A Refinaria Riograndense, no RS, acelera a transição para biorrefinaria com testes industriais, investimento bilionário e foco em combustíveis renováveis, diesel verde e SAF, impulsionando a energia limpa no Brasil
A Refinaria Riograndense, localizada no município de Rio Grande, no RS, avançou de forma decisiva ao longo de 2025 no processo que pode transformá-la na primeira biorrefinaria do Brasil. Com investimentos estimados em R$ 5,5 bilhões, o projeto aposta na produção de combustíveis renováveis, como diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF), alinhando o refino nacional às metas globais de descarbonização.
Os testes industriais realizados confirmaram a viabilidade técnica e ambiental do projeto. As informações foram detalhadas em reportagem do jornal A Hora do Sul neste sábado (27), que acompanhou os experimentos, os planos de investimento e as declarações da diretoria da refinaria.
Refinaria Riograndense fortalece a transição energética no RS
Com 88 anos de operação, a Refinaria Riograndense carrega um papel histórico no setor energético brasileiro. Em 2025, porém, a unidade passou a ser reconhecida também como um dos principais vetores da transição energética no RS, ao acelerar sua conversão para biorrefinaria.
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A localização estratégica, integrada ao Porto de Rio Grande, amplia o potencial logístico da planta. Essa condição facilita tanto o recebimento de matérias-primas renováveis quanto o escoamento de combustíveis renováveis para o mercado internacional, fator essencial para a competitividade do projeto.
Testes industriais confirmam viabilidade da biorrefinaria
O processo de transformação da Refinaria Riograndense começou ainda em maio de 2023, quando a unidade realizou um teste pioneiro ao processar 100% de óleo de soja em sua unidade de craqueamento catalítico fluido (FCC). O experimento resultou na primeira produção e comercialização de Bio-GLP do Brasil, utilizando tecnologia desenvolvida pela Petrobras.
Em 2025, dois novos testes elevaram o projeto da biorrefinaria a um patamar industrial mais avançado. Os resultados comprovaram maturidade técnica, segurança operacional e conformidade ambiental, atendendo a padrões exigidos pelo mercado internacional de combustíveis renováveis.
Refinaria Riograndense e o uso de biomassa não alimentar
O primeiro teste de 2025 ocorreu em fevereiro e envolveu o coprocessamento de carga mineral com 5% de bio-óleo, uma matéria-prima avançada obtida a partir de biomassa não alimentar. Com isso, a Refinaria Riograndense tornou-se a primeira do país a produzir combustíveis a partir de celulose.
Esse avanço amplia o leque de matérias-primas possíveis, incluindo madeira e resíduos agrícolas, altamente abundantes no RS. Além disso, reforça o caráter sustentável da futura biorrefinaria, ao reduzir a dependência de insumos alimentares e ampliar o reaproveitamento de resíduos.
Combustíveis renováveis produzidos em operação contínua
O segundo teste realizado em 2025 representou um marco ainda mais relevante. A refinaria processou Technical Corn Oil (TCO), resíduo da produção de etanol de milho, combinado com óleo de soja, resultando na produção de combustível renovável.
O diferencial foi a operação contínua da unidade de craqueamento, sem necessidade de interrupção das atividades. O produto final apresentou alta qualidade, podendo ser utilizado como componente da gasolina automotiva em mercados internacionais, o que amplia o alcance global da Refinaria Riograndense no segmento de combustíveis renováveis.
Investimentos bilionários impulsionam a biorrefinaria no RS
O projeto prevê investimentos totais de R$ 5,5 bilhões, com foco na produção de diesel verde (HVO) e SAF. O plano industrial da biorrefinaria inclui a instalação de unidades com capacidade de processamento anual de 800 mil toneladas de matérias-primas renováveis.
No RS, o impacto econômico é expressivo. A expectativa é de geração de empregos diretos e indiretos, além do fortalecimento da cadeia logística ligada ao agronegócio. O investimento estimado para a planta em Rio Grande é de aproximadamente US$ 950 milhões, segundo informações divulgadas pela empresa.
Cronograma da Refinaria Riograndense e decisão de investimento
A decisão final de investimento está prevista para o primeiro semestre de 2026. Caso seja aprovada, o cronograma indica início das obras ainda em 2026, com previsão de entrada em operação em 2028.
Paralelamente, a Refinaria Riograndense planeja iniciar, já em fevereiro de 2026, a operação do FCC totalmente renovável. Essa etapa marca o início efetivo da transição, transformando gradualmente a refinaria fóssil em uma biorrefinaria voltada à produção de combustíveis renováveis.
Nova liderança conduz a transição da Refinaria Riograndense
Em novembro de 2025, o engenheiro mecânico Lício França assumiu a diretoria-superintendência da Refinaria Riograndense, substituindo Felipe Jorge. Com mais de 20 anos de experiência no setor de óleo e gás, o executivo tem como principal missão conduzir o processo de transição energética da unidade.
Segundo França, a mudança representa uma redefinição completa do modelo de negócio, permitindo que a refinaria volte a ser competitiva e alinhada às exigências ambientais atuais.
Integração entre biorrefinaria e agronegócio no RS
Um dos pilares do projeto é a integração com o agronegócio. O RS possui forte produção de soja, milho e resíduos agrícolas, que passam a ser insumos estratégicos para a Refinaria Riograndense.
Essa sinergia fortalece uma cadeia produtiva sustentável, beneficiando produtores locais, cooperativas e empresas de logística. Além disso, o reaproveitamento de resíduos antes descartados reforça o papel da biorrefinaria na economia circular.
Combustíveis renováveis e acesso ao mercado internacional
A produção de diesel verde e SAF posiciona a Refinaria Riograndense em sintonia com as principais tendências globais de descarbonização. Países da Europa e da América do Norte já exigem percentuais crescentes de combustíveis renováveis em suas matrizes energéticas.
A conexão direta com o porto é uma vantagem estratégica decisiva. No RS, essa característica facilita a exportação e amplia o acesso a mercados internacionais, aumentando a competitividade da futura biorrefinaria brasileira.
Um novo ciclo industrial para a Refinaria Riograndense
A transformação da Refinaria Riograndense representa mais do que uma adaptação tecnológica. Trata-se de um novo ciclo industrial, capaz de reposicionar a planta no cenário energético nacional e internacional.
Ao investir em biorrefinaria e combustíveis renováveis, o RS se consolida como protagonista da transição energética no Brasil. O projeto une inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, criando bases sólidas para as próximas décadas e reforçando o papel estratégico de Rio Grande no futuro da energia limpa.

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