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Psicólogos e estudos cognitivos afirmam que crianças que assistiram Dragon Ball nas décadas de 1980 e 1990 desenvolveram uma ‘vantagem decisiva’ ligada à empatia, interpretação social e pensamento moral.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 14/05/2026 às 13:49
Atualizado em 14/05/2026 às 14:06
Estudos indicam que Dragon Ball pode ter ajudado crianças dos anos 1980 e 1990 a desenvolver empatia e reflexão moral.
Estudos indicam que Dragon Ball pode ter ajudado crianças dos anos 1980 e 1990 a desenvolver empatia e reflexão moral.
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Estudos sobre ficção, empatia e desenvolvimento moral ajudam a explicar por que Dragon Ball continua sendo apontado como uma obra marcante para crianças e adolescentes que cresceram entre os anos 1980 e 1990, especialmente pela complexidade emocional de personagens como Vegeta, Piccolo e Gohan.

Dragon Ball marcou a infância de milhões de espectadores nas décadas de 1980 e 1990, mas a ideia de que a obra deu uma “vantagem decisiva” a essa geração exige cautela.

A psicologia permite afirmar que narrativas ficcionais podem estimular empatia, interpretação social e reflexão moral, embora não haja comprovação segura de um efeito específico causado pelo anime.

Como a ficção influencia empatia e interpretação social

Estudos sobre ficção e cognição, como o ‘Como as crianças aprendem socialmente a partir da ficção narrativa‘ publicado no PubMed, indicam que histórias com personagens complexos podem favorecer a chamada teoria da mente, habilidade ligada à compreensão de emoções, intenções e pontos de vista de outras pessoas.

Esse campo de pesquisa costuma analisar livros, filmes, séries e narrativas em geral, não apenas animes.

Nesse contexto, Dragon Ball pode ser lido como uma obra que apresentou dilemas morais a crianças e adolescentes.

Personagens como Piccolo e Vegeta não seguiram uma divisão simples entre heróis e vilões, já que suas trajetórias envolveram rivalidade, mudança de comportamento, vínculos afetivos e escolhas com consequências.

Vegeta, Piccolo e os conflitos além do bem contra o mal

Estudos indicam que Dragon Ball pode ter ajudado crianças dos anos 1980 e 1990 a desenvolver empatia e reflexão moral.
Estudos indicam que Dragon Ball pode ter ajudado crianças dos anos 1980 e 1990 a desenvolver empatia e reflexão moral.

Parte do impacto de Dragon Ball está na forma como a série conduziu personagens inicialmente ameaçadores para papéis mais complexos.

Piccolo, antes tratado como inimigo, passa a ter relação decisiva com Gohan, enquanto Vegeta deixa de ser apenas antagonista e ganha conflitos ligados a orgulho, família e pertencimento.

Esse tipo de construção pode levar o público jovem a observar motivações diferentes antes de julgar uma ação.

Ainda assim, transformar essa experiência em uma superioridade geracional comprovada seria extrapolar o que os estudos disponíveis sustentam com segurança.

Son Gohan e a liberdade de escolher outro caminho

Son Gohan também ocupa um lugar importante nessa leitura.

Crianças que acompanharam sua trajetória viram um personagem com enorme potencial de luta preferir os estudos, a vida familiar e uma rotina distante do papel esperado de guerreiro permanente.

A decisão de Gohan ajuda a discutir poder, responsabilidade e autonomia sem depender de discursos diretos.

Para muitos fãs, esse arco mostrou que força não precisa significar apenas combate, vitória ou domínio sobre os outros.

O que diz a teoria do desenvolvimento moral

A associação com Lawrence Kohlberg aparece porque sua teoria trata do desenvolvimento do raciocínio moral em fases, especialmente na infância e na adolescência.

O psicólogo analisou como pessoas justificam escolhas diante de dilemas, mais do que as respostas em si.

Dragon Ball pode dialogar com essa perspectiva ao apresentar conflitos sobre dever, sacrifício, lealdade e reparação.

No entanto, a teoria de Kohlberg não estudou Dragon Ball nem permite concluir, isoladamente, que assistir ao anime produziu vantagem moral mensurável.

Dragon Ball se tornou fenômeno mundial da cultura pop

Criado por Akira Toriyama, Dragon Ball começou como mangá no Japão em 1984 e se tornou uma das franquias mais influentes da cultura pop mundial.

A obra completa reúne 42 volumes na edição original japonesa e ajudou a popularizar mangás e animes fora do Japão.

No Brasil, a série ganhou força especialmente pela televisão aberta e formou uma memória afetiva compartilhada por diferentes públicos.

Esse alcance explica por que análises sobre infância, nostalgia e comportamento frequentemente usam Dragon Ball como exemplo de narrativa marcante.

O limite entre influência cultural e comprovação científica

A principal correção necessária está na palavra “afirmam”.

Há estudos que relacionam ficção, empatia e teoria da mente, mas não foi encontrada evidência confiável de que psicólogos tenham demonstrado uma vantagem decisiva específica em crianças que assistiram Dragon Ball nas décadas de 1980 e 1990.

Por isso, a formulação mais precisa é dizer que a obra pode ter contribuído para experiências de leitura moral e emocional entre seus espectadores.

A influência cultural é clara; a vantagem psicológica comprovada, porém, não aparece demonstrada de forma direta nas fontes disponíveis.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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