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Radar de velocidade instalado em vilarejo escondido nas Dolomitas vira protagonista de uma arrecadação milionária e coloca pequenas cidades italianas no centro de uma polêmica nacional

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 03/06/2026 às 21:58
Atualizado em 03/06/2026 às 22:01
Vista panorâmica de uma estrada em vilarejo alpino nas Dolomitas italianas, com montanhas ao fundo, placas de sinalização turística e cenário que remete ao município de Colle Santa Lucia, citado em debate sobre arrecadação com radares de velocidade.
Colle Santa Lucia, nas Dolomitas italianas: pequeno município ganhou destaque após levantamento revelar arrecadação milionária com radares de velocidade.
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Autovelox instalados em pequenas cidades italianas movimentam cifras milionárias, enquanto Roma, Milão e outros grandes centros registram queda na arrecadação

Um levantamento sobre multas de trânsito na Itália revelou uma distorção que chamou atenção no país. Pequenos municípios italianos passaram a arrecadar valores milionários com radares de velocidade, conhecidos localmente como autovelox, mesmo tendo populações muito reduzidas.

O caso mais expressivo ocorreu em Colle Santa Lucia, vilarejo com pouco mais de 300 habitantes, localizado nas Dolomitas, na região do Vêneto. Entre 2021 e 2025, um único radar instalado no município rendeu mais de 2 milhões de euros, segundo dados do Codacons, associação de consumidores italiana.

A quantia equivale a uma média de 5.989 euros por morador. O número colocou a pequena localidade no centro de uma discussão nacional sobre fiscalização, multas e arrecadação pública.

Levantamento mostra peso dos radares em cidades pequenas

A análise do Codacons foi feita com base em dados enviados ao Ministério do Interior da Itália. Conforme o levantamento, localidades pequenas conseguem arrecadar somas elevadas porque os radares ficam instalados em trechos de grande circulação.

O resultado financeiro depende menos do tamanho da população e mais da intensidade do tráfego em cada estrada monitorada. A crítica, porém, não surgiu agora.

O jornal Corriere della Sera lembra que os autovelox são acusados há anos de funcionar como uma espécie de caixa eletrônico para administrações locais. Essa percepção ganhou força porque alguns municípios pequenos passaram a registrar receitas superiores às de cidades muito maiores.

Galatina e outras cidades também acumulam milhões

O caso de Colle Santa Lucia não é isolado. Em Galatina, município com cerca de 26 mil habitantes na província de Lecce, no sul da Itália, os radares garantiram cerca de 5,3 milhões de euros em 2025.

Esse valor superou a arrecadação registrada por várias grandes cidades italianas. Quando somadas as receitas de Trepuzzi, Cavallino, Lecce e da província, o total chegou a 9,3 milhões de euros.

Outro ponto citado pelo levantamento foi a rodovia estadual Telesina, que liga as regiões da Campânia e do Molise. Ao longo dessa via, cinco municípios com radares recolheram juntos mais de 2,8 milhões de euros.

Grandes centros caminham na direção oposta

As principais cidades italianas registraram queda no mesmo período. Em 2025, as maiores cidades arrecadaram 56,5 milhões de euros com radares eletrônicos.

O valor representou recuo de 8,9% em comparação com o ano anterior. Entre os grandes centros, Florença liderou a arrecadação, com 19,7 milhões de euros.

Na sequência, apareceram Bolonha, com 9,2 milhões de euros, e Milão, com 6,9 milhões de euros. Roma teve a maior retração entre as grandes cidades.

A capital italiana viu a receita cair de 4,8 milhões para 2,3 milhões de euros, uma redução de 52%.

Regras mais rígidas mudam o cenário das multas

Segundo o Codacons, a queda nas grandes cidades teve relação com regras mais rígidas adotadas em 2025. Decisões da Corte de Cassação também anularam multas aplicadas por equipamentos aprovados, mas não homologados.

Esses casos, no entanto, são decisões concretas e não formam jurisprudência vinculante. Mesmo assim, eles aumentaram o debate sobre a validade das cobranças feitas por radares eletrônicos.

O ponto central da discussão está na homologação dos aparelhos. Um decreto do Ministério das Infraestruturas e dos Transportes prevê que radares instalados após 2017 sejam considerados homologados automaticamente.

O texto, porém, ainda não foi publicado na Gazzetta Ufficiale, o diário oficial italiano.

Associações alertam para nova onda de recursos

A associação Assoutenti afirma que juristas questionam a validade dessa regra. Por isso, o número de recursos contra multas pode crescer às vésperas do êxodo de verão.

Esse cenário aumenta a pressão sobre prefeituras, motoristas e autoridades de trânsito. Ao mesmo tempo, reforça a discussão sobre o limite entre fiscalização necessária e arrecadação excessiva.

Para os municípios pequenos, os radares se tornaram uma fonte relevante de receita. Para os motoristas, porém, os autovelox viraram símbolo de uma cobrança cada vez mais contestada.

Agora, a Itália precisa decidir como equilibrar segurança viária, legalidade dos equipamentos e transparência na arrecadação pública. Afinal, os radares de velocidade devem ser vistos como ferramenta de segurança no trânsito ou como uma fonte milionária de receita para pequenas cidades?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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