Relatório interno do Pentágono avalia que China pode neutralizar porta-aviões da classe Gerald R. Ford usando mísseis hipersônicos, ataques cibernéticos e ações antissatélite, ampliando riscos à projeção naval dos EUA
O Pentágono divulgou novas informações sobre cenários em que as forças armadas da China poderiam neutralizar ou afundar porta-aviões da classe Gerald R. Ford, avaliados em US$ 12,8 bilhões, segundo simulações internas que analisam impactos estratégicos para a Marinha dos EUA.
As conclusões constam de uma avaliação interna vazada, conhecida como Relatório de Superação, baseada em simulações computacionais de múltiplos cenários de conflito envolvendo grupos de ataque de porta-aviões dos Estados Unidos e forças chinesas.
Segundo o relatório, o Exército de Libertação Popular poderia, sob ampla variedade de condições operacionais, neutralizar ou afundar até mesmo os porta-aviões mais avançados da Marinha americana, comprometendo missões navais em conflitos de grande escala.
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Estratégia multifacetada para sobrecarregar defesas navais
A avaliação do Pentágono indica que a China não dependeria de uma única arma ou tática, mas empregaria uma campanha multifacetada combinando mísseis, operações cibernéticas e ataques a ativos espaciais dos EUA.
De acordo com o estudo, ações coordenadas visariam sobrecarregar as defesas americanas, explorando vulnerabilidades em sistemas de comando, controle, comunicação e vigilância utilizados pelos grupos de ataque de porta-aviões em operações marítimas.
Um dos principais achados envolve o papel decisivo de operações cibernéticas e antissatélite contra sistemas espaciais americanos empregados para vigilância, comunicação e navegação em ambientes de combate no mar.
Segundo o relatório, ataques chineses a esses satélites reduziram significativamente a capacidade das forças dos EUA de rastrear alvos, coordenar movimentos e gerenciar batalhas navais de forma eficaz.
Sem apoio espacial confiável, os grupos de ataque enfrentaram dificuldades no direcionamento de alvos, planejamento de rotas e condução de operações aéreas, tornando-se vulneraveis a ataques subsequentes coordenados.
Arsenal de mísseis antinavio e hipersônicos
O relatório destaca o crescente arsenal de armas antinavio da China, com ênfase em mísseis balísticos e hipersônicos projetados especificamente para ameaçar grandes navios de combate de superfície.
Entre os sistemas citados estão os mísseis balísticos antinavio terrestres DF-21D e DF-26, o míssil YJ-21 implantado em destróieres e submarinos, além de variantes transportadas por bombardeiros H-6.
O estudo enfatiza a natureza complementar dessas forças, combinando mísseis antinavio de baixo custo lançados em grande número para saturar defesas com sistemas avançados capazes de penetrá-las e desferir golpes decisivos.
Analistas estimam que o Exército Popular de Libertação possua atualmente até 600 mísseis hipersônicos, capazes de viajar a mais de cinco vezes a velocidade do som enquanto manobram em voo.
Essas características tornam os mísseis extremamente difíceis de interceptar pelos sistemas de defesa atuais empregados pelos grupos de ataque de porta-aviões dos Estados Unidos.
De acordo com as simulações, forças chinesas poderiam coordenar salvas de diferentes tipos de mísseis utilizando dados de localização fornecidos por satélites, radares de longo alcance e aeronaves não tripuladas.
Esses sistemas criariam zonas de engajamento sobrepostas ao redor de um grupo de ataque, aumentando drasticamente a probabilidade de neutralização dos navios antes da conclusão de suas missões.
Vulnerabilidades estruturais da projeção de poder naval
O Relatório Overmatch Brief também aponta desafios estruturais mais amplos enfrentados pelos EUA em termos de projeção de poder militar em cenários de alta intensidade.
Ativos de alto valor, como porta-aviões, caças de quinta geração e grandes satélites, são descritos como cada vez mais vulneráveis a armas relativamente baratas produzidas em grande escala pela China.
Segundo o relatório, uma vez que nós principais sejam danificados ou destruídos, a eficácia de toda a força pode se degradar rapidamente, afetando operações conjuntas e sustentadas.
Os porta-aviões da classe Gerald R. Ford são descritos como plataformas críticas e vulneráveis, com impacto significativo caso um único navio seja perdido em conflito de grande porte.
A avaliação observa que a perda de um porta-aviões reduziria de forma substancial o poder aéreo disponível da Marinha dos EUA, tornando esses navios alvos prioritários em confrontos futuros.
A Marinha planeja adquirir 10 porta-aviões da classe Ford, cada um com custo estimado de US$ 12,8 bilhões, como espinha dorsal de sua futura frota naval.
O relatório também levanta preocupações sobre planejamento militar e capacidade industrial dos EUA, sugerindo dificuldades para acompanhar a escala e diversidade das forças de mísseis chinesas.
As conclusões coincidem com demonstrações recentes das capacidades militares da China, incluindo a exibição de novos mísseis hipersônicos em desfile militar de outubro e imagens divulgadas em novembro do míssil DF-27.
Espera-se que o DF-27 amplie o alcance de ataques antinavio terrestres para até 8.000 quilômetros, quase 5.000 milhas, segundo o relatório analisado pelo Pentágono.
O Pentágono não comentou oficialmente o vazamento, mas as conclusões reforçam preocupações persistentes na comunidade de defesa dos EUA sobre o desafio crescente da China ao poder naval americano no Pacífico.

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