Implante da Neuralink em paciente tetraplégico permite movimentar cursor apenas com o pensamento. Teste inédito revela avanço promissor em neurotecnologia, apesar de desafios técnicos.
Em uma das maiores promessas da neurotecnologia moderna, a Neuralink, empresa fundada por Elon Musk, anunciou que um paciente tetraplégico foi capaz de controlar um computador apenas com o pensamento, graças a um chip cerebral implantado diretamente no cérebro. A experiência foi divulgada oficialmente em março de 2025 e representa a primeira demonstração pública bem-sucedida do projeto iniciado em 2016.
De acordo com O Antagonista e confirmado pelo jornal britânico The Guardian, o paciente se chama Noland Arbaugh, tem 30 anos e ficou tetraplégico após um acidente de mergulho em 2016. Ele foi o primeiro voluntário humano a receber o chip N1, da Neuralink, durante um procedimento realizado em janeiro deste ano. Desde então, tem utilizado a tecnologia para jogar xadrez, navegar na internet e até mesmo jogar videogames.
Como funciona o chip cerebral da Neuralink?

O chip N1 é um implante sem fio, com cerca de 1.000 eletrodos ultrafinos capazes de ler e interpretar sinais neurais emitidos pelas intenções de movimento do cérebro. Esses sinais são então convertidos em comandos para movimentar o cursor de um computador. Segundo a própria Neuralink, o objetivo inicial é permitir que pessoas com paralisia severa consigam interagir com o ambiente digital sem depender de periféricos físicos.
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Durante uma transmissão ao vivo feita pelo próprio paciente, Noland demonstrou em tempo real o controle total do cursor usando apenas a mente. Em sua fala, destacou: “Antes, eu precisava de ajuda para tudo. Agora, posso fazer várias coisas sozinho pela primeira vez em anos”, relatou emocionado.
Complicações técnicas e ajuste do sistema
Apesar do sucesso, o projeto não foi isento de problemas. Como relatado pela Reuters, houve um episódio em que alguns fios do chip se deslocaram levemente por causa do movimento natural do cérebro, reduzindo a eficácia da leitura neural. A falha foi corrigida com atualizações no software de decodificação da Neuralink, e o paciente voltou a operar o sistema normalmente.
Esse tipo de contratempo levanta alertas sobre a viabilidade e durabilidade dos implantes neurais, especialmente em ambientes biológicos tão sensíveis como o cérebro humano.
Próximos passos: braços robóticos e controle de dispositivos físicos
Além do cursor de computador, a Neuralink agora trabalha em uma nova fase dos testes clínicos que pretende conectar o chip a próteses robóticas, possibilitando que pacientes movimentem braços mecânicos com a mente. O objetivo a longo prazo, segundo Elon Musk, é oferecer autonomia total para pessoas com deficiência motora severa.
Em novembro de 2024, a empresa recebeu aprovação do FDA para iniciar um estudo de viabilidade envolvendo interfaces cérebro-máquina com foco em dispositivos físicos. A expectativa é que novos voluntários com diferentes graus de lesão medular participem dos próximos testes, como informou a Business Insider.

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