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Todos os mamíferos do planeta nasciam de ovos há 250 milhões de anos e cientistas acabam de encontrar a primeira prova disso escondida dentro de um crânio menor que uma moeda na África do Sul

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 10/04/2026 às 09:01
Atualizado em 11/04/2026 às 17:02
Espécime NMQR 3636: fóssil de ovo de Lystrosaurus fotografado para o estudo publicado na PLOS ONE
Espécime NMQR 3636 preservado em nódulo de 73 mm. Imagem: PLOS ONE / Benoit, Fernandez & Botha, 2026.
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Estudo publicado na revista PLOS ONE revela o primeiro ovo fóssil de um sinapsídeo não-mamífero, encontrado dentro de um crânio de apenas 34,5 mm preservado em uma rocha na África do Sul, mudando o que se sabia sobre a reprodução dos ancestrais dos mamíferos que viveram há 250 milhões de anos no período Triássico.

Cientistas encontraram o primeiro ovo fóssil de um ancestral de mamífero já descoberto. Portanto, a descoberta muda o que se sabia sobre como os antepassados de todos os mamíferos do planeta se reproduziam há 250 milhões de anos.

O estudo foi publicado em 9 de abril de 2026 na revista PLOS ONE, uma das maiores revistas científicas do mundo com revisão por pares.

O fóssil estava escondido dentro de um crânio menor que uma moeda — apenas 34,5 mm — preservado em uma rocha na África do Sul.

Fóssil de ovo de ancestral de mamífero preservado em rocha sedimentar com 250 milhões de anos

Preparador de fósseis encontrou a pedra em 2008 sem saber o que havia dentro

O espécime foi descoberto por John Nyaphuli, preparador de fósseis, em 2008 na fazenda Rheeboksfontein, Província do Estado Livre, África do Sul. Contudo, o que havia dentro da rocha só foi revelado agora.

Assim, o nódulo rochoso de 73 mm de comprimento e 55 mm de largura ficou guardado no National Museum de Bloemfontein por quase duas décadas. Somente com tecnologia avançada foi possível enxergar seu conteúdo.

O animal dentro do ovo pertence à espécie Lystrosaurus, um herbívoro robusto que viveu durante o Triássico Inicial, cerca de 250 milhões de anos atrás.

Reconstituição de Lystrosaurus, ancestral de mamífero que viveu há 250 milhões de anos

Primeiro ovo fóssil de ancestral de mamífero revelado por raios X do Síncrotron Europeu

A equipe liderada pelo Prof. Julien Benoit, da University of the Witwatersrand (Johannesburg), usou tomografia de síncrotron no ESRF — European Synchrotron Radiation Facility em Grenoble, França.

Dessa forma, os raios X mais potentes do mundo revelaram detalhes invisíveis a olho nu. O Dr. Vincent Fernandez, do ESRF, conduziu a análise que identificou o embrião dentro da rocha.

O volume estimado do ovo é extremamente pequeno, compatível com o menor crânio de Lystrosaurus já encontrado — 34,5 mm.

Além disso, a Prof. Jennifer Botha, coautora do estudo, confirmou que a análise histológica reforça que se trata de um embrião, não de um filhote recém-nascido.

Instalação do Síncrotron Europeu ESRF em Grenoble onde o fóssil foi analisado

Lystrosaurus sobreviveu à maior extinção em massa da história

O Lystrosaurus é um dos animais mais importantes da paleontologia. Portanto, entender como ele se reproduzia é fundamental para a ciência.

Esse herbívoro foi um dos poucos sobreviventes da extinção do Permiano-Triássico — o maior evento de extinção em massa da história da Terra, que eliminou cerca de 90% de todas as espécies marinhas e 70% das terrestres.

Após a catástrofe, o Lystrosaurus dominou os ecossistemas terrestres. Assim, seus fósseis são encontrados em abundância na África do Sul, Antártida e Índia.

A descoberta do ovo sugere que a reprodução por ovos era a condição ancestral dos sinapsídeos — o grupo que eventualmente deu origem a todos os mamíferos modernos, incluindo os humanos.

Paisagem do Karoo na África do Sul onde fósseis de ancestrais de mamíferos são encontrados

Como mamíferos passaram de botar ovos a dar à luz filhotes vivos

Hoje, a esmagadora maioria dos mamíferos são vivíparos — dão à luz filhotes vivos. Contudo, isso nem sempre foi assim.

Os monotremados — como o ornitorrinco e a equidna — ainda botam ovos. Portanto, cientistas já suspeitavam que a oviparidade era a condição original dos ancestrais dos mamíferos.

Dessa forma, o primeiro ovo fóssil de ancestral de mamífero confirma essa hipótese com evidência direta. Até agora, só existiam inferências indiretas baseadas na anatomia pélvica de fósseis.

A transição de ovos para gestação interna aconteceu gradualmente ao longo de milhões de anos. Ainda assim, o momento exato dessa mudança permanece um dos grandes mistérios da biologia evolutiva.

Benoit afirmou que a descoberta “preenche uma lacuna crucial no entendimento da evolução reprodutiva dos sinapsídeos e, por extensão, de todos os mamíferos”.

Paleontólogo analisando fóssil com equipamento de tomografia em laboratório

Descoberta muda o entendimento sobre a origem dos mamíferos

O estudo foi financiado pelo governo da África do Sul por meio do Department of Science, Technology and Innovation e do National Research Foundation. Além disso, contou com apoio do Centro de Excelência em Paleociências.

O editor responsável pela revisão do paper foi Jörg Fröbisch, do Museum für Naturkunde de Berlim — uma das maiores autoridades mundiais em sinapsídeos.

Portanto, a descoberta não é apenas um achado isolado. Ela representa um marco na paleontologia que conecta diretamente os répteis ancestrais aos mamíferos que dominam o planeta hoje.

De um crânio menor que uma moeda, preservado dentro de uma rocha por 250 milhões de anos numa fazenda na África do Sul, saiu a primeira prova de que todos os nossos ancestrais mais antigos nasciam de ovos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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