Queda do dólar limita negociações da soja no Brasil e pressiona o agronegócio. Veja estimativas da Conab para a safra 2025/26.
Dólar em baixa freia negócios da soja e preocupa produtores
A valorização do real frente ao dólar tem colocado pressão sobre as negociações da soja no Brasil. O cenário, que começou a ganhar força em setembro, já afeta o agronegócio nacional, limitando as vendas no mercado interno e enfraquecendo a paridade de exportação.
De acordo com analistas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a desvalorização da moeda norte-americana reduziu a competitividade do grão brasileiro no mercado internacional.
Assim, parte dos agentes aproveita oportunidades pontuais, enquanto outra parcela segue cautelosa, aguardando sinais mais claros sobre os rumos da economia global.
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Safra 2025/26 de soja pode bater recorde no Brasil
Paralelamente às oscilações cambiais, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou a primeira estimativa para a safra 2025/26. O Brasil deve alcançar um recorde de 49,08 milhões de hectares plantados de soja, o que pode resultar em 177,6 milhões de toneladas da oleaginosa.
Esse número é mais otimista do que o da Secretaria de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta uma produção de 175 milhões de toneladas.
O dado reforça a posição brasileira como maior produtor global da commodity, apesar das dificuldades com as negociações ligadas ao câmbio.
Juros no Brasil e nos EUA influenciam chegada de dólar
Outro ponto crucial para entender o cenário atual é o comportamento das taxas de juros. Nos Estados Unidos, houve uma redução de 0,25 ponto percentual, o que tende a diminuir a atratividade do dólar por lá.
Já no Brasil, a taxa permanece estável no maior nível desde 2006, funcionando como um atrativo para investidores estrangeiros.
Esse movimento pode trazer mais dólar para o mercado brasileiro, fortalecendo o real e, consequentemente, pressionando ainda mais o agronegócio exportador, em especial a soja.
Produtores atentos ao mercado e às lavouras
Enquanto isso, produtores e tradings dividem-se entre a prudência e o aproveitamento de oportunidades. Parte deles aposta em segurar contratos, observando o avanço da colheita nos Estados Unidos e o desenvolvimento da safra no Brasil.
Outros preferem negociar mesmo em meio à queda do dólar, temendo que os preços internos sofram novas reduções nos próximos meses.
O que esperar das negociações de soja nos próximos meses
A tendência, segundo especialistas, é de que as negociações sigam lentas até que haja maior clareza sobre a política monetária internacional e o ritmo da safra nos dois maiores players globais: Brasil e Estados Unidos.
Ainda assim, com área recorde de cultivo e previsão de produção elevada, o país deve manter sua liderança no agronegócio mundial. O desafio está em equilibrar as exportações diante da volatilidade do dólar.

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