Em Pequim (3), Putin acusa EUA de sancionarem Brasil antes do prazo e nega desequilíbrio nas trocas comerciais Brasil-EUA.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, elevou o tom contra Washington ao afirmar que os Estados Unidos anteciparam de forma unilateral sanções ao Brasil, comunicadas em 6 de agosto, quando o prazo oficial de negociação só expiraria em 8 de agosto. A acusação foi feita em 3 de setembro, em Pequim, durante as celebrações dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, segundo relatou o portal Terra.
Putin usou o exemplo brasileiro para ilustrar a postura americana de pressionar países do BRICS com medidas econômicas que, em sua avaliação, extrapolam o argumento da guerra da Ucrânia.
O líder russo frisou que, enquanto há desequilíbrios comerciais evidentes entre os EUA e potências como China e Índia, o mesmo não se aplica ao Brasil.
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O que Putin disse sobre o Brasil no encontro em Pequim
De acordo com o portal Terra, o presidente russo destacou que os quatro países fundadores do BRICS Brasil, Rússia, Índia e China enfrentam diferentes formas de pressão econômica americana.
No caso brasileiro, no entanto, Putin ressaltou que não existe desequilíbrio estrutural no comércio com os EUA, ao contrário do discurso recorrente de Washington.
Ainda assim, ele citou a imposição de sanções em 6 de agosto, antes do prazo de 8 de agosto, como um exemplo de decisão antecipada e unilateral, tomada de forma a desconsiderar os termos acordados previamente.
Para Putin, isso reforça a visão de que Washington utiliza a guerra da Ucrânia como justificativa em negociações até mesmo com países sem envolvimento direto no conflito.
Por que a acusação envolve política interna do Brasil
Putin também associou a postura americana a questões específicas da política interna brasileira, mencionando disputas envolvendo autoridades locais e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa referência sugere, segundo a fala dele, que fatores domésticos foram incorporados nas decisões de política externa dos EUA, um movimento considerado atípico em negociações comerciais bilaterais.
A crítica evidencia o argumento russo de que as sanções contra o Brasil não seriam técnicas, mas políticas, abrindo margem para contestação diplomática dentro do BRICS.
Quem estava presente no encontro de líderes
Além de Putin, participaram da agenda em Pequim o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da China, Xi Jinping.
Um encontro paralelo em Tianjin, no dia 1º de setembro, também reuniu os três líderes, reforçando o simbolismo da atuação conjunta do BRICS diante da pressão americana.
A presença desses chefes de Estado buscou transmitir unidade em torno de uma agenda de maior autonomia econômica e diplomática frente aos EUA, consolidando o bloco como ator de peso no cenário internacional.
Reação no Brasil
A acusação de Putin repercutiu também no Brasil. Entidades como a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) saíram em defesa dos interesses nacionais.
A CNI negou que o país atue de forma a prejudicar deliberadamente o comércio americano, enquanto a CNA destacou, em audiência nos EUA, a importância da competitividade do agronegócio e do respeito ao código florestal brasileiro.
Essas manifestações demonstram que, para o setor produtivo brasileiro, o debate ultrapassa a esfera geopolítica e impacta diretamente exportadores e trabalhadores ligados ao comércio internacional.
Ao afirmar que os EUA sancionaram o Brasil antes do prazo oficial de negociação, Putin buscou reforçar sua narrativa de que Washington age de forma unilateral e política em temas comerciais.
A fala também posiciona o Brasil como peça central nas disputas econômicas entre grandes potências, ainda que Moscou reconheça não haver desequilíbrio estrutural nas trocas Brasil-EUA.
E você, acredita que a antecipação das sanções ao Brasil foi uma decisão política dos EUA? Esse tipo de medida pode afetar a posição do Brasil dentro do BRICS?
Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir sua visão sobre o impacto desse episódio.

Na realidade o objetivo dos EUA é se aproveitar da situação política entre o atual governo brasileiro e a extrema direita pra se beneficiar e usar como argumento pra que o Brasil fique de joelhos
Tá pouco se lixando pro ex presidente