula rasa

Segundo Peter Jonas, o sistema de memória não funciona como uma tábula rasa.

Em vez disso, ele começa como um grande emaranhado de conexões. Depois, gradualmente, torna-se mais esparso e conectado de maneira específica.

Portanto, a pesquisa muda a forma como os cientistas interpretam o início da memória.

O cérebro não apenas recebe informações do mundo. Ele já possui uma organização inicial que influencia como essas informações serão absorvidas.

Descoberta ajuda a entender o amadurecimento da memória

A pesquisa não afirma que o mesmo processo ocorre exatamente da mesma forma em humanos. Afinal, o estudo foi feito com roedores.

Ainda assim, os resultados ajudam a explicar como o desenvolvimento do hipocampo pode influenciar o esquecimento dos primeiros anos.

O estudo reforça que a falta de lembranças da infância não acontece por simples ausência de experiências.

Na verdade, ela pode estar ligada à maneira como o cérebro infantil organiza, modifica e refina suas conexões.

Por fim, a descoberta mostra que a memória começa de forma intensa, ampla e altamente conectada. Com o tempo, ela se torna mais seletiva.

Você se lembra de alguma cena muito antiga da infância ou tudo parece ter desaparecido com o tempo? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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