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Quase 5 milhões de toneladas de rocha escavadas do maior túnel submarino da Europa não viraram entulho: foram usadas para criar uma nova área costeira onde antes só existia o mar

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/01/2026 às 15:44
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Quase 5 milhões de toneladas de rocha escavadas do maior túnel submarino da Europa não viraram entulho: foram usadas para criar uma nova área costeira onde antes só existia o mar
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Rocha escavada do Túnel da Mancha virou Samphire Hoe, uma nova área costeira criada com milhões de toneladas de material reaproveitado.

Quando o Túnel da Mancha começou a ser escavado, no fim dos anos 1980, um problema gigantesco surgiu antes mesmo dos trens começarem a rodar: o que fazer com milhões de toneladas de rocha retirada do subsolo sob o Canal da Mancha? A resposta não foi despejar o material no mar nem transportá-lo para aterros distantes. Em vez disso, engenheiros decidiram transformar o entulho em território.

Assim nasceu Samphire Hoe, uma área costeira criada artificialmente no sudeste da Inglaterra a partir do próprio material escavado do túnel.

O volume que parecia impossível de administrar

A construção do Channel Tunnel exigiu a perfuração de aproximadamente 150 km de túneis somando galerias principais, de serviço e acessos.

Desse processo resultaram cerca de 4,5 a 5 milhões de toneladas de rocha, principalmente giz calcário e marga, retiradas do fundo do canal.

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Mover esse volume por terra seria logisticamente inviável e ambientalmente problemático. O descarte em alto-mar também enfrentava restrições ambientais severas. A solução precisaria ser definitiva, barata e tecnicamente segura.

Criar terra como solução de engenharia

A saída encontrada foi usar a própria costa inglesa como destino do material. Em um trecho entre Dover e Folkestone, o material escavado passou a ser transportado por correias e tubulações até o litoral, onde foi depositado de forma controlada atrás de estruturas de contenção marítima.

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Ao longo de anos, o que antes era apenas mar e falésias se transformou em uma nova planície costeira com cerca de 30 hectares. Essa área recebeu o nome de Samphire Hoe, em referência a uma planta típica da região.

Contenção e estabilidade: o verdadeiro desafio

Criar terra não é apenas empilhar rocha. O material precisou ser disposto em camadas, compactado naturalmente pelo próprio peso e protegido contra a ação contínua das ondas. Para isso, foram construídos paredões de contenção e taludes cuidadosamente inclinados para dissipar energia marítima.

O tipo de rocha extraída do túnel ajudou. O giz calcário fragmentado possui boa drenagem e comportamento previsível quando depositado em grandes volumes, reduzindo o risco de recalques desiguais ou colapsos.

O reaproveitamento evitou o transporte de milhões de toneladas por caminhões, reduziu emissões indiretas e eliminou a necessidade de áreas de descarte em terra firme. O que começou como um problema logístico virou um ganho ambiental e urbano.

Hoje, Samphire Hoe abriga áreas verdes, trilhas, zonas de observação da vida marinha e funciona como uma espécie de amortecedor natural entre o mar e as falésias de giz do sudeste inglês.

Engenharia integrada ao projeto desde o início

Nada disso foi improvisado. A criação da área costeira fez parte do planejamento do túnel desde as fases iniciais. A obra do Channel Tunnel não foi pensada apenas como infraestrutura de transporte, mas como um sistema completo que incluía gestão de resíduos em escala monumental.

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Essa integração entre escavação, logística e destino final do material é um dos pontos que tornam o projeto referência até hoje em engenharia de grandes túneis.

Um caso raro de reaproveitamento total

Em obras de túneis modernos, parte do material escavado ainda costuma virar rejeito. No caso do Channel Tunnel, a maior parcela da rocha retirada do lado britânico teve destino útil e permanente, algo raro em projetos dessa escala.

Samphire Hoe é, na prática, um território que só existe porque o túnel existe.

A história do Channel Tunnel costuma ser contada a partir de seus 50 km sob o mar, da tecnologia ferroviária ou da ligação física entre Reino Unido e Europa continental.

Mas, fora dos trilhos, existe uma obra igualmente impressionante: um pedaço de terra criado do nada, usando exatamente o material que, em qualquer outro projeto, seria tratado como problema.

Nesse caso, a engenharia não apenas conectou dois países por baixo do mar. Ela também mostrou que, com planejamento técnico, até o entulho de uma obra colossal pode virar território, paisagem e legado permanente.

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Greg
Greg
04/01/2026 10:50

So what happened on the French side ?

Noel Binayas
Noel Binayas
04/01/2026 00:32

So what’s new??! The Chinese have done much more to desecrate natural sea and land features to create unnatural structures!!!

Mason Popata
Mason Popata
03/01/2026 14:16

If you create land like this, you’re contributing to sea level rise. I think it’s somewhat reckless.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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