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Após permanecer invisível desde a era em que a Terra se recuperava da maior extinção em massa conhecida, um réptil microscópico foi identificado no Brasil a partir de um fóssil de apenas 9,5 milímetros

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 02/02/2026 às 10:20
Pesquisador segura fóssil microscópico de réptil do Triássico encontrado no sul do Brasil com apenas 9,5 milímetros
Crânio fossilizado de apenas 9,5 milímetros revelou o Sauropia macrorhinus, réptil que viveu no sul do Brasil há cerca de 240 milhões de anos
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Um crânio menor que uma unha humana revelou uma nova espécie de réptil do Triássico no sul do Brasil e ampliou a compreensão sobre a vida terrestre há 240 milhões de anos

Logo no início, um achado microscópico chamou a atenção da paleontologia. Pesquisadores identificaram um crânio fossilizado de apenas 9,5 milímetros, menor do que uma unha humana, que revelou uma nova espécie de réptil extinto do Triássico Médio, período datado de cerca de 240 milhões de anos atrás. O fóssil surgiu em Novo Cabrais, no interior do Rio Grande do Sul, e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria conduziram a análise.

Estudo publicado reforça relevância internacional

Em 2026, a equipe publicou os resultados no periódico científico Scientific Reports. Mesmo extremamente pequeno, o crânio preserva detalhes anatômicos suficientes para permitir a identificação de um animal inédito para a ciência, batizado de Sauropia macrorhinus.

Menor tetrápode do Triássico já registrado na região

O crânio fossilizado do Sauropia macrorhinus. (Rodrigo Temp Müller/Divulgação)

Desde já, o achado se destaca porque representa o menor tetrápode já registrado em depósitos triássicos da América do Sul. Tetrápodes incluem vertebrados com quatro membros, como anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Assim, o fóssil amplia o registro de animais de pequeno porte em um período conhecido pela predominância de espécies maiores.

Vida terrestre após a maior extinção da história

Entre 251 e 201 milhões de anos atrás, os ecossistemas terrestres se recuperavam da maior extinção em massa da história da Terra, ocorrida no final do Permiano. Naquele momento, os continentes ainda formavam o supercontinente Pangeia, enquanto grandes herbívoros e predadores, que não eram dinossauros, dominavam os ambientes terrestres.

Aparência e hábitos do novo réptil

Mesmo assim, o novo fóssil mostra que organismos diminutos também integravam essas cadeias ecológicas. A partir do tamanho do crânio, os pesquisadores estimaram que o Sauropia macrorhinus alcançava cerca de 5 centímetros de comprimento total. Em vida, o animal provavelmente lembrava um lagarto muito pequeno, com locomoção em quatro patas e olhos relativamente grandes.

Dieta indicada pela anatomia do crânio

Além disso, narinas proporcionalmente amplas e dentes simples, retos e em forma de pino indicam uma dieta baseada em insetos e pequenos invertebrados. Esse padrão alimentar se alinha ao comportamento de répteis de pequeno porte do Triássico.

Tecnologia avançada permitiu análise detalhada

No entanto, as dimensões reduzidas do fóssil impuseram desafios técnicos relevantes. A equipe limpou o crânio manualmente com agulhas, sempre sob lupas de aumento. Ainda assim, a observação direta não revelou todas as estruturas internas. Por isso, os pesquisadores aplicaram tomografias computadorizadas de alta resolução e produziram modelos tridimensionais detalhados.

Classificação evolutiva surpreende pesquisadores

Com base nos modelos em 3D, os cientistas identificaram um conjunto exclusivo de características anatômicas, ausentes em outras espécies conhecidas. Assim, confirmaram a inclusão do novo réptil no grupo Procolophonoidea, pertencente à linhagem dos pararépteis.

Grupo raro sobreviveu à extinção em massa

Os pararépteis não eram dinossauros nem pterossauros. Eles formavam uma linhagem distinta, que evoluiu em paralelo a esses grupos mais conhecidos. Segundo o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, líder do estudo, esse grupo chama atenção por ter sobrevivido à maior extinção da história da vida na Terra.

Papel ecológico ajuda a entender cadeias alimentares

No Triássico Médio da América do Sul, os procolofonoides aparecem raramente no registro fóssil. Até agora, os pesquisadores haviam descrito apenas duas espécies para esse intervalo temporal. A equipe também considera que o exemplar analisado represente um indivíduo jovem, hipótese que inspirou o nome Sauropia, enquanto macrorhinus faz referência direta às narinas grandes.

Pequeno réptil pode ter sido presa de predadores locais

Por fim, o achado ajuda a reconstruir as relações ecológicas do Triássico no Rio Grande do Sul. De acordo com o estudo, o Sauropia macrorhinus provavelmente integrou a dieta de predadores de pequeno porte, como Parvosuchus aurelioi, um réptil aparentado aos crocodilos descrito recentemente para a mesma região, esclarecendo quem predava quem nos ecossistemas daquele período remoto.


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Nilza Dias Oliveira
Nilza Dias Oliveira
02/02/2026 14:57

Gostaria de saber como esse fósil foi encontrado e identificado como tal. Sendo tao pequeno , somente gente especializada poderia reconhecer que se trata de um cerebro fossilizado.

Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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