Estudo publicado na revista PLOS ONE revela o primeiro ovo fóssil de um sinapsídeo não-mamífero, encontrado dentro de um crânio de apenas 34,5 mm preservado em uma rocha na África do Sul, mudando o que se sabia sobre a reprodução dos ancestrais dos mamíferos que viveram há 250 milhões de anos no período Triássico.
Cientistas encontraram o primeiro ovo fóssil de um ancestral de mamífero já descoberto. Portanto, a descoberta muda o que se sabia sobre como os antepassados de todos os mamíferos do planeta se reproduziam há 250 milhões de anos.
O estudo foi publicado em 9 de abril de 2026 na revista PLOS ONE, uma das maiores revistas científicas do mundo com revisão por pares.
O fóssil estava escondido dentro de um crânio menor que uma moeda — apenas 34,5 mm — preservado em uma rocha na África do Sul.
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Preparador de fósseis encontrou a pedra em 2008 sem saber o que havia dentro
O espécime foi descoberto por John Nyaphuli, preparador de fósseis, em 2008 na fazenda Rheeboksfontein, Província do Estado Livre, África do Sul. Contudo, o que havia dentro da rocha só foi revelado agora.
Assim, o nódulo rochoso de 73 mm de comprimento e 55 mm de largura ficou guardado no National Museum de Bloemfontein por quase duas décadas. Somente com tecnologia avançada foi possível enxergar seu conteúdo.
O animal dentro do ovo pertence à espécie Lystrosaurus, um herbívoro robusto que viveu durante o Triássico Inicial, cerca de 250 milhões de anos atrás.

Primeiro ovo fóssil de ancestral de mamífero revelado por raios X do Síncrotron Europeu
A equipe liderada pelo Prof. Julien Benoit, da University of the Witwatersrand (Johannesburg), usou tomografia de síncrotron no ESRF — European Synchrotron Radiation Facility em Grenoble, França.
Dessa forma, os raios X mais potentes do mundo revelaram detalhes invisíveis a olho nu. O Dr. Vincent Fernandez, do ESRF, conduziu a análise que identificou o embrião dentro da rocha.
O volume estimado do ovo é extremamente pequeno, compatível com o menor crânio de Lystrosaurus já encontrado — 34,5 mm.
Além disso, a Prof. Jennifer Botha, coautora do estudo, confirmou que a análise histológica reforça que se trata de um embrião, não de um filhote recém-nascido.

Lystrosaurus sobreviveu à maior extinção em massa da história
O Lystrosaurus é um dos animais mais importantes da paleontologia. Portanto, entender como ele se reproduzia é fundamental para a ciência.
Esse herbívoro foi um dos poucos sobreviventes da extinção do Permiano-Triássico — o maior evento de extinção em massa da história da Terra, que eliminou cerca de 90% de todas as espécies marinhas e 70% das terrestres.
Após a catástrofe, o Lystrosaurus dominou os ecossistemas terrestres. Assim, seus fósseis são encontrados em abundância na África do Sul, Antártida e Índia.
A descoberta do ovo sugere que a reprodução por ovos era a condição ancestral dos sinapsídeos — o grupo que eventualmente deu origem a todos os mamíferos modernos, incluindo os humanos.

Como mamíferos passaram de botar ovos a dar à luz filhotes vivos
Hoje, a esmagadora maioria dos mamíferos são vivíparos — dão à luz filhotes vivos. Contudo, isso nem sempre foi assim.
Os monotremados — como o ornitorrinco e a equidna — ainda botam ovos. Portanto, cientistas já suspeitavam que a oviparidade era a condição original dos ancestrais dos mamíferos.
Dessa forma, o primeiro ovo fóssil de ancestral de mamífero confirma essa hipótese com evidência direta. Até agora, só existiam inferências indiretas baseadas na anatomia pélvica de fósseis.
A transição de ovos para gestação interna aconteceu gradualmente ao longo de milhões de anos. Ainda assim, o momento exato dessa mudança permanece um dos grandes mistérios da biologia evolutiva.
Benoit afirmou que a descoberta “preenche uma lacuna crucial no entendimento da evolução reprodutiva dos sinapsídeos e, por extensão, de todos os mamíferos”.

Descoberta muda o entendimento sobre a origem dos mamíferos
O estudo foi financiado pelo governo da África do Sul por meio do Department of Science, Technology and Innovation e do National Research Foundation. Além disso, contou com apoio do Centro de Excelência em Paleociências.
O editor responsável pela revisão do paper foi Jörg Fröbisch, do Museum für Naturkunde de Berlim — uma das maiores autoridades mundiais em sinapsídeos.
Portanto, a descoberta não é apenas um achado isolado. Ela representa um marco na paleontologia que conecta diretamente os répteis ancestrais aos mamíferos que dominam o planeta hoje.
De um crânio menor que uma moeda, preservado dentro de uma rocha por 250 milhões de anos numa fazenda na África do Sul, saiu a primeira prova de que todos os nossos ancestrais mais antigos nasciam de ovos.
