Instalação militar no Tartaristão produz milhares de drones por mês e virou alvo de críticas por usar mão de obra juvenil
A maior fábrica de drones do mundo fica na Rússia, mais precisamente na região do Tartaristão, e vem chamando atenção internacional não apenas pela capacidade de produção, mas também pelo uso de adolescentes na montagem de equipamentos militares. O local, que abastece o Exército russo com os drones kamikazes Geran-2, opera dentro da zona econômica especial de Ielabuga.
De acordo com reportagens da Reuters e do The Telegraph, baseadas em um documentário exibido pela TV estatal russa Zvezda, adolescentes de cerca de 15 anos aparecem operando equipamentos nas linhas de montagem. Segundo o vídeo, esses jovens são recrutados diretamente após o nono ano escolar e matriculados em um colégio técnico mantido pela própria fábrica.
Produção acelerada e drones em larga escala

O complexo de Ielabuga é o centro da produção dos Geran-2, versão russa dos drones iranianos Shahed 136. Com capacidade para produzir mais de 5 mil unidades por mês, a fábrica já teria fabricado 18 mil drones apenas no primeiro semestre de 2025, segundo estimativas de fontes ligadas ao Kremlin. O diretor da instalação, Timur Shagivaleyev, afirmou que a produção atual é “nove vezes maior” que o plano inicial, embora não tenha especificado o período.
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Com 3,5 metros de comprimento e alcance de até 1.800 km, os Geran-2 são equipados com ogivas de 50 kg e podem voar a 300 km/h. O custo, entre R$ 195 mil e R$ 280 mil, é muito inferior ao de mísseis ocidentais, como os do sistema Patriot, que podem ultrapassar R$ 30 milhões.
Críticas à mão de obra jovem e uso de veículos dos EUA

A presença de adolescentes trabalhando na maior fábrica de drones do mundo gerou críticas internacionais. No vídeo divulgado pelo canal estatal, a juventude é retratada como parte do esforço patriótico. Mas reportagens apontam que o governo russo quer replicar esse modelo em outras regiões, ampliando a militarização da juventude e a produção nacional de armamentos.
Outro ponto controverso é o uso de caminhonetes Dodge Ram 1500, de fabricação americana, na operação da fábrica. Esses veículos são usados para o lançamento dos drones em campo, o que pode configurar violação das sanções internacionais. O complexo também possui pista própria de testes e está estrategicamente localizado perto do rio Kama, que liga ao Volga, facilitando o transporte de peças — possivelmente vindas do Irã.
Escalada no uso de drones e impactos civis
A produção em massa dos drones tem papel estratégico na guerra da Rússia contra a Ucrânia. Em julho, Moscou teria lançado 741 drones e mísseis em uma única noite, o maior ataque já registrado. Autoridades europeias alertam que o país pode dobrar esse número em breve, atingindo 2 mil drones por dia.
Embora o governo russo afirme que os alvos são militares, dados da ONU indicam que mais de 13 mil civis ucranianos morreram desde o início do conflito. Os drones vêm sendo usados para atacar redes elétricas e infraestruturas civis, ampliando o impacto humanitário da guerra.
Você acredita que o uso de adolescentes em fábricas militares deve ser condenado internacionalmente? Ou é uma escolha soberana de cada país? Deixe sua opinião nos comentários.

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