1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Refugiados ucranianos na Alemanha estão montando drones de guerra em fábrica perto de Munique para enviar de volta ao seu próprio país com meta de produzir 10 mil unidades até o final de 2026 e alguns já voltaram centenas de vezes da linha de frente
Faça um comentário 5 min de leitura

Refugiados ucranianos na Alemanha estão montando drones de guerra em fábrica perto de Munique para enviar de volta ao seu próprio país com meta de produzir 10 mil unidades até o final de 2026 e alguns já voltaram centenas de vezes da linha de frente

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 06/04/2026 às 12:36 Atualizado em 06/04/2026 às 12:39
Assista o vídeoRefugiados ucranianos montam drones de guerra em fábrica na Alemanha para enviar à linha de frente. Meta: 10 mil unidades até 2026. Conheça o drone Linza.
Refugiados ucranianos montam drones de guerra em fábrica na Alemanha para enviar à linha de frente. Meta: 10 mil unidades até 2026. Conheça o drone Linza.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A fábrica na Baviera é a primeira no mundo a produzir drones ucranianos fora da Ucrânia e emprega dezenas de refugiados que montam o modelo Linza um drone logístico capaz de voar até 20 quilômetros e carregar 3 quilos de suprimentos para tropas na linha de frente voltando intacto centenas de vezes

Segunda informações do Canal Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade em uma oficina perto de Munique, na Baviera, dezenas de refugiados ucranianos montam drones de guerra que serão enviados de volta ao seu próprio país. A fábrica é a primeira no mundo autorizada a produzir drones ucranianos fora da Ucrânia, fruto de uma parceria entre a alemã Quantum Systems e a ucraniana Frontline Robotics. O modelo produzido ali se chama Linza um drone logístico de 4 kg projetado para levar água, baterias, kits de primeiros socorros e outros suprimentos essenciais às tropas na linha de frente.

O que torna esses drones diferentes da maioria dos que aparecem nas imagens da guerra é que eles voltam. Alguns exemplares do Linza já retornaram centenas de vezes com sucesso após missões de entrega, um detalhe que parece simples mas representa uma economia operacional enorme num conflito onde a maioria dos drones é descartável. A meta do projeto é produzir e entregar até 10 mil drones até o final de 2026 e a equipe que os constrói tem uma motivação que vai muito além do salário.

Quem está por trás da produção dos drones na fábrica alemã

A operação é coordenada por um ucraniano de 40 anos que morava na Alemanha antes da invasão russa em larga escala de fevereiro de 2022. Construtor experiente de aeromodelos, ele rapidamente redirecionou suas habilidades para a fabricação de drones militares quando a guerra começou.

Nos primeiros meses após a invasão, sua equipe produziu cerca de 100 drones bombardeiros capazes de voar 15 quilômetros com 5 kg de carga tudo coordenado da Alemanha.

A fábrica atual emprega 60 pessoas, com planos de expansão para 200. A maioria são ucranianos, muitos deles refugiados que fugiram da guerra.

“Contratamos pessoas motivadas que não precisam que lhes digam por que isso é importante”, explica o coordenador, cujo rosto não é divulgado por razões de segurança. A motivação é o critério principal de seleção habilidades técnicas podem ser ensinadas, mas o comprometimento com a causa precisa vir de dentro.

A história de Anastasia e os refugiados que montam drones para libertar seu país

Entre os trabalhadores da linha de montagem está Anastasia, engenheira mecânica de 35 anos de Zaporíjia. Antes da invasão, ela trabalhava com TI.

Quando os bombardeios e cortes de energia se tornaram constantes, pediu demissão e começou a atuar como voluntária para o Exército ucraniano. Depois de dois anos tentando conciliar voluntariado com trabalhos extras, mudou-se para a Alemanha e passou por um supermercado e uma fábrica antes de entrar na linha de produção de drones.

Hoje, Anastasia lidera uma equipe de seis pessoas a maioria refugiados do leste da Ucrânia. “Para mim, isto é mais do que um trabalho. Tenho vindo também aos sábados. Temos um objetivo: libertar o nosso país”, disse ela.

Os drones que sua equipe monta serão enviados para a mesma região de onde ela fugiu. É uma conexão pessoal com o trabalho que transforma cada unidade produzida em algo mais do que hardware militar.

Como o drone Linza funciona e por que ele é tão requisitado na linha de frente

O Linza é um drone totalmente desenvolvido na Ucrânia, projetado especificamente para apoio logístico em combate.

Pesa cerca de 4 kg, pode voar de 15 a 20 quilômetros e transportar até 3 quilos de carga útil água, baterias, kits de primeiros socorros, telefones celulares ou, potencialmente, munições. O componente-chave, segundo os engenheiros, é o sistema de entrega de carga que se acopla na parte inferior do drone.

O que o diferencia da maioria dos drones usados na guerra da Ucrânia é a reutilização. Enquanto drones FPV kamikaze são destruídos no impacto, o Linza foi projetado para retornar intacto após cada missão e alguns exemplares já completaram centenas de voos de ida e volta com sucesso. Isso reduz drasticamente o custo por missão e a pressão sobre a cadeia de produção.

Na oficina alemã, os trabalhadores montam cada unidade, testam câmeras e sistemas de orientação e preparam os drones para testes de laboratório e voo ao ar livre antes do envio à Ucrânia.

A parceria germano-ucraniana que irritou a Rússia e pode se expandir pela Europa

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A fábrica foi inaugurada oficialmente em fevereiro pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e pelo ministro da Defesa alemão Boris Pistorius.

O início da cooperação provocou reação furiosa na mídia russa sinal de que a produção de drones ucranianos em solo europeu é percebida por Moscou como uma escalada significativa.

Por enquanto, todos os drones produzidos na Baviera são destinados à Ucrânia. Mas a ambição vai além. A Quantum Systems e a Frontline Robotics esperam que o Linza eventualmente seja fornecido também para as forças armadas alemãs e de outros países europeus, o que transformaria essa fábrica de refugiados num modelo de cooperação militar internacional.

O projeto é descrito como a primeira de várias parcerias que a Ucrânia pretende lançar para expandir a produção de drones por toda a Europa descentralizando a fabricação para fora do alcance dos mísseis russos e garantindo que a linha de produção continue mesmo sob ataque.

O que você acha dessa fábrica de drones montada por refugiados ucranianos na Alemanha? Esse modelo deveria ser replicado em outros países europeus? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x