rio Parada Dura teve a trajetória transformada por uma queda de avião em 1982, em Espírito Santo do Pinhal, acidente que deixou Barrerito paraplégico, mudou a imagem da formação clássica nos palcos e antecipou a separação que redefiniria um dos maiores nomes do sertanejo
O Trio Parada Dura viveu em 6 de setembro de 1982 um dos episódios mais dramáticos da história da música sertaneja. No auge do sucesso, Creone, Barrerito e Mangabinha viajavam de avião de São Paulo para Cruzília, em Minas Gerais, quando a aeronave caiu em Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo. Todos sobreviveram, mas o acidente deixou marcas profundas no grupo, principalmente em Barrerito, que ficou paraplégico após uma grave lesão na coluna.
O caso chama atenção porque não foi apenas um trauma pessoal vivido por artistas populares. A queda alterou a dinâmica interna do trio, criou uma imagem simbólica da formação clássica nos palcos e se transformou em um ponto de ruptura na trajetória do Trio Parada Dura. Cinco anos depois do acidente, Barrerito deixaria o grupo para seguir carreira solo, abrindo espaço para a entrada definitiva de Parrerito e mudando para sempre a história de uma das formações mais emblemáticas do sertanejo dos anos 1980.
O que aconteceu no voo que mudou a história do Trio Parada Dura
Naquele dia, o trio saiu de São Paulo em direção a Cruzília, em Minas Gerais. A agenda intensa de shows, comum no auge do sucesso, fazia com que o grupo recorresse com frequência a viagens de avião. O voo partiu do Campo de Marte, em São Paulo, sob chuva forte, fez uma parada em Campinas para abastecimento e seguiu viagem em meio ao mau tempo.
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Segundo o relato de Creone, a situação se complicou porque o piloto se perdeu durante o trajeto. Ao avistar uma pista em Espírito Santo do Pinhal, tentou pousar para se localizar, mas o tamanho da pista e o vento dificultaram a manobra. Quando percebeu que não conseguiria completar o pouso e também não conseguiria arremeter com segurança, o piloto decidiu descer em qualquer lugar possível. O pouso forçado terminou em queda.
O presságio que ficou marcado na memória do grupo
Antes do voo, uma frase dita pelo radialista Zé Béttio acabou entrando para a memória do episódio como um detalhe impressionante. Segundo Creone, o comunicador brincou com o piloto ao dizer: “Cuidado, hein? Vai matar meu trio”.
Depois da tragédia, a frase passou a soar como um presságio para quem relembra aquele dia. Esse detalhe reforça o peso simbólico do acidente, que até hoje é tratado como um dos momentos mais marcantes da trajetória do Trio Parada Dura.
Os ferimentos e o momento em que Barrerito percebeu a gravidade
Todos os ocupantes da aeronave sofreram ferimentos. Creone quebrou três costelas. Mas a situação mais grave foi a de Barrerito, cuja lesão na coluna mudou completamente sua vida e sua carreira.
Creone recorda que, ao tentar fazer o companheiro sair da aeronave, ouviu dele uma frase que mostrava a gravidade do quadro: “Eu não sinto nada nas minhas pernas”. Ele e os demais voltaram para tentar retirá-lo do avião, mas a operação foi difícil e dolorosa. Segundo o cantor, Barrerito gritava de dor, e a própria retirada pela pequena porta da aeronave pode ter agravado ainda mais o sofrimento naquele momento.
Como o acidente mudou a imagem do Trio Parada Dura nos palcos

Mesmo após o trauma, Barrerito voltou aos palcos e seguiu no Trio Parada Dura até 1987. A presença dele em uma cadeira de rodas no centro da formação clássica criou uma imagem considerada incomum e poderosa dentro da música sertaneja.
Segundo o jornalista e pesquisador André Piunti, a cena de dois integrantes em pé e Barrerito cantando no meio em cadeira de rodas se tornou algo simbólico. Essa configuração passou a representar não apenas a superação de um trauma, mas também uma das histórias mais ricas e importantes do sertanejo, associada a um repertório que continuou sendo regravado por novas gerações.
Por que a separação aconteceu cinco anos depois
Embora Barrerito tenha retornado ao grupo, o impacto do acidente continuou presente em sua vida. De acordo com Creone, o cantor dizia que não viajaria mais com o trio porque não aguentaria voltar a viajar de avião e também não queria impedir que os outros seguissem trabalhando.
Foi assim que, em 1987, Barrerito preferiu seguir carreira solo. A saída dele marcou o fim da formação clássica mais lembrada do Trio Parada Dura e consolidou uma nova fase para o grupo. O acidente de 1982, portanto, não foi apenas um episódio isolado, mas um acontecimento que ajudou a explicar a separação posterior.
A entrada de Parrerito e a mudança definitiva na formação
Com a saída de Barrerito, o espaço foi ocupado de forma definitiva por Parrerito, irmão do cantor. Ele já havia assumido o lugar do irmão temporariamente durante o período de recuperação após o acidente.
Essa substituição reorganizou a identidade do grupo e abriu uma nova etapa na história do Trio Parada Dura. Mesmo mantendo o nome forte e a presença no sertanejo, a troca encerrava um ciclo que havia se tornado lendário justamente por reunir Creone, Barrerito e Mangabinha em uma formação que atravessou sucesso, tragédia e transformação.
Os números e datas que ajudam a entender o peso dessa história
A linha do tempo ajuda a mostrar o tamanho do impacto. O acidente aconteceu em 1982. Barrerito permaneceu no trio até 1987, ou seja, por cinco anos após a queda. Depois disso, seguiu carreira solo e lançou oito discos.
Outros marcos reforçam a dimensão humana dessa trajetória. Barrerito morreu em 1998, aos 56 anos, após um ataque cardíaco. Parrerito morreu em 13 de setembro de 2020, aos 67 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Esses dados mostram como a história do grupo foi sendo atravessada por perdas, mudanças e recomeços.
O reflexo do acidente na carreira solo de Barrerito
Mesmo depois de se afastar do trio, Barrerito continuou ligado à música e transformou parte da própria experiência em canção. Um dos exemplos mais claros disso aparece em “Cadeira Amiga”, música em que a cadeira de rodas surge como uma presença central e dolorosa em sua vida.
Na letra, Barrerito chama a cadeira de rodas de “um presente que não desejo a ninguém”, mas também deixa clara a recusa em se entregar à derrota. O verso “Este cantor magoado ainda vai cantar de pé” resume o espírito de resistência que marcou sua trajetória após o acidente.
Por que essa queda de avião continua tão importante para a memória do sertanejo
A história permanece viva porque reúne elementos raros em um mesmo episódio: auge artístico, acidente aéreo, sobrevivência, transformação física, permanência nos palcos e ruptura de uma formação histórica. Poucos capítulos do sertanejo concentram tanta carga dramática e simbólica quanto esse vivido pelo Trio Parada Dura.
Mais do que um acidente, o episódio virou um divisor de águas. Ele ajuda a explicar a força da imagem do trio nos anos 1980, o peso emocional da trajetória de Barrerito e a mudança definitiva na formação de um grupo que virou referência não apenas na música, mas também no imaginário popular brasileiro.
Na sua opinião, a queda de avião de 1982 foi o momento mais decisivo da história do Trio Parada Dura ou o grupo teria mudado de rumo de qualquer forma?
