Às vésperas de a Bulgária adotar o euro em 1º de janeiro, Protestos da Geração Z tomam Sófia e dezenas de cidades, derrubam o premiê Rosen Zhelyazkov e transformam o país na primeira vítima europeia de uma onda juvenil anticorrupção que já sacudiu Ásia, África e América Latina recentemente também.
Na quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, depois de semanas de ruas cheias em Sófia e em dezenas de cidades, os Protestos da Geração Z contra a corrupção e a política econômica derrubaram o primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov, que anunciou em pronunciamento na TV a renúncia do governo minutos antes de enfrentar uma moção de desconfiança no Parlamento.
Um dia depois da renúncia, nesta sexta-feira, 12 de dezembro de 2025, a Bulgária acordou como o primeiro país da Europa a ver um governo cair sob a pressão direta da geração nascida entre 1997 e 2012, a poucos dias da entrada oficial na zona do euro em 1º de janeiro, em meio a um clima de fadiga política e desconfiança generalizada.
Uma Europa em alerta com a onda juvenil anticorrupção

Os Protestos da Geração Z na Bulgária não surgiram no vácuo. Eles seguem a trilha de mobilizações juvenis que já derrubaram governos em Bangladesh, Nepal, Sri Lanka e Madagascar, sempre misturando ativismo de rua e pressão digital.
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Em outros países, como Sérvia, Filipinas, México, Indonésia e Peru, a mesma geração vem pressionando governantes, expondo escândalos e cercando sedes de poder.

Com domínio de redes sociais, transmissão ao vivo e organização em massa por aplicativos de mensagem, a Geração Z se consolidou como uma força política própria.
Essa juventude conecta frustração econômica, rejeição à corrupção e descrença em elites tradicionais em um discurso globalizado, que circula em vídeos, memes e hashtags, mas termina nas praças e avenidas.
Da revolta ao colapso do governo Zhelyazkov
Rosen Zhelyazkov comandava uma coalizão de governo minoritária, liderada pelo partido de centro-direita Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária (Gerb).
O estopim da crise foi um projeto de orçamento para 2026, o primeiro totalmente desenhado em euros, que previa aumento das contribuições para a seguridade social e dos impostos sobre dividendos, em troca de mais gastos públicos.
Diante da pressão das ruas, o governo recuou do plano orçamentário. Mesmo assim, as manifestações não diminuíram e passaram a simbolizar algo maior que o debate fiscal: a rejeição a anos de corrupção percebida, clientelismo e impunidade.
Em um país que realizou sete eleições nacionais em apenas quatro anos, a mais recente em outubro de 2024, a população passou a ver o governo como mais um capítulo de uma crise sem fim.
Em seu pronunciamento de renúncia, Zhelyazkov admitiu que os protestos não eram apenas sociais, mas “por valores”.
Ao reconhecer que a revolta unia diferentes grupos da sociedade búlgara, o primeiro-ministro confirmou que havia perdido a batalha mais importante: a legitimidade diante da opinião pública.
Praças tomadas, faixas provocativas e confronto em Sófia
A quarta-feira da véspera, 10 de dezembro de 2025, tinha dado o tom do que viria. Milhares de pessoas, em sua maioria jovens, ocuparam o entorno do Parlamento em Sófia, entoando palavras de ordem e exigindo a saída imediata do governo.
As faixas exibiam recados diretos, como “a Geração Z está chegando” e “Bulgária jovem sem máfia”.
O ato começou pacífico, mas terminou em confronto. Pequenos grupos se deslocaram até os escritórios dos principais partidos governistas e passaram a atirar garrafas de plástico e vidro, fogos de artifício e pedras contra prédios e policiais.
Os serviços de emergência relataram feridos encaminhados a hospitais e atendimentos no local, enquanto a polícia informou a detenção de dez pessoas.
Para os jovens, não se tratava apenas de salários, impostos ou inflação. A mensagem era moral: “não permitiremos que mintam para nós, não permitiremos que nos roubem”.
Os Protestos da Geração Z transformaram indignação difusa em uma exigência clara: um governo que respeite regras, combata a máfia e escute as ruas.
Disputa por narrativa: oposição, presidente e futuro político

A oposição correu para ocupar o vácuo deixado pela renúncia. Asen Vassilev, líder do partido Continuamos a Mudança, classificou a saída de Zhelyazkov como “primeiro passo” para que a Bulgária se torne “um país europeu normal”.
Ele passou a defender eleições “justas e livres”, sem manipulação, em referência às denúncias sobre o pleito parlamentar anterior.
O presidente Rumen Radev também se colocou ao lado dos manifestantes. Em mensagem nas redes sociais direcionada aos parlamentares, pediu que escutassem “as praças públicas” em vez de cederem ao “medo da máfia”.
A frase reforçou a sensação de que os Protestos da Geração Z se tornaram, na prática, a bússola moral da crise política búlgara.
Pela Constituição, caberá agora a Radev consultar os partidos representados no Parlamento para tentar formar um novo governo.
Se nenhuma coalizão viável surgir, o presidente deverá nomear um gabinete interino até a realização de novas eleições, enquanto o ministério de Zhelyazkov continua em funções apenas administrativas.
Zona do euro à vista e instabilidade no coração da UE
A queda do governo acontece às vésperas de um passo histórico. A Bulgária, membro da União Europeia desde 2007, se prepara para adotar o euro em 1º de janeiro, mudança vista como chave para aprofundar a integração econômica com o bloco e atrair investimentos.
Mas o colapso político acende dúvidas sobre a capacidade do país de cumprir metas fiscais, garantir estabilidade e executar reformas exigidas por Bruxelas.
Ao derrubar o governo justamente nesse momento, os Protestos da Geração Z enviam um recado que ressoa além das fronteiras búlgaras: integração europeia sem combate real à corrupção não satisfaz uma geração hiperconectada e impaciente.
Uma geração que derruba governos – e testa a democracia
De Bangladesh a Madagascar, passando agora pela Bulgária, a mesma combinação se repete: jovens conectados, custo de vida alto, desconfiança em relação a políticos tradicionais e uso intenso de ferramentas digitais para organizar protestos em larga escala.
A diferença é que, desta vez, o abalo atingiu um país da União Europeia às portas da zona do euro.
Governos em outros países observam com atenção. Se na Ásia, na África e na América Latina essa onda já arrancou líderes do poder, a experiência búlgara mostra que nem democracias inseridas em grandes blocos econômicos estão imunes à pressão de ruas dominadas pela Geração Z.
Diante desse cenário, você acredita que os Protestos da Geração Z vão derrubar mais governos na Europa nos próximos anos ou que os líderes vão conseguir responder às demandas dessa geração antes que isso aconteça?

