Pesquisadores da China desenvolveram uma retina artificial que devolveu parcialmente a visão a ratos cegos ao estimular diretamente o nervo óptico com nanofios de telúrio, abrindo caminho para um novo tratamento contra a cegueira retiniana.
O experimento foi conduzido por uma equipe multidisciplinar das universidades de Fudan, Posta e Telecomunicações de Pequim, Instituto de Física Técnica de Xangai e do laboratório Shaoxin. A inovação está na criação de uma malha de nanofios flexíveis de telúrio, instalada sobre a retina danificada.
Essa estrutura atua como um fototransdutor autônomo, capaz de converter luz em eletricidade sem a necessidade de baterias externas. A corrente gerada ativa diretamente o nervo óptico, permitindo que sinais visuais cheguem ao cérebro, promovendo percepção parcial de imagens.
Progresso registrado em testes com roedores
Durante os testes, os cientistas implantaram a retina artificial em roedores com cegueira induzida e monitoraram suas reações. Os resultados mostraram que os animais voltaram a reagir à luz, exibindo reflexos pupilares e até reconhecimento de padrões visuais.
-
Terremoto gigante volta a assombrar a Califórnia depois que estudo aponta falhas de San Andreas e San Jacinto no maior nível de estresse em 1.000 anos, com risco envolvendo Los Angeles e outras áreas populosas
-
Cientistas mapearam pela primeira vez a maior rede biológica do planeta, formada por fungos subterrâneos com 110 quatrilhões de km de extensão que transportam 4 bilhões de toneladas de CO₂ para o solo por ano
-
Para onde vai a luz quando você apaga a lâmpada? A resposta envolve partículas invisíveis chamadas fótons, que somem em frações de segundo dentro do quarto, mas podem viajar bilhões de anos pelo espaço até chegar aos nossos olhos
-
Partícula de luz que não deveria ser dividida surpreende físicos
Os sinais neurais captados por eletrodos indicaram uma reativação da atividade no córtex visual, algo ausente nos grupos de controle. A resposta dos animais à luz LED foi um dos indicadores mais consistentes da eficácia do implante.
A pesquisa também destacou que esses comportamentos não foram observados em ratos sem a prótese, reforçando a viabilidade do método como alternativa real aos dispositivos retinianos tradicionais.
Visão noturna e além da percepção humana
Outro aspecto promissor da tecnologia é sua capacidade de captar luz no espectro do infravermelho próximo, algo que não está ao alcance da visão humana. Isso levanta a possibilidade de uso futuro para ampliar a visão em ambientes com pouca luz.
Tal funcionalidade pode ser aplicada não apenas na medicina, mas também em contextos de segurança, mobilidade noturna e até operações militares, oferecendo vantagens além da simples restauração da visão.
A ideia de uma retina artificial que melhora as capacidades visuais naturais pode, no futuro, alterar o próprio conceito de normalidade da visão, indo além da reabilitação sensorial.
Avanço estratégico no uso de materiais semicondutores
A escolha do telúrio como elemento-chave é um dos destaques técnicos do projeto. Esse semicondutor possui propriedades fotovoltaicas únicas e é biocompatível, o que o torna ideal para aplicações médicas intracorpóreas.
O fato de o dispositivo funcionar sem fontes externas de energia representa uma ruptura com os modelos de próteses tradicionais, geralmente dependentes de alimentação elétrica e estruturas rígidas, menos compatíveis com os tecidos oculares.
Conforme reportagem publicada pelo portal HDblog, os pesquisadores reforçam que, embora os testes estejam em fase inicial e restritos a modelos animais, o potencial da tecnologia é inegável e já chama a atenção da comunidade científica internacional.

-
-
3 pessoas reagiram a isso.