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De estudante de publicidade a parceiro da Havaianas: com R$ 1 mil, João Boto criou em Tailândia (PA) a Pink Boto e transformou açaí, jambu e botos em camisas esportivas

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 08/07/2026 às 19:45 Atualizado em 08/07/2026 às 19:47
Com R$ 1 mil, João Boto criou a Pink Boto em Tailândia (PA) e leva açaí, jambu e boto a camisetas esportivas; veja os números e a collab com a Havaianas.
Com R$ 1 mil, João Boto criou a Pink Boto em Tailândia (PA) e leva açaí, jambu e boto a camisetas esportivas; veja os números e a collab com a Havaianas.
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Com um investimento inicial de apenas R$ 1 mil aplicado em retalhos de tecido, João Victor Costa, de 28 anos, conhecido como João Boto, ergueu na cidade de Tailândia, no interior do Pará, uma das marcas de moda amazônica que mais chamam atenção no Brasil.

Segundo a PEGN, a Pink Boto foi fundada em 2019 pelas mãos de um então estudante de publicidade e hoje leva açaí, jambu e o boto cor de rosa para camisetas esportivas comercializadas em todo o país. Esta reportagem, de julho de 2026, detalha como esse caso de empreendedorismo no Pará chegou a uma parceria com a gigante Havaianas.

Segundo o Portal Tailândia, a marca traduz a identidade do Norte em peças que combinam modelagem retrô dos anos 1980, grafismos indígenas e símbolos do rio Tapajós. É importante frisar um detalhe geográfico: Tailândia, aqui, não é o país asiático, e sim um município paraense na Amazônia Oriental. O que começou como um experimento familiar, tocado por João Boto ao lado do marido, da mãe costureira (dona de uma fábrica de uniformes) e de uma prima, se transformou em um dos nomes mais comentados da moda amazônica autoral. A partir daqui, o texto destrincha o posicionamento, os números e a estratégia de marca por trás da Pink Boto.

Como a Pink Boto nasceu com R$ 1 mil em retalhos de tecido

João Victor fundou a Pink Boto em 2019, quando ainda era estudante de publicidade — Foto: Divulgação/Lucas Linhares
João Victor fundou a Pink Boto em 2019, quando ainda era estudante de publicidade — Foto: Divulgação/Lucas Linhares

A origem da Pink Boto é enxuta e cabe em uma planilha simples. O capital de arranque foi de R$ 1 mil, aplicado quase todo em retalhos de tecido que sobravam da produção têxtil local. João Boto ainda cursava publicidade quando decidiu testar a ideia, e a infraestrutura veio de dentro de casa: a mãe, costureira, é dona de uma fábrica de uniformes, o que deu à marca acesso imediato a máquinas, mão de obra qualificada e conhecimento de modelagem. Esse arranjo familiar reduziu o custo fixo de entrada e permitiu que o empreendedorismo no Pará ganhasse forma sem financiamento externo.

A primeira coleção teve apenas 40 peças. Era um lote pequeno, pensado para validar o conceito antes de escalar. A lógica foi a de qualquer negócio de moda em estágio inicial: produzir pouco, medir a resposta do consumidor e reinvestir o caixa. Desde o começo, a Pink Boto se posicionou como uma marca paraense de moda amazônica com identidade regional forte, e não como uma confecção genérica de camisetas. Essa escolha de posicionamento seria, mais tarde, o principal ativo do negócio, porque separou a marca da concorrência que compete apenas por preço.

O boto cor de rosa como identidade de marca

O nome da marca não é acaso. A Pink Boto se apoia na figura do boto cor de rosa, um dos maiores símbolos da fauna amazônica, e na rivalidade folclórica entre o Boto Cor de Rosa e o Boto Tucuxi, disputa cultural realizada em Santarém que funciona como um paralelo ao embate entre Caprichoso e Garantido, do festival de Parintins. Ao ancorar a identidade visual nessa disputa, João Boto transformou um elemento afetivo do Norte em plataforma de marca. Essa disputa dos botos, cheia de música e cor, dá à marca um enredo que o consumidor entende sem precisar de explicação.

Para o consumidor, a mensagem é direta: vestir a Pink Boto é vestir um pedaço da cultura do Norte. Esse tipo de amarração entre produto e território é o que diferencia a moda amazônica autoral das confecções que apenas estampam paisagens genéricas. A identidade regional deixa de ser enfeite e passa a ser o núcleo do negócio, o que sustenta preço, margem e fidelização do cliente.

Açaí, jambu e a Amazônia transformados em produto

Se o boto dá o nome, o cardápio amazônico dá as estampas. A Pink Boto trabalha referências como a flor de jambu, o açaí e outros alimentos típicos da região em suas camisetas esportivas. São elementos que qualquer paraense reconhece de imediato e que, para o público de fora, funcionam como um convite à cultura do Norte. A moda amazônica, nesse caso, opera como tradução visual de um modo de vida inteiro.

O acerto de João Boto está em tratar açaí e jambu não como clichê turístico, e sim como grafismo de moda. As peças da Pink Boto convertem esses símbolos em design contemporâneo, aplicável a uma camiseta esportiva que a pessoa usa no dia a dia. É o tipo de leitura que aproxima o empreendedorismo no Pará das discussões atuais sobre economia criativa, em que o repertório cultural local vira matéria-prima de produto de alto valor agregado.

Quanto fatura e quanto produz a Pink Boto?

Os números ajudam a entender o tamanho atual do negócio. A produção gira em torno de 700 peças por mês, volume que exige uma operação têxtil organizada e explica a importância da fábrica familiar na retaguarda. O tíquete médio da Pink Boto é de R$ 265, com camisetas que variam de R$ 200 a R$ 320, faixa de preço que posiciona a marca no segmento premium das camisetas esportivas de identidade regional. Na prática, um tíquete médio nesse patamar indica que o cliente enxerga valor na proposta e aceita pagar por uma peça com carga cultural, algo incomum no varejo de camisetas.

A venda acontece por e-commerce, o que amplia o alcance para muito além de Tailândia e do Pará. Esse desenho comercial é o que permite que uma marca paraense nascida no interior da Amazônia atenda pedidos de diferentes regiões sem depender de loja física. Para um caso de empreendedorismo no Pará, combinar produção enxuta, tíquete médio elevado e canal digital é uma equação de escala relevante.

A coleção esportiva Igapó e o posicionamento de mercado

Em 2024, a Pink Boto lançou a coleção esportiva Igapó, marco na consolidação da marca dentro do nicho de camisetas esportivas. O nome remete ao igapó, a floresta amazônica alagada, e reforça a estratégia de vincular cada linha a um elemento concreto do território. A coleção ajudou a firmar o posicionamento da marca como moda amazônica de apelo esportivo, e não apenas como vestuário casual.

O público principal da Pink Boto está no Norte, onde a identificação com os símbolos regionais é imediata. Mas a marca também vende para praças como São Paulo e Rio de Janeiro, o que mostra o apetite do Sudeste por moda amazônica autoral. Esse duplo mercado, base regional forte somada a demanda nacional, é um ativo comercial que João Boto conseguiu construir cedo, algo raro no empreendedorismo no Pará.

A parceria Pink Boto e Havaianas e outras collabs

Como uma marca do interior do Pará chega a uma collab com uma gigante nacional? A resposta passa pela consistência do posicionamento construído por João Boto. Entre as parcerias recentes da marca está uma colaboração com a Havaianas. Vale o registro de cautela: a informação disponível confirma que a parceria entre Pink Boto e Havaianas existe, mas não detalha produto, formato, datas ou valores, e este texto não especula sobre isso.

A parceria Pink Boto e Havaianas não é a única no currículo da empresa. A lista de colaborações inclui a cantora Gaby Amarantos, referência da cultura paraense, o Movimento Amazônia de Pé e a marca Glotto. Esse conjunto de collabs reforça a leitura de que a marca se tornou um interlocutor desejável para quem quer se associar à pauta amazônica. Para o empreendedorismo no Pará, ver uma marca local sentar à mesa com um nome do porte da Havaianas é um sinal de maturidade do setor.

Modelagem retrô, grafismos indígenas e a coleção Fruta Temporã

No plano do design, João Boto aposta em uma modelagem retrô inspirada nos anos 1980, combinada com grafismos indígenas e símbolos ligados ao rio Tapajós. Essa costura estética dá às peças da Pink Boto um ar autoral que dialoga tanto com a nostalgia quanto com a identidade amazônica, sem cair na cópia de padrões prontos. É um cuidado de linguagem visual que sustenta o preço praticado.

Outra frente é a coleção Fruta Temporã, que segue a lógica de nomear linhas a partir do repertório regional. Ao encadear coleções como Igapó e Fruta Temporã, a marca cria um calendário de lançamentos com narrativa própria, algo caro à moda amazônica que quer se manter relevante. Cada coleção vira um capítulo da mesma história de marca, o que ajuda a fidelizar quem já comprou uma peça da Pink Boto.

O que a Pink Boto tem a ver com o Brasil

A trajetória da Pink Boto interessa ao Brasil porque materializa uma tendência maior: a economia criativa e a moda amazônica autoral do Norte deixando de ser nicho para virar negócio com alcance nacional. Quando açaí, jambu e boto cor de rosa viram produto vendido de Belém a São Paulo, o que está em jogo é a valorização da identidade local como ativo econômico, e não apenas cultural. Não à toa, a moda autoral do Norte tem ganhado espaço em feiras, editoriais e no varejo digital.

Esse é um recado prático para o empreendedorismo no Pará e para todo o país. O caso mostra que uma marca paraense nascida em um município do interior, com R$ 1 mil de investimento, pode construir um posicionamento sólido, atingir um tíquete médio elevado e ainda fechar uma parceria Pink Boto e Havaianas. Para um país que discute como diversificar a economia, ver o empreendedorismo no Pará transformar repertório cultural em faturamento é um caso concreto de desenvolvimento que gera renda e emprego na região.

Os planos de expansão: calças, shorts e linha infantil

O roteiro de crescimento traçado por João Boto aponta para além das camisetas esportivas. Entre os planos da marca está a ampliação do portfólio com calças, shorts e uma linha infantil, movimento clássico de negócio que quer aumentar o tíquete por cliente e alcançar novos públicos dentro da mesma família. Diversificar categorias é a forma natural de escalar uma operação que já domina a produção de camisetas.

Se executada com o mesmo cuidado de identidade que marcou a fase inicial, a expansão pode consolidar a Pink Boto como uma casa completa de moda amazônica, e não apenas como uma marca de camiseta. Para o empreendedorismo no Pará, é a diferença entre um produto de sucesso e uma marca duradoura. O desafio, como em todo negócio de moda, será manter a coerência de posicionamento enquanto o catálogo cresce e novas categorias entram em cena.

E você, já tinha percebido como a identidade do Norte virou um ativo de moda que circula pelo Brasil inteiro? A história da Pink Boto mostra que açaí, jambu e boto cor de rosa cabem numa estratégia de marca tão bem quanto numa tigela. Se este conteúdo sobre moda amazônica e empreendedorismo no Pará fez sentido para você, deixe seu comentário, compartilhe com quem torce pela economia criativa da Amazônia e conte qual marca regional você gostaria de ver na próxima reportagem.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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