1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Robô submarino brasileiro trabalha sozinho a 3 mil metros de profundidade para inspecionar dutos no fundo do mar sem barcos de apoio; conheça o FlatFish
Faça um comentário 6 min de leitura

Robô submarino brasileiro trabalha sozinho a 3 mil metros de profundidade para inspecionar dutos no fundo do mar sem barcos de apoio; conheça o FlatFish

Imagem de perfil do autor Andriely Medeiros de Araújo
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 07/07/2026 às 17:24 Atualizado em 07/07/2026 às 17:26
Assista o vídeoFlatFish, AUV brasileiro desenvolvido por SENAI CIMATEC e Shell, recarrega no fundo do mar, opera sem cabos e deve atuar na Bacia de Campos.
FlatFish, AUV brasileiro desenvolvido por SENAI CIMATEC e Shell, recarrega no fundo do mar, opera sem cabos e deve atuar na Bacia de Campos. (imagem meramente ilustrativa gerada por IA).
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

FlatFish, AUV brasileiro desenvolvido por SENAI CIMATEC e Shell, recarrega no fundo do mar, opera sem cabos e deve atuar na Bacia de Campos.

A inspeção de dutos e equipamentos em águas profundas pode ganhar uma operação mais autônoma com o FlatFish, veículo submarino brasileiro criado para trabalhar no fundo do mar sem depender de apoio constante de embarcações. A tecnologia foi desenvolvida pelo SENAI CIMATEC em parceria com a Shell Brasil e o Instituto Alemão de Inteligência Artificial e Robótica.

O robô já opera comercialmente no Oriente Médio e tem um segundo modelo para o mercado brasileiro. A expectativa é que o equipamento avance para a Bacia de Campos, ampliando o uso de sistemas autônomos em inspeções offshore.

O diferencial está no modo de operação. O FlatFish pode permanecer instalado em uma estação submarina, recarregar baterias, trocar dados por conexão sem fio e sair sozinho para cumprir missões de monitoramento em dutos, risers, umbilicais e outros componentes submersos.

FlatFish reduz dependência de embarcações na inspeção offshore

O FlatFish foi projetado para executar inspeções visuais e monitorar estruturas submarinas complexas com menor necessidade de mobilização logística. Como não utiliza cabos umbilicais, o equipamento consegue operar sem a presença contínua de uma embarcação dedicada na superfície.

Essa característica muda a rotina de inspeção no setor offshore, tradicionalmente associada ao uso de mergulhadores, ROVs conectados por cabos e navios de suporte. Ao reduzir essa estrutura, o sistema também diminui custos operacionais e emissões ligadas ao uso de barcos a diesel.

A proposta é manter um robô residente no ambiente submarino, pronto para realizar missões de acompanhamento e voltar à base de acoplamento após concluir o trabalho. Essa lógica permite inspeções frequentes sem repetir toda a mobilização exigida por métodos convencionais.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O projeto do FlatFish começou em 2014, dentro de uma parceria entre SENAI CIMATEC, Shell Brasil e o Instituto Alemão de Inteligência Artificial e Robótica, conhecido pela sigla DFKI. A tecnologia recebeu financiamento por programas de pesquisa e desenvolvimento.

Durante a evolução do projeto, os testes passaram pela Baía de Todos-os-Santos. Em 2018, a tecnologia entrou em fase de industrialização sob licença da Saipem, dentro do programa Hydrone, voltado a veículos autônomos submarinos.

Em 2026, o robô já havia realizado testes para a Petrobras. Esse avanço aproxima a solução do uso comercial em águas ultraprofundas e reforça a presença da tecnologia brasileira em uma área estratégica para exploração offshore.

FlatFish pode operar a até 3 mil metros de profundidade

O equipamento é um AUV, sigla usada para veículos submarinos autônomos. No caso do FlatFish, a operação pode chegar a 3 mil metros de profundidade, permitindo atuação em áreas onde o acesso humano direto é inviável.

O robô se movimenta em diferentes direções e realiza inspeções com alta precisão. Para isso, utiliza sensores ópticos, sensores acústicos e câmeras de alta resolução, capazes de gerar imagens tridimensionais das estruturas monitoradas.

Esses dados ajudam a identificar anomalias com antecedência e permitem acompanhar a condição de dutos, risers, umbilicais e equipamentos instalados no fundo do mar. O objetivo é fornecer informações técnicas para manutenção preditiva.

Estação submarina permite recarga e troca de dados

Uma das características centrais do FlatFish é a possibilidade de permanecer submerso por até seis meses. Nesse período, o robô fica associado a uma estação de acoplamento, chamada de garagem submarina, onde recarrega baterias e transmite dados por conexão sem fio.

A operação segue uma lógica de ida e retorno autônomo. O equipamento deixa a estação, executa a missão programada e volta ao ponto de recarga sem necessidade de intervenção humana direta durante o ciclo.

Essa arquitetura permite manter o sistema mais próximo das estruturas que precisam ser monitoradas. Com isso, as inspeções podem ser realizadas de forma recorrente, sem depender sempre de deslocamento de embarcações até o local.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Os desenvolvedores e parceiros do projeto apontam ganhos em áreas importantes da operação offshore. A principal mudança está na retirada de pessoas de ambientes subaquáticos de alta pressão, reduzindo a exposição humana em tarefas de risco.

Também há impacto econômico, já que a dispensa de embarcações de apoio em grande parte das missões diminui gastos logísticos. A redução do uso de barcos a diesel ainda contribui para uma pegada de carbono menor em cada inspeção.

Entre os benefícios reportados estão:

  • Segurança operacional: reduz a exposição de mergulhadores a ambientes de alta pressão;
  • menor custo logístico: diminui a dependência de navios dedicados ao suporte;
  • baixas emissões: reduz o uso de embarcações a diesel durante inspeções;
  • dados técnicos: gera imagens 3D, medições de espessura de parede e informações de proteção catódica.

FlatFish muda comparação com ROVs e mergulhadores

A diferença entre o FlatFish e os métodos tradicionais aparece principalmente na autonomia. Enquanto mergulhadores dependem de limites físicos e ROVs costumam operar conectados por cabos, o AUV residente trabalha sem umbilical e com base própria no fundo do mar.

Nos métodos convencionais, a presença de uma embarcação de lançamento e suporte costuma fazer parte da operação. No modelo residente, a estação submarina assume parte dessa função, permitindo recarga, armazenamento temporário e troca de informações.

A comparação também envolve profundidade e tempo de missão. Mergulhos humanos são limitados, enquanto ROVs podem chegar a grandes profundidades, mas seguem presos à infraestrutura de apoio. O FlatFish combina alcance de até 3 mil metros com permanência prolongada no ambiente submarino.

Tecnologia integra o programa Hydrone da Saipem

O avanço industrial do FlatFish ocorre dentro do programa Hydrone, da Saipem. A iniciativa reúne veículos autônomos voltados a operações em grandes profundidades e coloca o robô brasileiro dentro de uma família de soluções para inspeção submarina.

A tecnologia já recebeu reconhecimento em premiações internacionais e despertou interesse de grandes operadoras globais. Esse movimento indica que o modelo de AUV residente começa a ganhar espaço em um setor historicamente dependente de embarcações, cabos e operações complexas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O FlatFish reúne características que apontam para uma nova etapa nas inspeções em águas profundas: residência submarina, recarga autônoma, transmissão sem fio de dados e capacidade de executar missões sem cabos umbilicais.

Ao substituir parte da logística tradicional por operação remota, o robô reduz a exposição humana, corta a necessidade de apoio constante na superfície e gera dados detalhados para manutenção preditiva. A proposta também contribui para reduzir emissões associadas às inspeções.

Com uso comercial no Oriente Médio e desenvolvimento ligado ao SENAI CIMATEC, Shell Brasil, DFKI e Saipem, o FlatFish consolida uma tecnologia brasileira voltada a tornar a operação offshore mais segura, eficiente e sustentável.

Com informações do Monitor do Mercado

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x