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Depois de mais de 11 anos orbitando Marte, a NASA declarou perdida a sonda MAVEN, que sumiu ao passar por trás do Planeta Vermelho em dezembro, começou a girar de forma anormal, esgotou as baterias e nunca mais respondeu aos controladores na Terra

Publicado em 04/06/2026 às 00:12
Atualizado em 04/06/2026 às 00:17
A NASA declarou perdida a sonda MAVEN, que orbitava Marte, estudava a atmosfera marciana e retransmitia dados do Perseverance, após anomalia e falha das baterias.
A NASA declarou perdida a sonda MAVEN, que orbitava Marte, estudava a atmosfera marciana e retransmitia dados do Perseverance, após anomalia e falha das baterias.
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A NASA declarou irrecuperável a sonda MAVEN, que orbitava Marte havia mais de 11 anos e estudava a atmosfera marciana. A espaçonave, que também retransmitia dados de rovers como o Perseverance, sumiu em dezembro ao passar atrás do planeta, girou de forma anormal e esgotou as baterias.

A NASA encerrou oficialmente uma de suas missões mais importantes em Marte. A agência espacial americana declarou nesta quarta-feira (3) que a sonda MAVEN, que estudava a atmosfera marciana, está irrecuperável, meses depois de perder contato com a espaçonave em dezembro.

Segundo a NASA, a MAVEN passou mais de 11 anos orbitando o planeta e operou por quase uma década além do previsto. Além de investigar a atmosfera marciana, ela ajudava a retransmitir à Terra os dados de rovers como o Perseverance, papel que agora ficará a cargo de outras espaçonaves.

O que aconteceu com a sonda MAVEN

Conceito artístico da sonda MAVEN da NASA em Marte. A sonda entrou em órbita ao redor do planeta em 2014 e completou mais de onze anos de observações da alta atmosfera marciana, da ionosfera e das interações com o Sol e o vento solar para explorar a perda da atmosfera do Planeta Vermelho para o espaço.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Colorado/Laboratório de Física Atmosférica e Espacial
Conceito artístico da sonda MAVEN da NASA em Marte. A sonda entrou em órbita ao redor do planeta em 2014 e completou mais de onze anos de observações da alta atmosfera marciana, da ionosfera e das interações com o Sol e o vento solar para explorar a perda da atmosfera do Planeta Vermelho para o espaço.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Colorado/Laboratório de Física Atmosférica e Espacial

O último sinal chegou em 6 de dezembro, logo após a espaçonave passar por trás de Marte. Até ali, a telemetria mostrava todos os sistemas funcionando normalmente.

O problema é que, quando a MAVEN deveria reaparecer do outro lado do planeta, a Rede de Espaço Profundo da NASA não captou nenhum sinal de volta.

Ao analisar os dados de rádio gravados, os engenheiros encontraram pistas do desastre. A sonda havia entrado em modo de segurança e girava a uma velocidade anormalmente alta, o que perturbou sua órbita e drenou as baterias. Sem energia, o sistema de comunicação simplesmente apagou.

Uma comissão de revisão, formada em fevereiro, concluiu que a espaçonave não tinha mais como se recuperar, embora a causa principal da anomalia ainda esteja sob investigação, com relatório final previsto para este ano.

Uma década estudando a atmosfera marciana

Lançada em novembro de 2013 e em órbita desde setembro de 2014, a MAVEN foi a primeira missão dedicada exclusivamente a entender a atmosfera marciana e como ela evoluiu.

Os cientistas usaram a sonda para investigar como a atividade solar arrancou partículas da atmosfera marciana ao longo de bilhões de anos, ajudando a explicar uma das maiores perguntas sobre o Planeta Vermelho.

Os resultados foram valiosos. A missão ajudou a compreender como Marte deixou de ser um mundo mais úmido e potencialmente habitável para se tornar o planeta frio e seco de hoje, além de revelar detalhes sobre a história climática e o destino da água que um dia existiu por lá.

Durante a fase estendida, a MAVEN chegou até a observar um raro cometa interestelar, mostrando versatilidade muito além do plano original de apenas um ano de operação.

O papel de retransmissão para Curiosity e Perseverance

A MAVEN não trabalhou sozinha. Além da ciência, ela funcionava como uma ponte de comunicação, retransmitindo à Terra os dados coletados na superfície pelos rovers Perseverance e Curiosity.

Esse apoio permitia que os cientistas recebessem um volume maior de informações e fortalecia os elos entre as várias missões da NASA em Marte.

A sonda era uma de cinco espaçonaves usadas como retransmissoras no planeta. As outras quatro, ainda ativas, seguem garantindo essa função, o que evita que a perda da MAVEN deixe os rovers isolados.

Na prática, o trabalho do Perseverance e do Curiosity continua, agora apoiado por orbitadores como o Odyssey e o MRO, da própria NASA, e por sondas europeias.

O legado da NASA com a MAVEN e o que vem agora

Mesmo encerrada, a missão deve render frutos por muito tempo. Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA, afirmou que os dados da MAVEN continuarão a oferecer informações importantes sobre Marte por décadas, inclusive para entender as condições de radiação que astronautas poderão enfrentar em futuras viagens tripuladas ao Planeta Vermelho.

A investigadora principal da missão, Shannon Curry, destacou o impacto científico duradouro e a melhora expressiva no conhecimento sobre a atmosfera marciana e a evolução dos planetas. A NASA ainda pretende arquivar todo o conjunto de dados da sonda para que pesquisadores sigam usando o material em novos estudos.

Fica a lição agridoce: a MAVEN se perdeu, mas viveu muito além do esperado e deixou um legado difícil de apagar.

O fim da MAVEN mostra como até as missões mais bem-sucedidas têm um ponto final, mas também o quanto uma sonda pode ensinar sobre Marte.

Conte nos comentários se você acha que a NASA deveria priorizar novas missões de estudo da atmosfera marciana ou acelerar logo a chegada de astronautas ao Planeta Vermelho.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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