ROV SuBastian: veja as características do “robô” submarino que explora os oceanos a 4,5 km de profundidade.
Projetado exclusivamente para ciência, o ROV SuBastian é um veículo submarino operado à distância que consegue alcançar até 4.500 metros abaixo da superfície do mar. Desenvolvido em 2015 por engenheiros californianos e lançado oficialmente em 2016, o robô pertence ao Schmidt Ocean Institute — organização filantrópica voltada à exploração científica dos oceanos — e opera a partir do navio de pesquisa RV Falkor. Em mais de 400 mergulhos realizados ao redor do mundo, o equipamento tem possibilitado descobertas que seriam impossíveis sem ele.
Estrutura física do ROV SuBastian
O SuBastian tem dimensões próximas às de um carro compacto: 2,7 metros de comprimento por 1,8 metro de largura e altura. Apesar do tamanho relativamente contido, o veículo pesa 3.200 quilogramas — massa necessária para sustentar toda a estrutura de equipamentos científicos que carrega.

Para garantir que o robô flutue de maneira controlada durante o mergulho, sua estrutura é recoberta com espuma sintática, um material leve e resistente à pressão extrema das profundezas oceânicas. Essa propriedade de flutuabilidade é fundamental para que o veículo se mantenha estável durante as operações.
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Sistema de propulsão e movimentação
O deslocamento do SuBastian sob a água é feito por cinco propulsores que trabalham de forma coordenada. A distribuição é a seguinte: um propulsor é dedicado ao movimento lateral, dois controlam o avanço e o recuo do veículo, e os outros dois respondem pela movimentação vertical — ou seja, a subida e a descida durante o mergulho.
A velocidade de navegação varia entre 0,5 e 3 nós, unidade de medida marítima equivalente a 1,852 km/h cada. O ritmo depende da profundidade em que o robô opera e da intensidade das correntes oceânicas no momento da missão.
Conexão com o navio: o cabo umbilical
O SuBastian não opera de forma autônoma. Ele é conectado ao RV Falkor por meio de um cabo umbilical altamente flexível e resistente, que desempenha duas funções ao mesmo tempo: transmite sinais elétricos e ópticos entre o navio e o robô, garantindo comunicação e controle em tempo real durante todo o mergulho.
Para evitar que o cabo se enrole nas hélices do navio — o que poderia comprometer toda a operação —, o sistema conta com um mecanismo de cantilever. Essa solução de engenharia gerencia a tensão e o ângulo do cabo ao longo da missão, mantendo a segurança do equipamento.

Operação a bordo: cada mergulho exige ao menos dois pilotos especializados no navio. A duração média das missões já realizadas é de cerca de 8 horas, mas não há limite técnico definido para o tempo que o ROV SuBastian pode permanecer submerso.
Capacidades científicas do ROV SuBastian
Uma das principais características do SuBastian é sua adaptabilidade. O veículo pode receber diferentes sensores e instrumentos científicos conforme os objetivos de cada expedição, tornando-o útil para uma ampla variedade de pesquisas. Entre as funções que o robô é capaz de executar, estão:
- Gravação de vídeo em alta resolução 4K para documentação visual do ambiente submarino
- Coleta de amostras biológicas, geológicas e de água do mar em diferentes profundidades
- Mapeamento detalhado do relevo e das estruturas do fundo oceânico
- Caracterização físico-química da água, como temperatura, salinidade e pressão
- Produção de fotomosaicos — composições fotográficas de grande escala do fundo do mar
- Implantação e recuperação de equipamentos científicos deixados no oceano

Da construção aos primeiros mergulhos
O projeto do SuBastian foi iniciado em 2015 por uma equipe de engenheiros sediada na Califórnia. A construção levou cerca de 18 meses e, antes de qualquer operação em mar aberto, o veículo passou por testes em tanque no Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey, nos Estados Unidos.
O primeiro mergulho em águas profundas ocorreu em 2016, nas proximidades de Guam, no Oceano Pacífico. Desde então, o ROV SuBastian acumulou mais de 400 missões ao redor do mundo até 2020, permitindo que pesquisadores acessassem regiões remotas e identificassem novas espécies e formações geológicas ainda desconhecidas pela ciência.
