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Governo Milei lança operações policiais surpresa nas ruas da Argentina para caçar imigrantes sem documentos, mas os próprios dados do governo revelam que apenas 4% estavam irregulares críticos dizem que é cópia da política de Trump sem necessidade real

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 06/04/2026 às 00:05 Atualizado em 06/04/2026 às 00:09
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Milei lança operações policiais contra imigrantes na Argentina, mas só 4% estavam irregulares. Críticos comparam com Trump. Entenda os dados e a polêmica.
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O governo de Milei começou a fazer batidas policiais em bairros de Buenos Aires para verificar documentação de imigrantes mas nas primeiras operações apenas 4% estavam irregulares enquanto a imigração na Argentina vem caindo há anos e especialistas afirmam que a política é réplica do modelo Trump sem justificativa nos dados reais

Desde janeiro, a Argentina de Milei colocou policiais nas ruas para realizar operações surpresa de controle migratório abordando imigrantes para verificar se seus documentos estão em ordem. Segundo informações do Canal DW Español, quem está irregular recebe uma notificação para regularizar a situação, e quem não cumpre pode ser deportado. Mas os próprios resultados dessas operações contam uma história diferente da narrativa que as justifica: nas primeiras batidas, apenas 4% dos imigrantes abordados estavam em situação irregular.

O dado é relevante porque a retórica que sustenta a política de Milei se apoia em afirmações que os números oficiais não confirmam. Nas redes sociais, circula o discurso de que 70% dos moradores de favelas argentinas são estrangeiros ilegais mas os dados oficiais mostram que apenas 10% dos residentes de assentamentos informais são estrangeiros, e cerca de 7% do total de imigrantes no país não possui documentos completos. A distância entre o discurso e a realidade levou especialistas em imigração a classificar a política de Milei como uma réplica do modelo Trump aplicada a um contexto onde a necessidade não existe.

O que Milei está fazendo com os imigrantes nas ruas de Buenos Aires

As operações policiais surpresa acontecem em bairros populares da região metropolitana de Buenos Aires. A mais recente ocorreu em Ingeniero Budge, um bairro de baixa renda onde a retórica anti-imigração encontra apoio entre parte dos moradores.

Policiais abordam imigrantes nas ruas, verificam documentação e orientam quem está irregular a iniciar o processo de regularização. Não há relatos de violência nas operações até o momento.

O governo de Milei trata as batidas como medida de segurança e ordenamento migratório. Na legislação do partido, a justificativa é que qualquer pessoa que queira viver na Argentina seja para turismo, trabalho ou moradia deve cumprir todas as regras e leis do país.

Mas o que os dados mostram é que a imensa maioria dos imigrantes abordados está com documentação em dia, o que levanta a pergunta: se apenas 4% são irregulares, para quem essas operações realmente são direcionadas?

O que os moradores dos bairros onde Milei faz as operações pensam

A opinião nos bairros onde as batidas acontecem é dividida. Parte dos moradores argentinos apoia os controles de Milei, argumentando que outros países também exigem documentação e que a Argentina historicamente foi permissiva demais com a entrada de estrangeiros.

“Acho que este é o único país que permite a entrada de todos e que todos podem receber atendimento médico sem documentação”, disse um morador durante as operações.

Mas entre os imigrantes, o clima é de medo. A maioria dos estrangeiros não quis falar com jornalistas. Os poucos que se manifestaram expressaram sentimentos contraditórios.

Alguns reconhecem que o controle faz sentido para quem comete crimes, mas questionam por que a polícia de Milei vai a bairros onde as pessoas estão trabalhando em vez de focar em quem de fato representa risco. “Eles deveriam ser mais eficazes em prender pessoas que cometem crimes do que vir a lugares onde as pessoas estão apenas trabalhando”, disse um imigrante abordado.

Os números que contradizem a narrativa de Milei sobre imigração

Os dados oficiais pintam um quadro muito diferente do que a retórica do governo de Milei sugere. A população estrangeira na Argentina era de 4,5% no censo de 2010 e caiu para 4% em 2022 ou seja, a imigração está diminuindo, não aumentando.

Os pedidos de residência caíram pela metade entre 2018 e 2025, resultado direto das repetidas crises econômicas que tornaram a Argentina menos atrativa para imigrantes da região.

Apenas 0,2% dos estrangeiros no país estão presos. Os principais grupos de imigrantes paraguaios, venezuelanos, bolivianos e peruanos vêm em números cada vez menores.

Especialistas em imigração afirmam que Milei colocou a imigração na agenda política argentina quando ela já estava em declínio natural, e que a pauta serve mais como ferramenta de mobilização política do que como resposta a um problema real.

A Argentina, que já foi o principal país receptor de migrantes da América do Sul, está perdendo essa posição por razões econômicas não por falta de controle.

Por que críticos dizem que Milei está copiando Trump

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A comparação com Donald Trump não vem apenas de analistas externos o próprio serviço de imigração americano, o ICE, classificou a política de Milei como uma imitação do modelo de deportações dos Estados Unidos.

Especialistas em migração descrevem a abordagem como “uma replicação em todos os sentidos possíveis do que está acontecendo nos Estados Unidos”, aplicada a um contexto completamente diferente.

Nos EUA, a fronteira com o México recebe milhões de travessias por ano e a imigração irregular é um fenômeno de escala massiva. Na Argentina, a imigração está em queda e os números de irregulares são residuais.

A crítica central é que Milei importou uma solução para um problema que o país não tem na escala que o discurso sugere, e que a política tem mais a ver com posicionamento ideológico e eventual campanha de reeleição em 2027 do que com uma necessidade real de controle migratório.

Os relatórios policiais que destacam a nacionalidade dos detidos alimentam a narrativa, mas os números absolutos não sustentam a tese de uma crise migratória.

O que você acha: a política de Milei contra imigrantes é justificada ou é cópia desnecessária do modelo Trump?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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