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Rã dada como extinta há meio século reaparece viva em reserva de Israel, surpreende autoridades ambientais e reacende esperança para espécie raríssima que desapareceu dos registros científicos e agora volta a intrigar pesquisadores sobre sua sobrevivência escondida na natureza

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 25/01/2026 às 20:26
Rã pintada de Hula reaparece no Vale de Hula, surpreende cientistas, é chamada de fóssil vivo e mostra como uma espécie considerada extinta pode sobreviver escondida.
Rã pintada de Hula reaparece no Vale de Hula, surpreende cientistas, é chamada de fóssil vivo e mostra como uma espécie considerada extinta pode sobreviver escondida.
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A redescoberta de uma Rã considerada extinta há mais de cinquenta anos em Israel ocorreu em uma reserva natural no norte do país, segundo a Autoridade de Parques e Natureza. A imagem divulgada em 2011 confirmou o reaparecimento e reabriu investigações científicas sobre sua sobrevivência.

A reaparição de uma Rã que não era vista havia mais de cinquenta anos em uma reserva natural no norte de Israel surpreendeu as Autoridades de Parques e Natureza do país e reacendeu o debate sobre espécies raríssimas que somem dos registros científicos, mas conseguem persistir escondidas na natureza por décadas.

A imagem divulgada em 2011 mostrou um exemplar da rã pintada da Palestina, identificada como Discoglossus nigriventer, fotografada dentro da reserva. O novo registro devolveu a espécie ao centro das atenções, levantando perguntas imediatas sobre quantos indivíduos ainda existem, onde se escondem e quais condições permitiram sua sobrevivência.

A Rã que voltou do desaparecimento e o impacto imediato do registro

O reaparecimento da foi comunicado oficialmente pelas Autoridades de Parques e Natureza de Israel após a constatação do animal em uma reserva natural no norte do país. O elemento mais decisivo foi a fotografia divulgada, porque ela não apenas reforça o avistamento como cria um marco visual concreto, depois de décadas de ausência.

Segundo Omri Gal, representante da Autoridade de Parques, a não era vista na região havia pelo menos cinco décadas.

Essa lacuna de registros explica por que a espécie passou a ser tratada como extinta, já que, sem observações confirmadas por tanto tempo, o desaparecimento se torna a hipótese dominante para especialistas e autoridades ambientais.

Ainda há poucas informações públicas consolidadas sobre a redescoberta, o que torna o caso ainda mais intrigante.

Quando uma espécie retorna após um período tão longo sem registros, cada detalhe observado no animal e no ambiente ganha valor científico, desde localização, comportamento, condições do solo e do entorno até o padrão de atividade fora da água.

Identidade da espécie e o nome que voltou a circular: rã pintada da Palestina

O exemplar fotografado foi identificado como rã pintada da Palestina, com o nome científico Discoglossus nigriventer.

O reaparecimento desse nome tem peso especial porque ele carrega a ideia de raridade extrema e de um histórico de registros escassos, algo que ajuda a explicar por que a espécie pôde passar décadas longe da observação humana.

A ausência prolongada não indica apenas falta de esforço, mas também a possibilidade de hábitos discretos e de uma ocupação muito restrita do habitat.

Para uma considerada rara, qualquer alteração no ambiente pode reduzir ainda mais as chances de encontro, tornando o animal praticamente invisível para monitoramentos convencionais.

O histórico de raridade: uma Rã descrita como esquiva antes mesmo da “extinção”

Mesmo antes de ter sido declarada extinta em 1996, a já era considerada uma criatura esquiva, difícil de observar e de registrar.

Essa característica de “sumir” aos olhos humanos tem papel central na narrativa do reaparecimento, porque sugere que a espécie não precisou estar numerosa para sobreviver, apenas bem escondida e em condições mínimas de habitat.

A tem uma barriga com manchas pretas e brancas, um traço marcante. Ainda assim, nem mesmo um padrão corporal tão reconhecível garantiu avistamentos frequentes.

O contraste entre uma marca visual forte e o baixo número de registros reforça a hipótese de que o comportamento e o microambiente de ocultação são determinantes.

Além disso, é citado que apenas três adultos foram avistados até hoje, o que revela o nível de escassez e reforça por que qualquer nova fotografia se torna um evento de grande repercussão ambiental e científica.

O episódio da década de 1940 e a suspeita de canibalismo

Um detalhe histórico citado chama atenção: na década de 1940, um exemplar da rã pintada da Palestina teria comido outro espécime, levando especialistas a acreditarem que o animal pratica canibalismo.

Esse tipo de relato, mesmo sem uma longa série de observações, tende a ganhar força justamente porque existem poucos registros disponíveis.

Em termos de interpretação, esse dado reforça o quanto a é pouco compreendida. Quando uma espécie é raramente observada, qualquer comportamento incomum registrado pode influenciar o entendimento científico por décadas, até que novas observações confirmem ou contestem a hipótese.

A conexão com a Rã pintada de Hula e o “fóssil vivo” que mudou a ciência

Dentro do material enviado, há também um eixo complementar que amplia o impacto da história: a rã pintada de Hula, em Israel, descrita como redescoberta após ter sido considerada extinta, e posteriormente reclassificada como um “fóssil vivo”.

A rã pintada de Hula foi vista pela última vez na década de 1950 e foi reencontrada em 2011 por um guarda parque, à espreita em uma área pantanosa com vegetação rasteira.

Essa informação é crucial porque cria um padrão de redescoberta associado a áreas úmidas e a habitats pantanosos que sobreviveram em fragmentos, apesar de intervenções humanas.

Após a redescoberta, testes revelaram que o sapo pertence a um grupo de anfíbios que teria sido extinto há 15 mil anos.

O estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Essa camada de evidência científica muda a escala do assunto, porque não se trata apenas de “uma espécie reapareceu”, mas de uma linha evolutiva que parecia ter desaparecido e, de repente, surge viva em um ambiente contemporâneo.

O Vale de Hula drenado e a explicação para o sumiço da Rã

O material descreve um ponto central para entender como uma pode desaparecer do mapa: o Vale de Hula foi drenado na década de 1950, e seu habitat pantanoso foi destruído.

Quando um ecossistema úmido é removido, espécies que dependem de lama, vegetação rasteira e microabrigos perdem as condições básicas de sobrevivência ou ficam confinadas a pequenas ilhas de habitat.

Os cientistas, diante da drenagem e da falta de avistamentos, concluíram que a espécie havia desaparecido para sempre.

Essa linha de raciocínio é comum em conservação: habitat destruído somado a décadas sem registro frequentemente aponta para extinção local ou total.

No entanto, uma hipótese alternativa: os cientistas acreditam que os sapos permaneceram escondidos em áreas do habitat pantanoso que ainda existiam.

Em outras palavras, mesmo após uma grande transformação ambiental, podem ter restado bolsões de condições adequadas o suficiente para manter uma população residual.

Como os pesquisadores localizaram a Rã e por que a busca é tão difícil

O professor Sarig Gafny, do Centro Acadêmico Ruppin, descreve um aspecto importante: os espécimes foram encontrados fora da água, em terra firme.

Esse detalhe muda a lógica da busca, porque muitas pessoas esperariam que uma fosse achada prioritariamente na água.

A busca exige rastejar por vegetação densa, atravessar amoras silvestres espinhosas e depois cavar em detritos em decomposição.

Esses obstáculos ajudam a explicar por que uma espécie pode permanecer fora de vista por tanto tempo, mesmo em áreas monitoradas, já que a micro localização do animal não é óbvia e o esforço é fisicamente difícil e pouco atraente.

Esse nível de detalhe operacional também ilustra por que o reaparecimento de uma após décadas não é necessariamente “milagre”, mas pode ser resultado de condições específicas e de uma combinação de persistência biológica com barreiras práticas ao trabalho de campo.

Da classificação Discoglossus ao grupo Latonia: a virada taxonômica

O sapo havia sido classificado como membro do grupo de anfíbios Discoglossus, mas testes genéticos e tomografias computadorizadas indicaram que ele pertence ao grupo Latonia. Essa reclassificação é um marco porque altera toda a interpretação evolutiva da espécie.

As rãs Latonia foram comuns em toda a Europa durante milhões de anos, mas todas, com exceção da rã pintada de Hula, foram extintas há cerca de 15 mil anos.

A consequência direta é uma: ninguém teria tido a chance de ver uma Latonia viva na Europa, e a única forma de conhecê la era por fósseis.

A fala do professor Gafny resume a dimensão desse achado: ao analisar as características dos atuais sapos pintados de Hula, percebe se que elas correspondem aos fósseis de Latonia e não aos de Discoglossus. Por isso, a espécie passou a ser tratada como um “fóssil vivo”.

Resiliência, risco e a urgência de garantir o futuro da Rã

Os pesquisadores afirmaram que o sapo era uma espécie notavelmente resiliente, mas destacaram que é vital garantir sua sobrevivência futura. Essa frase é importante porque evita a leitura equivocada de que “se sobreviveu até aqui, não precisa de proteção”. Sobreviver escondida não significa estar segura.

A própria história do habitat drenado mostra que a espécie pode estar a um passo de desaparecer novamente, caso as condições remanescentes sejam degradadas, fragmentadas ou alteradas.

A proposta de inundar partes do Vale de Hula para criar habitat

O material afirma que os pesquisadores acreditam que o trabalho de inundação de partes do Vale de Hula ajudaria a fornecer um habitat onde a espécie pudesse prosperar.

Isso indica uma abordagem de restauração ambiental como ferramenta direta de conservação, invertendo a lógica histórica que destruiu o pântano.

A ideia de inundação parcial sugere recriar áreas úmidas adequadas, com vegetação e condições de abrigo, permitindo que a tenha espaço para ampliar sua presença e reduzir a dependência de bolsões isolados.

Por que o reaparecimento de uma Rã mexe tanto com a ciência e com o público

Quando uma some dos registros por décadas, ela vira símbolo de perda. Quando retorna, vira símbolo de esperança.

O impacto não é apenas emocional, mas científico: a redescoberta permite estudar anatomia, comportamento e necessidades ecológicas de um animal que, até então, era conhecido por poucos registros e, em alguns casos, por fósseis e descrições antigas.

Ao mesmo tempo, o reaparecimento coloca pressão sobre autoridades ambientais, porque um novo registro geralmente exige medidas de proteção, monitoramento e restrição de impactos no entorno, mesmo quando ainda há poucas informações disponíveis.

A história também lembra que “extinta” muitas vezes significa “não encontrada”, especialmente quando a espécie é discreta, vive em ambientes de acesso difícil e depende de microhabitats que podem persistir escondidos no meio de paisagens alteradas.

Atualmente em 2026 a espécie é classificada como Criticamente Em Perigo

Fóssil Vivo: Pesquisas genéticas realizadas após sua redescoberta revelaram que ela é o único membro sobrevivente de um gênero de anfíbios (Latonia) que se acreditava ter desaparecido há milhões de anos, sendo considerada um “fóssil vivo”.

Habitat: Ela vive exclusivamente na Reserva Natural de Hula, no norte de Israel. Esforços de restauração ambiental e monitoramento contínuo são realizados pela Autoridade de Natureza e Parques de Israel para garantir sua sobrevivência. 

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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